Histórias em quadrinhos no Brasil - Do início até a Tico Tico
Os quadrinhos brasileiros surgiram no século XIX com o aparecimento de tirinhas satíricas em jornais. Em 1837, circulou o primeiro desenho em formato de charge, de autoria de Manuel de Araújo Porto-Alegre, que foi produzido em litografia e vendido em papel avulso. Mais tarde, em 1844, o autor criaria a revista de humor político Lanterna Mágica. Manuel José de Araújo Porto-Alegre (Rio Pardo, 29 de novembro de 1806 – Lisboa, 30 de dezembro de 1879), foi um escritor, político, jornalista, pintor, caricaturista, arquiteto, crítico e historiador de arte, professor e diplomata brasileiro.
Em 1855, o francês Sébastien Auguste Sisson publica "O Namoro, quadros ao vivo, por S… o Cio", considerada a primeira história em quadrinhos publicada no Brasil.
Aqui estão os detalhes principais dessa obra histórica:
Autor: Criada pelo artista francês radicado no Brasil Sébastien Auguste Sisson (que assinava com o pseudônimo "S.....o Cio").
Publicação: Foi veiculada no jornal Brasil Illustrado em 15 de outubro de 1855.
Conteúdo: A obra satirizava os costumes da sociedade fluminense do século XIX, apresentando em cenas sequenciais ("quadros ao vivo") as diversas fases e percalços de um namoro na época.
Relevância: Embora as "Aventuras de Nhô Quim" (1869), de Angelo Agostini, sejam mais famosas, a obra de Sisson as precede em 14 anos, consolidando-o como o pioneiro da nona arte em território nacional.
No final da década de 1860, Angelo Agostini continuou a tradição de introduzir desenhos com temas de sátira política e social nas publicações jornalísticas e populares brasileiras. Entre seus personagens populares, desenhadas como protagonistas de histórias em quadrinhos propriamente ditas estavam Nhô Quim (1869), a primeira HQ do Brasil,[5] que também seria ilustrado por Cândido Aragonez de Faria,[6] e o Zé Caipora (1883).[7] Agostini publicou nas revistas Vida Fluminense,[8] O Malho e Don Quixote.
Em 1898, é lançado o Jornal da Infância, dirigido por José Lins de Almeida, que embora não publicasse quadrinhos, teve colaboração de Calixto Cordeiro e Artur Lucas.[9]
Século XX
O Tico-Tico (1905 - 1957)
Prancha de Buster Brown
Chiquinho na capa da revista O Tico-Tico.
Lançada em 11 de outubro de 1905, a revista O Tico-Tico é considerada a primeira revista em quadrinhos do país, concebida pelo desenhista Renato de Castro, tendo o projeto sido apresentado a Luís Bartolomeu de Souza e Silva, proprietário da revista O Malho (onde Angelo Agostini trabalhou, após o encerramento de Don Quixote).[10] Aprovada, a revista teve a participação de Angelo Agostini, que criou o logotipo e ilustrou algumas histórias da revista.[11] O formato de O Tico Tico foi inspirado em revistas infantis francesas como Le Petit Journal Illustre de la jeunesse[12] Le Jeudi de La jeunesse[12] e La Semaine de Suzette, essa última publicava personagem Suzette foi publicada na revista brasileira com o nome de Felismina.[13] Bécassine, outra personagem da revista,[14] foi chamada de Narcisa.[15] O Tico-Tico é considerada a primeira revista em quadrinhos no Brasil e teve a colaboração de artistas de renome como J. Carlos (responsável pelas mudanças gráficas da revista em 1922), Max Yantok e Alfredo Storni.[8][16]
O personagem de maior sucesso da revista era Chiquinho (publicado entre 1905 e 1958),[11] considerado por muitos anos como uma criação brasileira até que, na década de 1950,[16] um grupo de cartunistas alegou que este era, na verdade, uma cópia do americano Buster Brown de Richard Felton Outcault.[17] Durante a época da Primeira Guerra Mundial , o Chiquinho também teve inspiração nas histórias de Little Nemo in Slumberland.[10] Também figuraram na revista Reco-Reco, Bolão e Azeitona de Luiz Sá, Lamparina de J. Carlos, Kaximbown de Max Yantok, Max Muller de A. Rocha entre outros.[11]
Em 1917, foi lançado o curta-metragem de animação Traquinices de Chiquinho e seu inseparável amigo Jagunço (1917), sem crédito de animadores, apenas da produtora-Kirs Filme.[18]
Em 1930, alguns personagens das tiras americanas foram publicados na revista como Mickey Mouse (chamado de Ratinho Curioso), Krazy Kat, (chamado de Gato Maluco) e Gato Félix. J.Carlos foi o primeiro desenhista brasileiro a desenhar personagens da Walt Disney Company nas páginas de O Tico-Tico.[19]
E 1938, Luiz Sá decidiu produzir uma série de curtas de animação chamada As Aventuras de Virgulino. Na época ele tinha planos de apresentar o projeto ao Walt Disney nos Estados Unidos, porém foi impedido devido a uma lei de Getúlio Vargas na época e os projetos foram esquecidos. Sá vendeu os filmes para uma loja de projetores, nos anos 70, foi encontrado um curta da série Virgulino Apanha.[20][21]
Oswaldo Storni (filho de Alfredo Storni) e Carlos Arthur Thiré (filho do professor de matemática Cecil Thiré) foram responsáveis pela introdução de quadrinhos de aventura na revista, inspirados nos modelos americanos.[22] Storni em séries como Terras Estranhas (14 de outubro de 1936 – 7 de dezembro de 1938), A Quadrilha Negra de Max Fleters (28 de abril – 1 de setembro de 1937), O Homem Infernal de Frank Marley (15 de setembro – 3 de novembro de 1937), O Outro Mundo (8 de setembro de 1937 – 22 de março de 1939), Pernambuco, o Marujo (24 de novembro de 1937 – 27 de março de 1940) e Aventuras de um Jovem Brasileiro (agosto de 1941 – maio de 1942).[22] Já Thiré iniciou na revista com a série Três Legionários de Sorte (sobre a Legião Estrangeira Francesa),[23] continuada na Vâmos Ler do jornal A Noite,[24] onde também publicou a tira Aí, Mocinho,[25] mais tarde deixou os quadrinhos para se dedicar ao teatro e ao cinema, tornando-se ator, posteriormente, casou-se com a atriz Tônia Carrero e tendo com ela um filho, o também ator Cecil Thiré.[26][27]
A revista foi perdendo popularidade na década de 1930, na medida em que surgiram os suplementos de quadrinhos publicados em jornais e diversas revistas em quadrinhos surgidas nessa época; na década de 1950 investiu no humor gráfico, publicando cartuns de artistas como Bosc e Sempé. A revista foi publicada até 1957 (após isso O Malho publicou edições especiais com o título "O Tico-Tico Apresenta" até 1977),[28] e nos últimos quadrinhos de sua existência voltou a ter o foco educativo de outrora.[11]
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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