Caetano Veloso: Vida, Formação e Início de Carreira Considerado uma das figuras mais importantes da música popular brasileira e um dos compositores brasileiros mais influentes do século XX, Caetano Emanuel Viana Teles Veloso nasceu em 7 de agosto de 1942, na cidade de Santo Amaro, Bahia. Cantor, compositor, músico, produtor, arranjador e escritor, construiu uma carreira que ultrapassa seis décadas e é marcada pela constante renovação estética, pela experimentação musical e pelo elevado valor intelectual e poético de sua obra. Em rankings da revista Rolling Stone Brasil, Caetano foi eleito o 4º maior artista da música brasileira de todos os tempos e o 8º maior cantor brasileiro de todos os tempos, reconhecimento atribuído ao conjunto de sua produção artística. Origem familiar Caetano é o quinto dos sete filhos de José Teles Velloso (1901–1983), conhecido como Seu Zezinho, funcionário público da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, e de Claudionor Viana Teles Velloso (1907–2012), popularmente chamada de Dona Canô. O casal casou-se em 1931 e teve grande influência na formação cultural dos filhos. A família possuía ascendência portuguesa, afro-brasileira e indígena, incluindo ancestrais da etnia Pataxó por parte da bisavó paterna. Os Pataxó são um povo indígena brasileiro de tradição historicamente seminômade, originário do sul da Bahia e do norte de Minas Gerais. Sua antiga língua é relacionada à família linguística maxakali, conjunto de línguas indígenas que descendem de uma mesma língua ancestral. Assim como ocorre com as línguas latinas — português, espanhol e italiano —, as línguas de uma mesma família apresentam semelhanças de vocabulário, sons e estrutura gramatical. Atualmente, a família maxakali é representada principalmente pela língua do povo Maxakali (Tikmũ’ũn), e estudos linguísticos indicam que a antiga língua pataxó possuía relação histórica com esse grupo. Infância e formação artística Desde a infância, Caetano demonstrou grande interesse por arte, desenho e pintura. Em 1946 nasceu sua irmã mais nova, Maria Bethânia (1946–), cantora baiana considerada uma das maiores intérpretes da música brasileira, conhecida pela intensidade dramática de suas interpretações e pela forte ligação com a poesia e a cultura popular. O nome da irmã foi escolhido pelo próprio Caetano, então com quatro anos, inspirado na valsa “Maria Bethânia”, composta por Capiba (1904–1997), nome artístico do compositor pernambucano Lourenço da Fonseca Barbosa, autor de valsas, frevos e canções populares, e eternizada na voz de Nélson Gonçalves (1919–1998), um dos cantores mais populares do Brasil no século XX, famoso por sua voz grave e potente. Antes de se dedicar integralmente à música, Caetano trabalhou como crítico de cinema no jornal Diário de Notícias, dirigido por Glauber Rocha (1939–1981), cineasta, roteirista e escritor baiano, principal nome do movimento Cinema Novo, responsável por filmes fundamentais como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Na juventude, Caetano sonhava tornar-se cineasta. A mudança decisiva ocorreu aos dezesseis anos, quando ouviu “Chega de Saudade”, interpretada por Marisa Gata Mansa (1940–1979), cantora brasileira de samba-canção e bossa nova reconhecida pelo estilo delicado e intimista, e conheceu o disco homônimo de João Gilberto (1931–2019), cantor, violonista e compositor baiano considerado o criador da bossa nova, cuja maneira inovadora de cantar e tocar violão revolucionou a música popular brasileira. Suas primeiras influências incluíam Luiz Gonzaga (1912–1989), cantor, sanfoneiro e compositor pernambucano conhecido como “Rei do Baião”, responsável pela popularização nacional de ritmos nordestinos como baião, xote e xaxado, além de sambas de roda, pontos de candomblé e outras manifestações da cultura popular nordestina. Em 1956, visitou o auditório da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, onde assistiu a apresentações dos principais artistas brasileiros da época. Carreira musical Caetano iniciou a carreira interpretando canções da bossa nova, sob forte influência de João Gilberto. Ganhou projeção nacional graças à irmã Maria Bethânia, que gravou a canção “Sol Negro”, de sua autoria, em dueto com Gal Costa (1945–2022), cantora baiana e uma das vozes mais importantes da MPB, participante do movimento tropicalista e intérprete de inúmeras composições de Caetano. Em 1965, lançou seu primeiro compacto, com as músicas “Cavaleiro” e “Samba em Paz”, pela gravadora RCA, e participou do espetáculo Arena Canta Bahia, ao lado de Gal Costa, Gilberto Gil (1942–), cantor, compositor e multi-instrumentista baiano, parceiro artístico de Caetano e um dos líderes do Tropicalismo, além de futuro Ministro da Cultura do Brasil; de Maria Bethânia; e de Tom Zé (1936–), compositor e cantor baiano conhecido pela experimentação sonora e pela originalidade de suas composições. O espetáculo foi dirigido por Augusto Boal (1931–2009), dramaturgo e diretor teatral brasileiro, criador do Teatro do Oprimido, método teatral voltado para a participação crítica do público. Caetano também teve músicas incluídas na trilha do curta-metragem Viramundo, dirigido por Geraldo Sarno (1938–2022), cineasta baiano dedicado ao documentário e ao estudo das culturas populares brasileiras. Domingo (1967) O primeiro LP de Caetano, gravado em parceria com Gal Costa, foi Domingo (1967), produzido por Dori Caymmi (1943–), compositor, cantor e arranjador brasileiro, filho de Dorival Caymmi, conhecido pela sofisticação de seus arranjos e pela forte ligação com a música brasileira. O disco foi lançado pela gravadora Philips e apresentava sonoridade fortemente influenciada pela bossa nova. O álbum trouxe o primeiro grande sucesso popular de Caetano, “Coração Vagabundo”. Embora não tenha sido um sucesso comercial estrondoso, recebeu elogios de artistas como Elis Regina (1945–1982), cantora gaúcha considerada uma das maiores intérpretes da música brasileira, famosa pela potência vocal e pela expressividade; Wanda Sá (1944–), cantora e violonista carioca ligada à bossa nova; e Edu Lobo (1943–), compositor, cantor e violonista brasileiro autor de importantes obras da MPB e vencedor de diversos festivais de música. Esses elogios consolidaram a presença de Caetano e Gal Costa na cena musical brasileira. O disco foi lançado a convite do produtor João Araújo (1935–2013), produtor musical baiano e fundador da gravadora Som Livre, que teve papel decisivo na projeção de diversos artistas da música popular brasileira. A canção “Um Dia”, presente no repertório do álbum, recebeu o prêmio de Melhor Letra no II Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, um dos mais importantes festivais da música brasileira dos anos 1960. Alex

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog