Patrulha ideológica
Patrulha ideológica ou patrulhamento ideológico é uma expressão cunhada pelo cineasta Cacá Diegues, em 1978.[1][2][3] Designa uma organização informal de pessoas unidas por laços ideológicos ou religiosos que tem por objetivo preservar o pensamento defendido por um grupo dominante, munindo-se de discursos, protestos, reivindicações e repressões pública, de maneira a impor a conduta ou pensamento ideológicos da organização.
Origem da expressão
Em agosto de 1978, o filme Chuvas de Verão, de Cacá Diegues, foi recebido com frieza pela crítica (que já tinha desancado Xica da Silva, o filme anterior do diretor). Na sequência, Diegues concedeu uma longa entrevista à jornalista Póla Vartuck, publicada no jornal O Estado de S. Paulo, sob o título "Cacá Diegues: por um cinema popular, sem ideologias",[4] na qual denunciou as "patrulhas ideológicas". Estas seriam integradas por jornalistas ligados ao Partido Comunista Brasileiro - então clandestino - que teriam a "missão" de detratar produtos culturais não alinhados a um certo cânon considerado politicamente correto por esses grupos formadores de opinião. A polêmica que se seguiu mobilizou os meios intelectuais brasileiros da época e rendeu o livro Patrulhas Ideológicas, de Carlos Alberto M. Pereira e Heloísa Buarque de Hollanda (Brasiliense, 1980). No livro, há uma nova entrevista de Diegues, na qual ele define melhor o modus operandi das patrulhas: "O que existe é um sistema de pressão, abstrato, um sistema de cobrança. É uma tentativa de codificar toda manifestação cultural brasileira. Tudo o que escapa a esta codificação será necessariamente patrulhado".[5]
Exemplos de patrulhamento
Este artigo não cita fontes confiáveis. Ajude a inserir referências. Conteúdo não verificável pode ser removido.—Encontre fontes: ABW • CAPES • Google (notícias • livros • acadêmico) (Outubro de 2012)
Um exemplo do patrulhamento ideológico refere-se ao cerceamento das liberdades políticas em Cuba na década de 1960. Considerado por seus defensores como um fato secundário, em face da necessidade de se implantar e consolidar o socialismo, diante das alegadas injustiças do passado e das agressões externas, tendo como verdadeiro objetivo a desestruturação de qualquer pensamento opositor ao regime ditatorial implantado.
Alguns intelectuais e pessoas públicas, reclamaram da ação das patrulhas ideológicas, por ocasião da queda do Muro de Berlim, quando muitas ideias esquerdistas foram questionadas diante dos fatos concretos que ora apresentavam. Uma segunda forte onda de reclamos apareceu, quando do desmantelamento da URSS, sepultando muitos conceitos que haviam sido consolidados por meio da outrora imposição do pensamento ideológico do governo socialista.
Nos Estados Unidos, durante o macartismo, vizinhos policiavam-se entre si, muitas vezes uns denunciando aos outros perante as autoridades constituídas, gerando nas décadas de 1950 e 1960 verdadeiras caças às bruxas àqueles que discordavam do sistema.
Seguindo ao exemplo norte-americano, nas décadas de 1950, 1960 e 1970, houve, no Brasil, os patrulhamentos ideológicos principalmente nas escolas secundárias e nas universidades. Os grupos polarizados procuravam dentro de seus corpos "elementos" do grupo antagônico, considerados "infiltrados", ocorrendo assim os justiçamentos, que eram verdadeiros linchamentos daqueles considerados inimigos do grupo em questão.
O patrulhamento ideológico foi usado na Alemanha Nazi, através da Juventude Hitleriana, na União Soviética stalinista ou na Alemanha Oriental, mediante a instituição da denúncia sistemática de desvios ideológicos, inclusive dentro das famílias. Os integralistas de Plínio Salgado também são modelos de patrulha ideológica.
Este mesmo tipo de patrulhamento é feito por grupos socialistas dominantes em determinados setores da sociedade, com o objetivo de expurgar eventual disseminação de pensamentos distintos e cercear a liberdade de expressão, visando a manutenção do pensamento ideológico do grupo e a possibilidade de sua disseminação sem qualquer obstáculo.
Atualmente a expressão patrulhamento ideológico se refere ao constrangimento aplicado a indivíduos ou grupos divergentes das ideias dominantes.
Referências
Ivan Lins e as “patrulhas ideológicas” na década de 1970, por Andrea Maria Vizzotto Alcântara Lopes. ANPUH – XXV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA, 2009.
A volta das patrulhas ideológicas, por Luiz Carlos Barreto. Folha de S.Paulo, 7 de fevereiro de 2010.
"O cinema e o Estado na terra do sol: a construção de uma política cultural de cinema em tempos de autoritarismo", por Wolney Viannna Malafaia. In CAPELATO, Maria Helena; NAPOLITANO, Marcos; SALIBA, Elias Tomé e MORETTIN, Eduardo (orgs.) História e Cinema: Dimensões Históricas do Audiovisual. São Paulo: Alameda, 2011, 2ª ed. p. 354.
"Bode Francisco Orelana: uma representação humorística da intelectualidade brasileira entre patrulhas ideológicas, autocensura e odarização", por Maria da Conceição Francisca PiresTopoi, v. 8, n° 14, jan.-jun. 2007, pp. 114-145.
ARAN, Edson Aran Conspirações Tudo O Que Não Querem Que Você Saiba
Ver também
Politicamente correto
Categorias: SociologiaCensuraCultura
Esta página foi editada pela última vez às 19h39min de 25 de abril de 2021.
Este texto é disponibilizado nos termos da licença Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional (CC BY-SA 4.0) da Creative Commons; pode estar sujeito a condições adicionais. Para mais detalhes, consulte as condições de utilização.
Política de privacidadeSobre a WikipédiaAvisos geraisCódigo de condutaProgramadoresEstatísticasDeclaração sobre ''cookies''Versão móvel
Wikimedia Foundation
Powered by MediaWiki
Patrulha ideológica
Adicionar línguas
Adicionar tópico
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
Comentários
Postar um comentário