Ascensão política de Hugo Chávez Hugo Rafael Chávez Frias (Sabaneta, 28 de julho de 1954 — Caracas, 5 de março de 2013) foi um político, militar e o 56º Presidente da Venezuela, governando por 14 anos, de 1999 até sua morte em 2013. Chávez foi libertado da prisão em 26 de março de 1994. Poucos meses depois, em 14 de dezembro, visitou Cuba, onde foi recebido por Fidel Castro com honras de chefe de Estado. Apesar de Castro ter denunciado a tentativa de golpe liderada por Chávez em 1992, o líder cubano convidou-o a Havana logo após a sua absolvição. Naquela altura, Cuba procurava assistência internacional para mitigar o Período Especial em Tempo de Paz — uma severa crise económica iniciada em 1991 após o colapso do bloco soviético. O impacto deste período em Cuba foi brutal: Economia: Contração de 34% a 35% entre 1989 e 1993. Comércio: Queda de 72% nas importações e 61% nas exportações. Cotidiano: Escassez de combustível e alimentos, levando a apagões constantes e a uma redução drástica no consumo calórico da população, mas levou Cuba a se tornar pioneira na agricultura organica. Neste cenário, durante o seu discurso na Aula Magna da Universidade de Havana, Chávez antecipou a futura aliança: “Temos um projeto estratégico de longo prazo... um modelo económico soberano com um horizonte de vinte a quarenta anos”. Em 1997, perante o colapso dos partidos tradicionais e a crescente rejeição popular às medidas neoliberais, Chávez fundou o Movimento Quinta República (MVR). O apoio de figuras como Luis Miquilena, o arquiteto da estratégia eleitoral, e José Vicente Rangel, que conferiu legitimidade civil ao projeto, foi fundamental para transformar o antigo militar num candidato viável. O nome do movimento não foi aleatório. Chávez utilizou uma simbologia histórica poderosa: as quatro repúblicas anteriores representavam fases da história venezuelana desde Simón Bolívar. Ao propor a Quinta República, ele prometia uma nova Constituição (que viria em 1999) e o fim da "corrupção da Quarta República". Chávez percorreu a Venezuela explicando seu projeto, que se baseava principalmente na necessidade de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte para "refundar a república", em suas palavras. Durante sua campanha política, ele chegou a afirmar que não era socialista, que não haveria expropriações, que considerava Cuba uma ditadura e que manteria excelentes relações com a mídia. Viajando pela América Latina em busca de apoio estrangeiro para seu movimento bolivariano, ele visitou Argentina, Uruguai, Chile, Colômbia e a já citada Cuba, tornando-se "amigo" de Castro. Amigo entre aspas porque, confome a máxima da diplomacia, dita por Lord Palmerston "nações não têm amigos permanentes, apenas interesses permanentes." No início da corrida eleitoral, a favorita Irene Sáez (3 de dezembro de 1961) uma ex- política e cientista política. Ela foi a vencedora do concurso Miss Venezuela 1981 e, posteriormente, dos concursos Miss Fraternidade Sul-Americana e Miss Universo 1981. Irene Sáez estudou Ciências Políticas e Administrativas na Universidade Central da Venezuela, graduando-se com honras. Posteriormente, candidatou-se e venceu a eleição para a prefeitura do município de Chacao, cargo para o qual foi reeleita. Seu trabalho foi notável e amplamente divulgado. Em 1998, Irene criou o seu próprio partido, IRENE (Integração e Renovação Nova Esperança). Como já foi dito ela liderava a corrida eleitoral até receber o apoio do partido social-cristão Copei, o que teve um efeito negativo sobre os eleitores. O apoio do COPEI, permitiu a Chávez rotulá-la como parte da "velha política". Chávez, foi apoiado pelo chamado Polo Patriótico, composto pelo Movimento Quinta República (MVR), o Movimento ao Socialismo (MAS), o Partido Comunista da Venezuela (PCV), Pátria para Todos (PPT) e outras quatro organizações menores. A retórica revolucionária de Chávez lhe garantiu o apoio de diferentes setores: a classe baixa sentia que Chávez se importava com suas necessidades e ofereceria uma solução para seus problemas; membros da classe média, frustrados com a corrupção e desejando um governo autoritário, também o apoiaram; Chávez também recebeu apoio de membros da velha esquerda, bem como de membros da direita militarista, alguns deles nostálgicos da ditadura de Marcos Pérez Jiménez. Em maio de 1998, o apoio a Chávez havia subido para 30% nas pesquisas, e em agosto ele registrava 39%. As eleições parlamentares foram realizadas em 8 de novembro, nas quais o MVR conquistou 49 das 189 cadeiras na Câmara dos Deputados e 21,3% dos votos, percentual semelhante ao obtido pela Ação Democrática. Após esses resultados, o COPEI e a Ação Democrática retiraram o apoio a seus candidatos e endossaram Henrique Salas Römer. Em 6 de dezembro, Hugo Chávez foi eleito presidente da Venezuela com 56,5% dos votos, a participação eleitoral foi de 63%, e Chávez venceu a eleição prometendo mudar a constituição de 1961 via um processo de assembleia constituinte.

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