A Gênese da Subcultura Wandervogel: O Período Hoffmann
O movimento Wandervogel originou-se em 1896, em Steglitz (atual Berlim), formado por jovens da classe média que, inspirados por ideais românticos, protestavam contra a rigidez da industrialização e do urbanismo. Ao romperem com as amarras escolares e sociais, buscavam um estilo de vida autônomo em comunhão com a natureza. Inspirados nos clérigos errantes medievais, buscavam resgatar valores teutônicos e um nacionalismo cultural que culminou no renascimento das canções folclóricas e em impulsos decisivos para a pedagogia reformista e a Lebensreform (movimento de reforma de vida no primeiro terço do século XX).
O Preludio
Após se formar no ensino médio em 1894, Hermann Hoffmann-Fölkersamb (1875–1955) matriculou-se na Universidade de Berlim para estudar filologia (línguas orientais) e direito. Antes da fundação do movimento Wandervogel como associação, houve uma fase inicial amplamente moldada por Hofmann.
Hofmann ministrou cursos de taquigrafia semestrais para alunos do Ginásio Steglitz. Ele relatou que os participantes do curso ocasionalmente o visitavam em seu alojamento; entre esses jovens estava Karl Fischer, que seria a figura central na expansão e formalização do movimento nos anos seguintes. A paixão de Hofmann pelas caminhadas foi despertada em 1890, aos 15 anos, em Magdeburg, quando o professor Edmund Sträter interrompeu uma aula entediante para relatar suas experiências juvenis de caminhada no Pentecostes. Hoffmann registrou isso em um manuscrito intitulado 'Aus der Frühzeit des Wandervogels' (Dos Primórdios do Wandervogel), onde descreve como o professor transformou um momento de tédio em um convite à liberdade. Após os jovens que visitavam Hofmann se depararem com os relatos de viagem de Hoffmann, imediatamente disseram: " Você deve fazer isso conosco!"
No outono de 1895, Hofmann recebeu permissão do diretor do Ginásio de Steglitz para oferecer aulas gratuitas de estenografia. É interessante notar que Hoffmann utilizou a estenografia quase como um "cavalo de Troia". Na época, associações juvenis independentes eram vistas com desconfiança pelas autoridades escolares prussianas. O clube de estenografia era a fachada legítima que permitia a autonomia do grupo.
Em 1896, essas aulas incluíam caminhadas pelos arredores de Steglitz e, em 1897, o grupo realizou uma caminhada de 15 dias pelas terras altas de Harz. O pequeno grupo logo cresceu, organizando uma expedição na região do Reno em 1898 com 11 participantes, seguida, em 1899, por uma excursão de quatro semanas na Boêmia com cerca de 20 estudantes. Mesmo nessas primeiras excursões, os elementos centrais do futuro Wandervogel já eram evidentes: uma ênfase na independência do grupo e em um estilo de vida frugal, uma rejeição da autoridade tradicional, um desprezo por trilhas bem sinalizadas e voltadas para turistas, eles não queriam ser "turistas", queriam ser "descobridores", além de uma indiferença pelo conforto oferecido pelas estalagens.
No início, havia estatutos que regulamentavam a subordinação aos líderes. Hoffmann se autodenominava "Oberhäuptling" (Líder Chefe) e, em viagens mais longas, tinha dois "Häuptlinge" (Chefes) sob seu comando para apoiá-lo. Na viagem à Floresta Boêmia, esses eram seu irmão Ernst e Karl Fischer. Em 1899, Hofmann aceitou um cargo em Constantinopla, iniciando sua carreira diplomática. Antes de partir, no chamado 'Acordo de Fichteberg', ele nomeou Karl Fischer seu sucessor e sugeriu que Fischer difundisse o Wandervogel para além de Steglitz.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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