Vegetarianismo no subcontinente indiano
Vegetarianismo ou vegetarismo é um regime alimentar baseado no consumo de alimentos de origem vegetal. Define-se como a prática de não comer nenhum tipo de animal, com ou sem uso de laticínios e ovos. O vegetarianismo pode ser adotado por vários motivos. Muitas pessoas se opõem ao consumo de carne por respeito à vida animal senciente — senciência é a capacidade de experimentar sentimentos e sensações; pode não implicar necessariamente funções cognitivas superiores, como consciência, raciocínio ou processos de pensamento complexos. Alguns escritores definem a senciência exclusivamente como a capacidade para experiências mentais valenciadas (positivas ou negativas), dor e prazer.
Tais motivações éticas foram codificadas em diversas crenças religiosas, bem como na defesa dos direitos dos animais. Outras motivações para o vegetarianismo são relacionadas à saúde, políticas ambientais, estética, economia, paladar ou a outras preferências pessoais.
O termo "vegetariano" está em uso desde 1839, para se referir ao que antes era chamado de regime ou dieta vegetal. O termo foi popularizado com a fundação da Sociedade Vegetariana em Manchester em 1847.
Após a cristianização do Império Romano no final da Antiguidade (séculos IV a VI), o vegetarianismo quase desapareceu da Europa. Várias ordens de monges na Europa medieval restringiram ou proibiram o consumo de carne por razões ascéticas, mas nenhum deles se absteve do consumo de peixe; esses monges não eram vegetarianos, mas alguns eram pescetarianos; uma prática alimentar na qual os frutos-do-mar são a única fonte de carne em uma dieta. A inclusão de outros produtos de origem animal, como ovos e laticínios, é opcional.
O vegetarianismo ressurgiria na Europa durante o Renascimento e se tornaria uma prática mais difundida durante os séculos XIX e XX.
O Jainismo é uma antiga religião indiana centrada no princípio da não-violência (ahimsa), que visa a purificação espiritual e a libertação da alma do ciclo de renascimento através da conduta ética e do ascetismo. Os seguidores buscam a iluminação por meio das "Três Joias" — crença correta, conhecimento correto e conduta correta — e acreditam na imortalidade de todas as almas (jivas). Seus praticantes, conhecidos como jainistas, vivem sob preceitos rigorosos para eliminar o carma e alcançar a bem-aventurança final.
A questão do vegetarianismo budista nos estágios iniciais do desenvolvimento dessa religião é controversa. Existem duas escolas de pensamento. Uma diz que o Buda e seus seguidores comiam carne oferecida a eles por anfitriões ou doadores de esmolas se não tivessem razão para suspeitar que o animal havia sido abatido especificamente para seu bem. A outra diz que o Buda e sua comunidade de monges (sangha) eram vegetarianos estritos e o hábito de aceitar esmolas de carne só foi tolerado mais tarde, após um declínio da disciplina.
Ambas as escolas tiveram seus conceitos escritos vários séculos após a morte do Buda. Elas podem refletir as posições conflitantes de diferentes alas ou correntes na comunidade budista em seu estágio inicial. De acordo com o Vinaya Pitaka, o primeiro cisma aconteceu quando o Buda ainda estava vivo: um grupo de monges liderados por Devadatta deixou a comunidade porque queriam regras mais rígidas, incluindo uma proibição incondicional do consumo de carne.
O Mahaparinibbana Sutta, que narra o fim da vida do Buda, afirma que ele faleceu após comer sukara-maddava, um termo traduzido por alguns como carne de porco, por outros como cogumelos (ou um vegetal desconhecido).
O imperador budista Ashoka (304–232 a.C.) era vegetariano e um determinado promotor da não-violência contra os animais. Ele promulgou leis detalhadas visando a proteção de muitas espécies, aboliu o sacrifício de animais em sua corte e advertiu a população a evitar todos os tipos de matança e ferimentos desnecessários.
Ashoka afirmou a proteção à fauna, em seus éditos: "Aqui (em meu domínio) nenhum ser vivo deve ser abatido ou oferecido em sacrifício."
Askoka que significa literalmente "sem tristeza". Piyadasi é um título real, que significa "aquele que olha amigavelmente" ou "de semblante gracioso", e é frequentemente associado ao Imperador Ashoka da Índia, que também utilizou o título "Devanampiya", ou "Amado dos Deuses".
Ashoka foi o terceiro imperador da Dinastia Maurya, responsável por uma vasta unificação territorial, por sua conversão ao budismo e por espalhá-lo após a devastação da Guerra de Kalinga. Asoka usou o budismo para promover os princípios de harmonia e tolerância religiosa em seu império.
Hinduísmo
O estilo de vida vegetariano está profundamente enraizado nas tradições históricas da Índia, visto que a culinária vegetariana já existia desde o Período Védico. O Período Védico foi uma era na história da Índia Antiga, que vai de aproximadamente 1500 a 500 a.C., nomeada em homenagem às Vedas, os textos religiosos que são a principal fonte de informação sobre este período. A história inicial das práticas alimentares indianas, especialmente durante o período védico, foi moldada pelo conceito de Guna — um termo central na filosofia hindu que se refere a qualidades ou atributos. Acreditava-se que os três Guṇas — Sattva, Rajas e Tamas — se manifestavam nas formas de alimentos "vegetarianos", "apimentados" e "carnudos", respectivamente. Os brâmanes, os sacerdotes da casta mais alta, aderiam frequentemente a dietas vegetarianas guiadas pela filosofia Sattva.
No antigo período védico, embora as leis permitissem o consumo de alguns tipos de carne, o vegetarianismo era incentivado. O hinduísmo fornece várias bases para o vegetarianismo, pois os Vedas, afirmam que todas as criaturas manifestam a mesma força vital e, portanto, merecem igual cuidado e compaixão. Vários textos hindus colocam injunções contra o consumo de carne e outros, como o Ramayana e o Mahabharata, defendem uma dieta vegetariana. No hinduísmo, matar uma vaca é tradicionalmente considerado um pecado.
O vegetarianismo era, e ainda é, obrigatório para os iogues hindus, tanto para os praticantes de Hatha Yoga quanto para os discípulos das escolas Vaishnavas de Bhakti Yoga (especialmente os Gaudiya Vaishnavas). Segundo o pensamento iogue, a comida saatvik (pura ou com um bom impacto no corpo) visa acalmar e purificar a mente "permitindo que ela funcione em seu potencial máximo" e mantenha o corpo saudável. Os alimentos saatvik consistem em "cereais, frutas frescas, vegetais, leguminosas, nozes, sementes germinadas, grãos inteiros e leite retirado de uma vaca, que tenha um nascimento, vida e morte naturais, incluindo comida natural, após saciar as necessidades de leite de seu bezerro". Muitas escolas Vaishnavas evitam vegetais como cebola, alho, alho-poró, rabanete, cenoura, berinjela, cogumelos, lentilhas vermelhas por serem considerados como tendo efeitos não-saatvik no corpo.
O ativista e autor Shankar Narayan sugere que a origem do vegetarianismo na Índia se desenvolveu a partir da ideia de que o equilíbrio precisava ser restaurado. Ele afirma: "Junto ao desenvolvimento da civilização, a selvageria também aumentou, e aqueles que eram indefesos e sem voz, tanto humanos quanto animais, foram cada vez mais explorados e mortos para saciar as necessidades e a ganância humanas, perturbando assim o equilíbrio da natureza."
Zoroastrismo
O Zoroastrismo é uma religião iraniana, presente na Índia há milhares de anos. Ainda que tenha se dividido em um ramo separado, compartilha uma origem comum com o Hinduísmo e outras religiões indianas.
Embora já tenha sido a religião majoritária e oficial iraniana, o Zoroastrismo eventualmente se mudou para o subcontinente indiano à luz da conquista muçulmana do Irã, que viu o Califado Rashidun anexar o Império Sassânida em 651 a.C.
Devido à perseguição aos zoroastristas no período pós-sassânida, uma grande onda de iranianos fugiu para a Índia, onde ficaram conhecidos como o povo Parsi, que agora representa a comunidade zoroastriana mais antiga da Índia. Ondas posteriores de imigração zoroastriana para a Índia ocorreram ao longo dos séculos seguintes. Com um aumento no número desses refugiados ocorrendo durante a conversão safávida do Irã ao islamismo xiita e novamente durante o reinado da dinastia Qajar, cuja perseguição aos zoroastrianos levou muitos a fugir para a Índia britânica, onde ficaram conhecidos como o povo iraniano.
A atmosfera relativamente liberal da Índia e a proteção oferecida pelos reinos indianos históricos aos seus súditos zoroastrianos permitiram que a religião florescesse fora do planalto iraniano. Hoje, a Índia abriga a maior população zoroastriana do mundo e, apesar de sua baixa população geral, os zoroastrianos indianos tiveram um impacto significativo na economia, cultura, política e forças armadas da Índia, além de desempenharem um papel importante no movimento de independência da Índia.
Os seguidores de Ilm-e-Kshnoom, uma escola de pensamento zoroastriano encontrada na Índia, praticam o vegetarianismo. Houve várias declarações teológicas apoiando o vegetarianismo na história do zoroastrismo e afirmações de que Zoroastro era vegetariano.
Placa incentivando o vegetarismo na Índia.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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