Emil Cioran - Simpatia pelo nazi-fascismo e primeiros escritos
Emil Mihai Cioran (Rășinari, 8 de abril de 1911 — Paris, 20 de junho de 1995) foi um escritor e filósofo romeno radicado na França. Seu trabalho foi conhecido por seu pessimismo filosófico, estilo e aforismos. Suas obras frequentemente abordavam questões de sofrimento, decadência e niilismo.
A tese de graduação de Cioran foi sobre Henri Bergson, a quem ele mais tarde rejeitou, alegando que Bergson não compreendia a tragédia da vida.
Henri Bergson (Paris, 18 de outubro de 1859 — Paris, 4 de janeiro de 1941) foi um filósofo e diplomata francês, laureado com o Nobel de Literatura de 1927.
Conhecido principalmente por Ensaios sobre os dados imediatos da consciência, Matéria e Memória, A evolução criadora e As duas fontes da moral e da religião, sua obra é de grande atualidade e tem sido estudada em diferentes disciplinas - cinema, literatura, neuropsicologia, bioética, entre outras. Bergson procurou construir uma "metafísica positiva" e fazer da filosofia uma ciência baseada na intuição como um método, cujos resultados viriam da experiência e seriam tão rigorosos quanto as ciências baseadas na inteligência, como a matemática. Ao contrário de Platão e René Descartes, que usavam a geometria como modelo para fazer da metafísica uma ciência, Bergson adotou a biologia, a psicologia e a sociologia como fundamentos de seu pensamento filosófico.
A partir dos 20 anos, Cioran começou a sofrer de insônia, condição que sofreu pelo resto da vida, e que permeou seus escritos. A decisão de Cioran de escrever sobre suas experiências em seu primeiro livro, On the Heights of Despair, veio de um episódio de insônia.
Aos 22 anos, publicou On the Peaks of Despair, a sua primeira obra, com a qual entrou, apesar da pouca idade, no panteão dos grandes escritores romenos. Após dois anos de formação em Berlim, regressou à Romênia, onde se tornou professor de filosofia na escola secundária André-Saguna em Brașov durante o ano letivo.1936-1937. Professor atípico, suas aulas consistiam principalmente em provocar seus alunos, que o apelidaram de “louco demente”.
Enquanto estava em Berlim, interessou-se pelas políticas do regime nazista, contribuiu com uma coluna tratando do tema (na qual Cioran confessou que "não há político atual que eu considere mais simpático e admirável do que Hitler", ao expressar sua aprovação pela Noite das Facas Longas - "o que a humanidade perderia se a vida de alguns imbecis fosse tirada"), e, em uma carta escrita a Petru Comarnescu (23 de novembro de 1905 - 27 de novembro de 1970) foi um crítico literário e de arte romeno -descreveu-se como "um Hitlerista".
Ele tinha opiniões semelhantes sobre o fascismo italiano, saudando as vitórias na Segunda Guerra Ítalo-Abissínia, argumentando que: "O fascismo é um choque, sem o qual a Itália é comparável à Roménia de hoje".
Como a maioria dos intelectuais da sua geração, Cioran testemunhou a ascensão do movimento fascista e antissemita Guarda de Ferro, combatido pela polícia do regime parlamentar.
Uma atmosfera de guerra civil tomou então conta do país, o nacionalismo xenófobo ultra-cristão de um lado (a própria Guarda de Ferro apresentava-se como cristã), o secularismo democrático do outro. A Guarda de Ferro apela às antigas tradições romenas, aos valores do campesinato há muito oprimido pelos impérios estrangeiros vizinhos; já a monarquia era bastante inspirada nos valores ocidentais.
Em1936, Cioran publicou A Transfiguração da Romênia, onde desenvolveu um pensamento bastante influenciado pelas teses da Guarda de Ferro (que cultivava uma aura de martírio patriótico porque a polícia disparava sobre as suas reuniões sem aviso). No mesmo ano, publicou O Livro das Iscas, uma contrapartida espiritual da Transfiguração, segundo alguns, e que recebeu uma crítica negativa de Mihail Sebastian.
Mihail Sebastian (nascido Iosif Mendel Hechter; 18 de outubro de 1907 – 29 de maio de 1945) foi um dramaturgo, ensaísta, jornalista e romancista romeno.
Cioran escreve em 1937, em sua terceira obra, Lágrimas e Santos, que causou escândalo em seu país. "Os húngaros nos odeiam de longe, enquanto os judeus nos odeiam no próprio coração de nossa sociedade" e "O judeu não é nosso semelhante, nosso próximo, e, independentemente da intimidade mantida com ele, um abismo nos separa."
Mais tarde, ele riscou essas passagens para a edição francesa.
O livro foi recusado por sua editora Vremea e finalmente publicado de forma independente. As críticas que recebeu foram negativas, com exceção de Jeni Acterian.
Eugenia Maria Acterian, por casamento Georgescu, conhecida no teatro como Jeni Arnotă, (22 de junho de 1916, Constança, Romênia – 29 de abril de 1958, Bucareste, Romênia) foi uma diretora e estudiosa de teatro romena de origem armênia.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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