Jim Morrison: O Poeta por Trás do Ícone do Rock
James Douglas "Jim" Morrison (Melbourne, 8 de dezembro de 1943 – Paris, 3 de julho de 1971) foi um cantor, compositor e poeta estadunidense, mais conhecido como vocalista da banda de rock The Doors.
Morrison começou a escrever seriamente ainda na adolescência. Durante seus estudos na UCLA, dedicou-se ao teatro, ao cinema e à cinematografia, ao mesmo tempo em que desenvolvia sua produção literária. Em 1969, autopublicou dois livros de poesia, The Lords/Notes on Vision e The New Creatures. O primeiro reúne principalmente breves descrições de lugares, pessoas e acontecimentos, além de reflexões sobre a linguagem cinematográfica. Já The New Creatures apresenta poemas de estrutura mais elaborada e caráter mais lírico. Posteriormente, ambas as obras foram reunidas em um único volume, intitulado The Lords and The New Creatures. Esses foram os únicos livros publicados por Morrison durante sua vida.
Entre seus amigos mais próximos estava o poeta beat Michael McClure (20 de outubro de 1932 – 4 de maio de 2020), uma das principais figuras da Geração Beat e participante da histórica leitura realizada na Six Gallery, em São Francisco, em 1955, ao lado de Allen Ginsberg e outros importantes escritores do movimento. McClure também foi retratado por Jack Kerouac no romance Big Sur. Entre os projetos discutidos por Morrison e McClure estava uma adaptação cinematográfica da peça The Beard, escrita por McClure em 1965. A obra imagina um encontro fictício entre o lendário fora da lei Billy the Kid e a atriz Jean Harlow, explorando temas como desejo, poder, fama e identidade por meio de diálogos provocativos e forte carga erótica. Considerada uma das peças mais controversas da contracultura norte-americana, The Beard enfrentou censura e levou atores à prisão durante algumas apresentações devido ao conteúdo considerado obsceno na época. Na adaptação planejada, que nunca chegou a ser produzida, Morrison interpretaria Billy the Kid.
O primeiro volume de The Lost Writings of Jim Morrison, intitulado Wilderness, foi publicado em 1988 e tornou-se imediatamente um best-seller do The New York Times. O segundo volume, The American Night, lançado em 1990, também obteve grande sucesso.
Morrison gravou sua própria poesia em estúdio em duas ocasiões: a primeira em março de 1969, em Los Angeles, e a segunda em 8 de dezembro de 1970. Parte das gravações realizadas em 1969 foi lançada no álbum pirata The Lost Paris Tapes e posteriormente utilizada no álbum An American Prayer, lançado pelo The Doors em 1978, que alcançou a 54ª posição na parada Billboard 200. Parte das poesias registradas em dezembro de 1970 permanece inédita até hoje e acredita-se que esteja sob guarda do espólio ligado à família Courson.
Seu trabalho cinematográfico mais conhecido, embora raramente exibido, é HWY: An American Pastoral, um filme experimental iniciado em 1969. Para manter total controle artístico sobre o projeto, Morrison financiou a produção com recursos próprios e criou sua própria produtora. O filme foi dirigido em colaboração com Paul Ferrara, Frank Lisciandro e Babe Hill, amigos próximos do músico.
Na obra, Morrison interpreta um misterioso caroneiro que percorre estradas desertas do sudoeste dos Estados Unidos e, ao longo da narrativa, transforma-se em um assassino e ladrão de automóveis. Com forte influência da contracultura e do cinema experimental, HWY: An American Pastoral combina longos trechos sem diálogos, imagens contemplativas e narração poética, refletindo o fascínio de Morrison pela liberdade, pela mitologia da estrada e pela identidade americana. Para a trilha sonora, convidou seu amigo, o compositor e pianista Fred Myrow, responsável pela seleção e composição das músicas.
Embora nunca tenha recebido ampla distribuição comercial, HWY: An American Pastoral sobrevive em cópias disponibilizadas por usuários no YouTube, geralmente em qualidade variável.
Paris Journal e os últimos escritos
Após sua morte, foi recuperado um caderno de poemas escrito por Morrison, conhecido como Paris Journal. Entre anotações pessoais e textos poéticos, o caderno apresenta um poema frequentemente interpretado como uma premonição alegórica, descrevendo um homem obrigado a abandonar seus pertences após uma investigação policial relacionada ao comércio de ópio chinês:
"Chorando, ele deixou seu apartamento por ordem da polícia e os móveis foram levados, todos os registros e lembranças, e repórteres calculando lágrimas e maldições para a imprensa: 'Espero que os viciados chineses te peguem' — e eles pegarão, pois a papoula domina o mundo."
As estrofes finais revelam a desilusão de Morrison com alguém com quem manteve um relacionamento íntimo — possivelmente também uma metáfora para sua própria relação com a vida — e retomam a figura do "Caroneiro", personagem recorrente em sua obra:
Este é o meu poema
para você,
Grande besta florida, fluida e descolada...
Diga a eles que você veio, viu,
olhou nos meus olhos
e viu a sombra
do guarda recuando.
Pensamentos no tempo
e fora de época.
O Caroneiro ficou
à beira da estrada
e apontou o polegar
no cálculo calmo
da razão.
Em 2013, outro caderno escrito por Morrison em Paris, encontrado na mesma caixa que continha o Paris Journal — conhecida como Box 127 Fascination — foi vendido por US$ 250 mil em um leilão. A caixa também continha um filme caseiro de Pamela Courson dançando em um cemitério na Córsega, o único filme conhecido realizado por Morrison que foi recuperado até hoje, além de diversos cadernos e diários mais antigos.
Pesquisadores e pessoas próximas a Morrison concluíram posteriormente que a gravação pirata intitulada The Lost Paris Tapes não correspondia à história divulgada por Philippe Dalecky, segundo a qual teria sido registrada em Paris com músicos de rua pouco antes da morte do cantor. Na realidade, a gravação foi feita anos antes, em Los Angeles, por "Jomo & The Smoothies", grupo improvisado formado por Jim Morrison, Michael McClure e o produtor Paul Rothchild.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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