Psicologia - Estágio Filosófico (da Antiguidade até o século XIX)
A palavra psicologia deriva da palavra grega psyche, que significa espírito ou alma, a última parte deriva de logia, que significa estudo ou pesquisa. Portanto, psicologia significa literalmente "estudo da alma".
A palavra psicologia foi empregada pela primeira vez pelo humanista e latinista croata Marko Marulić (1450–1524), considerado o "Pai da Literatura Croata" em sua obra Psichiologia de ratione animae humanae (Psicologia sobre a natureza da alma humana), escrita entre 1510 e 1517. Embora o manuscrito original da obra tenha se perdido ao longo dos séculos, o título aparece listado no catálogo das obras de Marulić presente na biografia Vita Marci Maruli Spalatensis, escrita por seu contemporâneo e amigo, Franjo Božičević-Natalis, após a morte do autor.
Antes da redescoberta das referências a Marulić, acreditava-se que o termo havia sido cunhado por Rudolf Göckel (Goclenius) em 1590. No entanto, o termo utilizado por Marulić precede Goclenius em pelo menos 70 anos.
História
As civilizações antigas do Egito, Grécia, China, Índia e Pérsia se dedicaram ao estudo filosófico da psicologia. No Egito Antigo, o Papiro Edwin Smith mencionava depressão e distúrbios do pensamento.
O Papiro Edwin Smith é um antigo texto médico egípcio, nomeado em homenagem a Edwin Smith, que o comprou em 1862, e o mais antigo tratado cirúrgico conhecido sobre trauma. Este documento, que pode ter sido um manual de cirurgia militar, descreve 48 casos de lesões, fraturas, feridas, luxações e tumores.
É único entre os papiros médicos egípcios sobreviventes porque apresenta uma abordagem racional e científica da medicina no antigo Egito e evita prescrever magia.
Os filósofos da Grécia Antiga, desde Tales (fl. 550 a.C.)
Floruit (frequentemente abreviado fl.) é um verbo significando 'floresceu', que denota o período de tempo durante o qual uma pessoa, escola, movimento ou mesmo espécie esteve em atividade ou florescendo. É a forma do verbo latino florere ― "florescer" na terceira pessoa do singular, no passado indicativo ativo.
É largamente utilizado em genealogia e escrita histórica; seu uso ocorre quando as datas de nascimento ou morte são desconhecidas, mas alguma outra evidência existe que indica quando uma pessoa esteve viva.
Na Grécia Clássica (século V a.C.), os filósofos ensinavam o naturalismo, uma corrente filosófica que sustenta que a natureza é tudo o que existe, rejeitando qualquer explicação sobrenatural ou espiritual para a realidade. Alcmeão de Crotona, por exemplo, acreditava que o cérebro, e não o coração, era o "órgão do pensamento". Ele rastreou os nervos sensoriais ascendentes do corpo até o cérebro, teorizando que a atividade mental se originava na região onde o sistema nervoso central está localizado e que a causa da doença mental residia no cérebro. Ele aplicou esse entendimento para classificar doenças mentais e seus tratamentos. Uma das influências mais marcantes da Grécia Antiga na psicologia veio da teoria da alma de Platão, que considerava a psique como a essência da pessoa, sendo aquilo que determina o seu comportamento.
Outros conceitos também presentes nas obras de Platão, como eros, definiram as visões subsequentes da filosofia ocidental sobre a psique e anteciparam propostas psicológicas modernas. Por exemplo, conceitos como id, ego, superego e libido foram interpretados pelos psicanalistas como tendo sido antecipados por Platão, a tal ponto que, em 1920, Freud decidiu apresentar Platão como o precursor de sua própria teoria, como parte de uma estratégia direcionada a definir a colocação científica e cultural da psicanálise. Ao se declarar herdeiro de Platão, Freud queria que a psicanálise fosse vista como disciplina humanista, e não apenas clínica.
Ao enfrentar o pessimismo do pós-Guerra em Além do Princípio do Prazer (1920), Freud apresenta o conceito da Pulsão de Morte. Ele propõe que existe um impulso inerente à vida para retornar ao estado inorgânico (a paz absoluta da não-existência), em oposição a Eros (a pulsão de vida). Freud explicitamente associa o seu conceito de libido ao Eros platônico. No capítulo VI de Além do Princípio do Prazer, ele afirma que a psicanálise não faz nada além de retomar o sentido amplo que Platão deu ao amor — uma força vital de preservação e união de tudo o que é vivo. Para dar base biológica à sua teoria das pulsões, Freud cita o discurso de Aristófanes em Banquete. Sugerindo que a busca pelo "outro" é uma tentativa da matéria viva de restaurar um estado de unidade anterior, o que se alinha à sua definição de pulsão como uma necessidade de retorno ao passado.
Outros filósofos helenísticos, nomeadamente os estoicos e os epicuristas, divergiram da tradição grega clássica em vários aspetos importantes, especialmente na sua preocupação com questões relativas à base fisiológica da mente. O médico romano Galeno abordou estas questões de forma mais elaborada e influente do que qualquer outro. A tradição grega influenciou alguns pensamentos cristãos e islâmicos sobre o tema.
Na tradição judaico-cristã, o Manual de Disciplina (dos Manuscritos do Mar Morto, c. 21 a.C. – 61 d.C.) observa a divisão da natureza humana em dois temperamentos ou espíritos opostos, veracidade ou perversidade.
Na Ásia, a China tinha uma longa história de aplicação de testes de aptidão como parte de seu sistema educacional. Textos chineses de 2500 anos atrás mencionam doenças neuropsiquiátricas, incluindo descrições de mania e psicose com ou sem epilepsia. O "desequilíbrio" era o mecanismo da psicose. Outras condições descritas incluem confusão, ilusões visuais, intoxicação, estresse e até simulação. Teorias psicológicas sobre os estágios do desenvolvimento humano podem ser rastreadas até a época de Confúcio, há cerca de 2500 anos.
No século VI d. C, Liu Xie realizou um experimento, no qual pediu às pessoas que desenhassem um quadrado com uma mão e, ao mesmo tempo, um círculo com a outra simultaneamente. Este teste visava medir o nível de distração que os participantes conseguiam controlar. Liu observou que os participantes do experimento têm dificuldades em realizar ambas as tarefas simultaneamente. O experimento de Liu demonstrou que realizar duas tarefas ao mesmo tempo significa que nenhuma delas será feita corretamente. Este foi o primeiro experimento psicológico da história.
A Índia possuía uma teoria do "eu" em seus escritos filosóficos Vedanta. Além disso, os indianos consideravam o eu do indivíduo como sendo circundado por cinco níveis koshasue significa "invólucro" são as cinco camadas de existência que envolvem o Atman (o Eu verdadeiro ou a Alma) na filosofia Vedânta. De acordo com essa visão, o ser humano é como uma cebola ou uma boneca russa, composta por cinco corpos, do mais denso ao mais tênue.
A filosofia Sankhya afirmava que a mente possui cinco componentes, incluindo manas (mente inferior), ahankara (senso de identidade), chitta (banco de memória da mente), buddhi (intelecto) e atman (eu/alma). A filosofia Samkhya é uma das seis escolas ortodoxas do pensamento hindu e serve como a base teórica e metafísica para a prática do Yoga.
Patanjali é considerado o grande sistematizador do Yoga Clássico, sendo o autor (ou compilador) dos Yoga Sutras, a obra fundamental que transformou práticas ancestrais dispersas em um sistema filosófico coerente. Ele viveu aproximadamente entre 200 a.C. e 400 d.C..
Patanjali desenvolveu o Yoga para resiliência e equilíbrio psicológicos. Há relatos de que ele utilizou o yoga terapeuticamente para ansiedade, depressão e transtornos mentais, tão comuns naquela época quanto atualmente. Patanjali define o Yoga no seu segundo sutra como: Yogaś citta-vṛtti-nirodhaḥ ("Yoga é o recolhimento das flutuações da mente").
As filosofias budistas desenvolveram várias teorias psicológicas, formulando interpretações da mente e conceitos agregados abordados hoje por teóricos da psicologia humanista e transpessoal.
Os médicos muçulmanos medievais também desenvolveram práticas para tratar pacientes com uma variedade de "doenças da mente".
Papiro Edwin Smith.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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