Copa Africana de Nações
Copa Africana de Nações, também conhecida pelo acrônimo CAN, é a principal competição de futebol entre seleções do continente africano. Organizado pela Confederação Africana de Futebol (CAF), foi realizado pela primeira vez em 1957.
A origem da Copa Africana de Nações data de junho de 1956, altura em que a criação da Confederação Africana de Futebol foi proposta durante o terceiro congresso da FIFA, em Lisboa. Havia planos imediatos para a realização de um torneio continental e, em fevereiro de 1957, a primeira Copa Africana foi realizada em Cartum, no Sudão.
Não havia qualificação para esse torneio, sendo ele composto pelas quatro nações fundadoras da CAF (Egito, Sudão, Etiópia e África do Sul). A insistência da África do Sul em selecionar somente jogadores brancos para seu plantel devido à política de apartheid culminou em sua desqualificação e, como consequência, a Etiópia avançou automaticamente para a final.
Apartheid foi um sistema brutal de segregação racial institucionalizado na África do Sul entre 1948 e 1994, que dividia legalmente a população por raça (brancos, negros, coloridos, indianos) para privilegiar a minoria branca, negando direitos políticos e civis aos não-brancos, proibindo casamentos interraciais, e restringindo moradia e circulação.
Assim, somente dois jogos foram disputados, com o Egito coroado o primeiro campeão continental após derrotar o anfitrião Sudão na semifinal por 2 a 1 e a Etiópia na final por 4 a 0. Dois anos depois, em 1959, o Egito sediou a segunda edição da Copa Africana no Cairo, com a participação das mesmas três equipes. O Egito, anfitrião e campeão vigente, venceu novamente, derrotando o Sudão na final por 2 a 1. O número de participantes aumentou para nove equipes na terceira edição, em 1962, em Adis Abeba, e, pela primeira vez, houve uma fase de qualificação para determinar quais quatro equipes disputariam o título. A Etiópia, anfitriã, e o Egito, campeão vigente, receberam vagas automáticas, sendo acompanhados nas semifinais por Nigéria e Tunísia. O Egito chegou à sua terceira final consecutiva, mas a Etiópia sagrou-se campeã, primeiro derrotando a Tunísia e depois o Egito por 4 a 2 na prorrogação.
Em 1963, o torneio final se expande e recebe seis equipes, divididas em dois grupos de três. A seleção de Gana fez sua primeira aparição como anfitriã do evento e ganhou o título após derrotar o Sudão na final. Eles repetiram isso quando se tornaram campeões dois anos depois na Tunísia — igualando o Egito como bicampeão. Vale ressaltar que, a partir dessa edição, a competição foi renomeada de Copa Africana para Copa Africana de Nações.
Em 1965, a CAF introduziu uma regra que limitava o número de jogadores estrangeiros em cada equipe a dois. A regra persistiu até 1982. Posteriormente, o formato do torneio final de 1968 novamente aumenta para incluir oito das vinte e duas equipes inscritas nas rodadas preliminares. As equipes classificadas foram distribuídas em dois grupos de quatro, com as duas melhores colocadas de cada grupo avançando para as semifinais, um sistema que permaneceu em uso até 1992. A República Democrática do Congo venceu seu primeiro título, batendo Gana na final. Para os ganeses, essa foi a sua primeira derrota após somar oito vitórias e dois empates desde sua estreia.
Começando com o torneio de 1968, a competição tem sido regularmente realizada a cada dois anos em anos pares. A Copa Africana de Nações foi televisionada pela primeira vez durante o torneio de 1970, no Sudão, quando os anfitriões ergueram o troféu ao derrotar Gana — que estava jogando sua quarta final consecutiva.
Cinco nações diferentes ganharam títulos de 1972 a 1980: Congo, Zaire, Marrocos, Gana e Nigéria. O segundo título do Zaire na edição de 1974 (venceram também o primeiro como Zaire em 1968) surgiu após enfrentar a Zâmbia na final. Pela única vez até hoje na história da competição, a partida teve que ser repetida quando a primeira disputa entre os dois times terminou em um empate por 2 a 2 depois da prorrogação. A final de desempate aconteceu dois dias depois, com a República Democrática do Congo vencendo por 2 a 0. O atacante Mulamba Ndaye marcou todos os quatro gols do Zaire nesses dois jogos, também sendo o artilheiro do torneio com nove gols e estabelecendo um recorde que permanece até os dias atuais. Três meses antes, o Zaire havia se tornado o primeiro país da África subsaariana a se classificar para a Copa do Mundo. Porém, a única participação do Zaire/ZRepública Democrática do Congo na Copa do Mundo ficou marcada pela terceira maior goleada da história das copas: Iugoslávia 9 Zaire 0.
O Zaire mudou de nome para República Democrática do Congo em 17 de maio de 1997.
O Marrocos conquistou seu primeiro título na Copa Africana de Nações de 1976, realizada na Etiópia; Gana, seu terceiro campeonato em 1978, tornando-se o primeiro país a conquistar três títulos; e Nigéria, em 1980, também seu primeiro título após sediar o evento.
Na década de 1980, Camarões conseguiu chegar à final da copa por três vezes consecutivas, vencendo a competição duas vezes em 1984 e 1988 e perdendo uma vez nos pênaltis contra o Egito na edição de 1986. A outra equipe recorrente nesse período foi a Argélia. Juntamente com suas aparições nos mundiais de 1982 e 1986, chegando nas semifinais de todas as edições, menos a de 1986, até vencer a competição em 1990, ao ganhar da Nigéria, que conquistou o terceiro vice-campeonato em um intervalo de quatro competições, além de ter vencido a própria Argélia na final de 1980. O quarto título continental de Gana foi conquistado na edição de 1982, onde bateu em uma disputa de pênaltis a anfitriã, Líbia, na final.
A Copa Africana de Nações de 1992, disputada no Senegal, ampliou o número de participantes para doze, com as equipes divididas em quatro grupos de três e as duas melhores de cada grupo avançando para as quartas de final. Nessa edição, a Costa do Marfim estabeleceu um recorde para a competição, conquistando-a sem levar gols nas cinco partidas.
O formato de doze equipes e três grupos foi usado novamente dois anos depois, onde a anfitriã, Tunísia, foi humilhada pela eliminação ainda na primeira fase. A Nigéria, que se classificou para a Copa do Mundo pela primeira vez em sua história, venceu o torneio derrotando a Zâmbia, que um ano antes havia sido abalada por desastre aéreo quando a maior parte do seu time pereceu enquanto viajava para jogar pelas eliminatórias da Copa do Mundo.
A África do Sul sediou a 20ª competição da CAN, em 1996, marcando sua primeira aparição após décadas de suspensão com o fim do apartheid no país em 1992, e uma tentativa fracassada de se classificar em 1994. O número de participantes em 1996 foi expandido para 16, divididos em quatro grupos. No entanto, o número real de equipes foi de apenas 15, uma vez que a Nigéria se retirou do torneio no momento final por razões políticas. Os Bafana Bafana conquistaram seu primeiro título em casa, derrotando a Tunísia na final, seu maior feito.
Bafana Bafana é o apelido carinhoso da seleção masculina de futebol da África do Sul. A expressão, em língua zulu, significa literalmente "Os Garotos, Os Garotos". O nome foi popularizado pelos torcedores durante a primeira partida internacional do país após o fim do apartheid, em 1992, contra Camarões, e se tornou um símbolo de união nacional.
Sobre a retirada de última hora da Nigéria, ela ocorreu por razões políticas, sob pressão do então ditador militar nigeriano, General Sani Abacha. O ditador ordenou que a seleção se retirasse do torneio devido às fortes críticas que o governo militar nigeriano vinha recebendo da comunidade internacional, e em particular do governo anfitrião da África do Sul e de seu presidente, Nelson Mandela. Como resultado da interferência política, a Confederação Africana de Futebol (CAF) suspendeu a Nigéria da competição de 1998.
Os sul-africanos chegaram novamente à final em 1998, em Burquina Fasso, mas foram derrotados pelo Egito por 2 – 0, que conquistou o seu quarto título. O jogo pelo terceiro lugar entre Burquina Faso e República Democrática do Congo foi marcado por uma memorável reação dos congoleses, que marcaram três gols nos últimos cinco minutos do tempo regulamentar para finalmente vencerem nos pênaltis.
A edição de 2000 foi organizada em conjunto por Gana e Nigéria (esta foi a primeira vez na história que a Copa Africana foi coorganizada por dois países). Após um empate de 2 a 2 na prorrogação, Camarões derrotou a Nigéria por 4 a 3 nos pênaltis. Em 2002, os Leões Indomáveis conseguiram o segundo título consecutivo desde o feito de Gana nos anos 1960 e do Egito em 1957 e 1959. Novamente via pênaltis, os camaroneses venceram Senegal pela primeira vez, que também estreou na Copa do Mundo no final daquele ano. Os dois finalistas foram eliminados nas quartas de final, dois anos depois, na Tunísia, onde os anfitriões conquistaram seu primeiro título vencendo Marrocos por 2 a 1 na final.
No torneio de 2006, novamente o país organizador ganha o troféu, nesse caso o Egito, a primeira nação a alcançar o recorde continental de cinco títulos.
Antes da Copa Africana de Nações de 2008, vários clubes europeus solicitaram que se repensasse a programação do torneio. Como acontece durante a temporada europeia, os jogadores envolvidos perdem várias partidas pelos seus clubes. Em janeiro de 2008, o presidente da FIFA, Joseph Blatter, anunciou que queria a realização do torneio em junho ou julho até 2016, mas isso impediria muitos países da África Central e Ocidental de sediar a competição, uma vez que a estação chuvosa ocorre nesses meses. O torneio de 2008 foi realizado em Gana, com o Egito vencendo o seu sexto torneio ao derrotar Camarões por 1 a 0 na final.
O Egito estabeleceu um novo recorde no torneio de 2010, em Angola, ao conquistar seu terceiro título consecutivo após vencer todos os jogos, conquistando 7 títulos continentais (incluindo quando ficou conhecido como a República Árabe Unida entre 1958 e 1961). O Egito se tornou o primeiro país africano a conquistar três copas consecutivas e se juntou ao México, Argentina e Irã, que também conquistaram a copa do continente três vezes seguidas. Além disso, em 31 de janeiro de 2010, o Egito estabeleceu dois novos recordes africanos, não sendo derrotado por 19 jogos consecutivos da Copa das Nações, desde uma derrota por 2 a 1 contra a Argélia na Tunísia em 2004, e por vencer nove vezes consecutivas.
Em maio de 2010, foi anunciado que o torneio seria transferido para anos ímpares a partir de 2013, a fim de evitar que ocorresse no mesmo ano da Copa do Mundo. Isso também significou que houve dois torneios durante um intervalo de doze meses, em janeiro de 2012 (coorganizado pelo Gabão e Guiné Equatorial) e em janeiro de 2013 (organizado pela África do Sul). Essa mudança fez com que campeões continentais, como Egito, Zâmbia e Costa do Marfim (vencedores das edições de 2010, 2012 e 2015, respectivamente), fossem impedidos de participar da Copa das Confederações, uma vez que ela passou a acontecer a cada quatro anos, deixando de ser bienal.
A edição de 2012 da Copa Africana de Nações foi co-organizada pelo Gabão e pela Guiné Equatorial, em um contexto de turbulência política. Líbia e Tunísia se classificaram para o torneio, mesmo com a Primavera Árabe trazendo agitação e mudanças de regime para ambas as nações. Seleções tradicionais do futebol africano, como o então campeão Egito (também afetado por eventos políticos), assim como Camarões, Argélia, Nigéria e África do Sul, não conseguiram se classificar. Jogadores do Mali, terceiro colocado, fizeram um apelo pelo fim da insurgência no norte do país.
Zâmbia conquistou seu primeiro título continental surpreendentemente, os vice-campeões: Costa do Marfim equipe, favorita ao título, não sofreu nenhum gol durante todo o torneio, mas perdeu a final nos pênaltis por 8 a 7.
A vitória foi dedicada aos membros da seleção zambiana que pereceram em um acidente de avião perto do local da final em 1993, em Libreville, Gabão.
A Copa Africana de Nações de 2013 seria realizada na Líbia, porém, devido à instabilidade política e guerra civil no país norte-africano, a África do Sul foi escolhida como nova sede. A Nigéria conquistou seu terceiro título da CAN, após derrotar Burkina Fasso, que chegou à final pela primeira vez em sua história, por 1 a 0.
A Copa Africana de Nações de 2015 foi inicialmente programada para ser sediada por Marrocos, que posteriormente exigiu o adiamento do evento devido à epidemia do vírus Ebola na África Ocidental; Marrocos foi substituído pela Guiné Equatorial.
A Costa do Marfim conquistou o torneio, seu segundo título da Copa Africana de Nações, ao derrotar Gana por 9 a 8 nos pênaltis, após o empate sem gols.
A Copa Africana de Nações de 2017 estava programada novamente para ser sediada na Líbia, até que a CAF rescindiu seus direitos de organização em agosto de 2014 devido à Segunda Guerra Civil Líbia. O torneio foi então sediado no Gabão. Este evento também fez parte das comemorações do 60º aniversário da Confederação Africana de Futebol.
Camarões conquistou seu quinto título após derrotar os heptacampeões Egito, por 2 a 1 na final. Burkina Faso terminou em terceiro lugar após vencer Gana por 1 a 0 na disputa pelo terceiro lugar.
A Copa Africana de Nações de 2019 seria sediada em Camarões, que já havia sediado a competição em 1972. Em 30 de novembro de 2018, Camarões perdeu o direito de sediar a Copa Africana de Nações de 2019 devido a atrasos na entrega da infraestrutura e a preocupações com a segurança devido à Crise Anglófona.
A Crise Anglófona, também conhecida como Guerra de Ambazónia, é um conflito armado em curso na República de Camarões, iniciado em 2017. Em janeiro de 2026, o conflito permanece sem solução aparente, sendo considerado uma das crises humanitárias mais negligenciadas do mundo.
Em 8 de janeiro de 2019, o Egito foi escolhido pelo Comitê Executivo da CAF como o país anfitrião da competição. Camarões eram os atuais campeões, mas foram eliminados nas oitavas de final pela Nigéria. Os egípcios foram eliminados na mesma fase após perder por 0–1 para a África do Sul. A Argélia derrotou o Senegal por 1–0 na final, conquistando seu segundo título, enquanto a Nigéria ficou em terceiro lugar após vencer a Tunísia por 1–0 na disputa pelo terceiro lugar.
Esta foi a primeira edição da CAN a contar com a participação de 24 seleções.
A Copa Africana de Nações de 2021 foi realizada em Camarões e ocorreu de 9 de janeiro a 6 de fevereiro de 2022. O torneio estava originalmente agendado para junho e julho de 2021. No entanto, a CAF anunciou em 15 de janeiro de 2020 que, devido às condições climáticas desfavoráveis durante esse período, o torneio havia sido remarcado para ser disputado entre 9 de janeiro e 6 de fevereiro de 2021. Em 30 de junho de 2020, a CAF alterou as datas do torneio pela segunda vez para janeiro de 2022, em decorrência dos efeitos da pandemia de COVID-19 em todo o continente, mantendo o nome Copa Africana de Nações de 2021 para fins de patrocínio.
A Argélia, campeã em 2019, foi eliminada na primeira fase após terminar em último lugar no seu grupo. O Senegal conquistou o seu primeiro título da CAN depois de derrotar o Egito na final por 4–2 nos pênaltis, após um empate sem gols. Sadio Mané converteu o pênalti decisivo.
A Copa Africana de Nações de 2023 foi sediada na Costa do Marfim, sendo a segunda vez que o país recebe o torneio, após a edição de 1984. Esta edição do torneio foi inicialmente planejada para ocorrer durante o verão do Hemisfério Norte, assim como a edição de 2019, a fim de reduzir conflitos de calendário com equipes e competições de clubes europeus. No entanto, foi adiada pela CAF de 13 de janeiro a 11 de fevereiro de 2024 em 3 de julho de 2022 devido a preocupações com o clima de verão na Costa do Marfim, embora a competição tenha mantido o nome original para fins de patrocínio. Isso seguiu a edição anterior em 2021 em Camarões, que também foi transferida para a temporada de inverno do Hemisfério Norte por razões semelhantes, embora combinada com o adiamento devido ao impacto da pandemia de COVID-19 no calendário da CAF.
A seleção anfitriã, Costa do Marfim, conquistou o seu terceiro título, apesar de ter se classificado com dificuldades para a fase eliminatória e de ter trocado de técnico no meio da competição. Na final, venceu a Nigéria por 2 a 1, após também ter derrotado o Senegal, então campeão, nas oitavas de final, nos pênaltis.
A Copa Africana de Nações de 2025 foi a 35ª edição do torneio, a segunda edição sediada por Marrocos, após 1988. Foi a primeira edição da história realizada durante o período de Natal e Ano Novo, ajuste feito para evitar conflitos de datas com o novo Mundial de Clubes da FIFA. O torneio foi disputado entre 21 de dezembro de 2025 e 18 de janeiro de 2026. A então campeã Costa do Marfim foi eliminada nas quartas de final pelo Egito. Senegal garantiu seu segundo título após derrotar o país anfitrião, Marrocos, na final.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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