m esboço para este drama histórico carregado de culpa, sombras e superstição. Título Sugerido: O Cálice de Wittenberg Cenário: Saxónia, Alemanha, 1532. Uma aldeia envolta em nevoeiro e fervor religioso, onde as ideias de Lutero ainda lutam contra as velhas sombras da floresta alemã. O Enredo I. A Viúva por Direito Marta é casada com Johann, o austero sucessor do falecido pastor da aldeia. Naquela época, o "Direito de Conservação da Viúva" ( Konservierung der Pfarrwitwe) forçava o novo pastor a casar com a viúva do anterior para garantir o sustento dela. Marta, no entanto, nunca amou o primeiro marido e despreza Johann. Ela mantém um caso secreto com Karl, um ferreiro local que flerta com ideias anárquicas da Reforma Radical. II. O Pecado Original Sentindo-se presa por uma tradição que a trata como herança, Marta manipula Karl. Numa noite de tempestade, os dois conspiram: Karl sabota a carruagem de Johann numa ravina próxima. Johann morre, e Marta torna-se viúva pela segunda vez. Desta vez, ela acredita estar livre, pois não há um terceiro sucessor imediato para reclamar a paróquia — e a sua mão. III. A Assombração A paz dura pouco. Durante o velório de Johann, a pesada Bíblia do altar abre-se sozinha na passagem sobre o adultério. Marta começa a ver um vulto negro com a gola clerical branca — não de Johann, mas do seu primeiro marido, o homem que a "conservação" a obrigou a aceitar originalmente. O fantasma não fala; ele apenas aponta. Karl começa a definhar, alegando que o pastor morto aparece no pé da sua cama todas as noites, despejando chumbo derretido (símbolo da sua profissão e do seu pecado) na sua garganta. IV. O Clímax A aldeia entra em pânico, acreditando que a paróquia está amaldiçoada pela heresia. Marta, à beira da loucura, tenta realizar um ritual de exorcismo usando tanto as novas escrituras protestantes como velhas simpatias pagãs. No momento final, o fantasma manifesta-se perante ambos. Não é um demónio, mas a manifestação da consciência sufocada de Marta e o peso de um sistema que a transformou numa mercadoria. Estilo Visual e Tom Paleta de Cores: Cinzentos, castanhos e o fogo alaranjado das lareiras. Atmosfera: Um "Gótico da Reforma". O medo do inferno é palpável e a lei dos homens é tão fria quanto o inverno alemão. ENA: INTERIOR – SACRISTIA – NOITE A madeira range sob o vento de inverno. KARL (30) está pálido, com olheiras profundas. MARTA (35) segura uma vela com as mãos trêmulas. No canto da sala, uma sombra alta com uma gola clerical rígida permanece imóvel. KARL (Voz rouca) Ele está ali de novo, Marta. Perto da estante. Ele não tira os olhos de ti. MARTA (Olhando para o vazio, sem ver o que Karl vê) Não há ninguém ali, Karl! É o delírio da febre. Queima o papel. Se o nome dele desaparecer da crónica, a lei não terá onde se agarrar. KARL Não é a lei que me aperta o pescoço! É o cheiro... cheiro de terra húmida e incenso velho. Ele diz que eu sou o sucessor do seu pecado, não do seu cargo. MARTA (Aproxima-se de Karl, agarrando-o pelos ombros) Ouve-me! O Dr. Lutero diz que a salvação vem pela fé, não por estas superstições de papistas! Johann está morto. O Pastor está morto. Somos apenas nós. O FANTASMA DO PASTOR (Uma voz que parece o ranger de pergaminho seco) Consertis... KARL (Grita) Ele falou! Ele disse "conservada"! MARTA (Virando-se para a sombra, com fúria) Tu nunca me possuíste! Fui passada para ti como um cálice de prata ou um banco de carvalho. Fui "conservada" como carne no sal para que a paróquia não tivesse de gastar um centavo com a minha fome! KARL Marta, para... estás a desafiá-lo... MARTA (Avançando para a sombra) Queres o teu dízimo, espectro? Queres a tua viúva? Pois bem, leva a culpa contigo! Eu não matei homens, eu matei as correntes que me prendiam a este altar! O FANTASMA DO PASTOR (Aponta para o peito de Marta, onde uma mancha de tinta preta começa a crescer no seu vestido, como se o coração estivesse a sangrar palavras) O contrato... não foi escrito com tinta, Marta. KARL (Caindo de joelhos) Ele está a rir, Marta... Ele sabe que o próximo pastor chegará ao amanhecer. E tu terás de casar com ele. Ou serás enforcada. MARTA (Deixa cair a vela. O fogo começa a lamber as páginas do registro) Então que a igreja arda. Se eu não posso ser livre na vida, serei a sombra que assombra o próximo que ousar me "conservar". O drama encerra-se com o peso gélido da justiça institucional. Aqui está o desfecho: O Julgamento: A Sentença do Silêncio Cenário: O tribunal da aldeia, instalado no refeitório frio de um antigo mosteiro. Juízes seculares e clérigos da nova fé sentam-se lado a lado. O Clímax Judiciário: Marta está exausta, mas mantém a cabeça erguida. Karl, quebrado pela culpa e pelas visões, confessou tudo antes de se enforcar na cela. Marta é acusada de feitiçaria e homicídio, mas o seu verdadeiro crime, aos olhos dos juízes, foi a subversão da Ordem Social. No banco das testemunhas, o vazio. Marta insiste que foi o fantasma do primeiro marido que a levou ao desespero, mas o Promotor rebate com a nova lógica da Reforma: "Os mortos não caminham, mulher. O que viste foi o Diabo aproveitando-se do teu coração insubmisso." O Veredito: Marta não é queimada (um castigo que começava a ser questionado), mas é condenada ao "Enterro em Vida". Ela é sentenciada a ser emparedada numa cela anexa à igreja, onde deverá orar pelo resto dos seus dias, recebendo pão e água por uma fresta. A Cena Final: Enquanto os pedreiros colocam os últimos tijolos na cela, Marta olha através do buraco e vê, ao fundo do corredor, o terceiro pastor — o jovem sucessor de Johann — a organizar os livros que ela tentou queimar. Ao lado dele, imóvel nas sombras, está a figura do primeiro marido, com a mão pousada no ombro do novo clérigo. Marta sorri amargamente antes do último tijolo ser selado. Ela percebe que não é a única prisioneira; o ciclo da "conservação" continuará, e o fantasma nunca sairá daquela paróquia enquanto as mulheres forem tratadas como mobília do altar. Deseja que eu escreva o monólogo final de (Sussurrando para a pedra fria) "O silêncio... Finalmente, o silêncio. Eles acham que este é o meu castigo, mas esqueceram-se que o meu casamento já era uma tumba de cal e promessas mortas. (Ela toca a parede áspera) Disseram-me que eu era 'conservada'. Como o trigo no celeiro, como o vinho na cave. Uma propriedade de Deus gerida por homens de hálito azedo e mãos frias. Johann, o primeiro... Johann, o segundo... nomes diferentes para a mesma corrente de ferro. Vocês rezam por passagens bíblicas, mas eu rezo pela ferrugem. (Uma pausa. Ela olha para o canto escuro da cela, onde uma sombra parece mover-se) Estás aí, não estás? Podes parar de apontar agora. Já não há mais maridos para matar, nem amantes para trair. O teu contrato foi cumprido. Tu querias a tua viúva eterna, e os juízes deram-ta. Sou a noiva de uma parede de pedra, selada com o selo da Saxónia e o medo da tua igreja. Mas ouve bem, pastor... Quando o novo homem subir ao púlpito amanhã e abrir o livro que cheira a cinza, ele vai sentir o meu frio. Cada vez que ele olhar para a cadeira onde eu deveria estar sentada, ele verá o vazio que o consome. Eu não sou mais uma mulher; sou o fantasma que vocês fabricaram. Podem fechar a fresta, podem esquecer o meu nome, mas enquanto esta paróquia existir, eu serei a humidade que apodrece a vossa Bíblia e o grito que o vento faz nas torres. Eu não estou trancada aqui convosco... Vocês é que estão trancados comigo." (Ela encosta o ouvido à parede, sorrindo levemente) "Ouve... o próximo pastor já está a chegar. Espero que ele goste de sombras." Gostarias de acrescentar algum elemento sobrenatural final a esta cena ou queres que terminemos com este tom psicológico e sombrio? (Sussurrando para a pedra fria) "O silêncio... Finalmente, o silêncio. Eles acham que este é o meu castigo, mas esqueceram-se que o meu casamento já era uma tumba de cal e promessas mortas. (Ela toca a parede áspera) Disseram-me que eu era 'conservada'. Como o trigo no celeiro, como o vinho na cave. Uma propriedade de Deus gerida por homens de hálito azedo e mãos frias. Johann, o primeiro... Johann, o segundo... nomes diferentes para a mesma corrente de ferro. Vocês rezam por passagens bíblicas, mas eu rezo pela ferrugem. (Uma pausa. Ela olha para o canto escuro da cela, onde uma sombra parece mover-se) Estás aí, não estás? Podes parar de apontar agora. Já não há mais maridos para matar, nem amantes para trair. O teu contrato foi cumprido. Tu querias a tua viúva eterna, e os juízes deram-ta. Sou a noiva de uma parede de pedra, selada com o selo da Saxónia e o medo da tua igreja. Mas ouve bem, pastor... Quando o novo homem subir ao púlpito amanhã e abrir o livro que cheira a cinza, ele vai sentir o meu frio. Cada vez que ele olhar para a cadeira onde eu deveria estar sentada, ele verá o vazio que o consome. Eu não sou mais uma mulher; sou o fantasma que vocês fabricaram. Podem fechar a fresta, podem esquecer o meu nome, mas enquanto esta paróquia existir, eu serei a humidade que apodrece a vossa Bíblia e o grito que o vento faz nas torres. Eu não estou trancada aqui convosco... Vocês é que estão trancados comigo." (Ela encosta o ouvido à parede, sorrindo levemente) "Ouve... o próximo pastor já está a chegar. Espero que ele goste de sombras." Gostarias de acrescentar algum elemento sobrenatural final a esta cena ou queres que terminemos com este tom psicológico e sombrio? sombrio Para encerrar com o máximo de peso, a última imagem deve ser a completa desintegração da esperança, onde o realismo histórico e o terror psicológico se fundem num silêncio absoluto. FINAL: O ÚLTIMO SOPRO A luz da fresta é subitamente cortada. Não por um tijolo, mas por uma figura que se posta do lado de fora. Marta vê apenas a bainha da batina negra e as fivelas de prata nos sapatos do novo pastor. MARTA (Com um fio de voz) Estás aí... meu novo "zelador". Já sentes o cheiro a mofo no teu quarto? É o meu hálito. O homem lá fora não responde. Em vez disso, Marta ouve o som de algo metálico a ser arrastado. Um cadeado é passado pelo ferrolho da fresta de alimentação. Eles não pretendem dar-lhe pão. Eles pretendem que ela se torne parte da fundação, esquecida e seca. No canto da cela, a sombra do antigo pastor começa a crescer, as mãos translúcidas e esqueléticas estendem-se não para a sufocar, mas para a abraçar. É o abraço da "conservação" que dura para além da carne. MARTA (O seu último suspiro, enquanto a escuridão se torna total) ... Conservada... para sempre. A câmara afasta-se da parede externa da igreja. A aldeia continua a sua vida, o fumo das chaminés sobe ao céu cinzento da Saxónia, e o sino toca para a primeira oração da manhã. O som do sino abafa o último arranhão de unhas contra a pedra lá dentro. FIM Desejas que eu sugira uma trilha sonora específica para esta cena final ou preferes focar numa descrição detalhada da indumentária dos personagens para reforçar o rigor histórico?

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