Charles Schulz e o anticomunisno Charles Monroe "Sparky" Schulz (26 de novembro de 1922–12 de fevereiro de 2000) foi um cartunista estadunidense, criador da história em quadrinhos Peanuts, que apresenta seus dois personagens mais conhecidos, Charlie Brown e Snoopy. Ele é amplamente considerado um dos cartunistas mais influentes da história e citado por muitos cartunistas como uma grande influência, incluindo Jim Davis (Garfield), Bill Watterson (Calvin & Hobbes) e Matt Groening (Simpsons). A revista em quadrinhos de propaganda anticomunista Is This Tomorrow: America Under Communism, publicada em 1947, apresentou alguns dos primeiros trabalhos de Schulz. Embora não tenha recebido créditos oficiais, Schulz confirmou anos mais tarde ter trabalhado nesta obra para a editora Catechetical Guild de St. Paul, Minnesota, antes de criar o Snoopy. O seu trabalho consistiu em: Ilustrações de painéis: desenhos que retratam o cenário hipotético de uma invasão comunista nos EUA. Lettering: Grande parte da caligrafia vista nos balões de fala e legendas da revista é atribuída a ele. Colaboração Geral: Ele foi um dos vários artistas que ajudaram a compor as 48 páginas da revista, distribuída na época em igrejas e escolas católicas. Este foi um dos seus primeiros trabalhos profissionais remunerados, realizado enquanto ainda vivia em St. Paul e trabalhava como instrutor na Art Instruction Inc.. O objetivo declarado da publicação era "fazer você pensar!" sobre os supostos 85.000 membros do Partido Comunista dos EUA, além de outros que servem "como quintas-colunas disciplinadas do Kremlin ", trabalhando "dia e noite, preparando o terreno para derrubar SEU GOVERNO !" e reduzir os americanos à "escravidão comunista". Suas 50 páginas descrevem um golpe de estado nos Estados Unidos, liderado por um político americano ingênuo (que queima a Bíblia e falece justamente quando os comunistas chegam ao poder), auxiliado por comunistas infiltrados nos altos escalões do governo americano e combatido por católicos americanos armados (que não conseguem impedi-los). A última página exorta os leitores a "Combater o Comunismo com os Dez Mandamentos da Cidadania". Acreditar em Deus (pois o comunismo é ateu). Amar a pátria. Seguir as leis do país. Ser tolerante com outras raças, religiões e nacionalidades (para evitar divisões sociais que o comunismo pudesse explorar). Praticar o direito ao voto de forma inteligente e informada. Pagar os impostos honestamente. Participar em atividades cívicas e comunitárias. Respeitar os direitos dos outros. Proteger a propriedade privada. Trabalhar pela paz, mas estar pronto para defender a liberdade se necessário. A publicação foi controversa, os censores em Detroit proibiram-na devido ao conteúdo violento, mas recuaram quando um grupo de padres católicos planejou distribuí-la. A relação de Schulz com o anticomunismo é frequentemente debatida devido à sua participação em Is This Tomorrow. No entanto, a visão dos historiadores e biógrafos é mais matizada. Ele tinha 24 anos. Na época, era um jovem veterano da Segunda Guerra Mundial que iniciava a sua carreira profissional como instrutor de arte e ilustrador e trabalhava por encomenda. Ele atuava como ilustrador e responsável pelo lettering por necessidade profissional, e não necessariamente como um ativista político, apesar de seu perfil conservador e religioso (era um republicano registrado), o que, no contexto da Guerra Fria nos EUA, estava alinhado com uma postura anticomunista. Contudo, ao contrário de outros cartoonistas da época, Schulz evitava usar as suas tiras para propaganda política direta. Ele preferia abordar temas existenciais, filosóficos e psicológicos. Ele mantinha certo ceticismo face a ideologias extremas. Embora fosse patriota, a sua obra Peanuts satirizava frequentemente a burocracia e a cegueira ideológica, focando-se mais na dignidade individual do que em sistemas políticos. Em 1970, quando um fã de 10 anos chamado Joel Lipton lhe escreveu para perguntar o que fazia de alguém um "bom cidadão". Schulz respondeu com uma carta datilografada, destacando três princípios que ele considerava fundamentais, muito mais focados na empatia do que na propaganda política: Seguir a consciência: "Um bom cidadão é aquele que segue a sua própria consciência e faz o que acredita ser correto." Fé na Democracia: "Devemos ter fé no nosso processo democrático." Proteção das Minorias: Schulz escreveu a frase que se tornou icônica: "A nossa maior força reside sempre na protecção das nossas mais pequenas minorias". Outro caso curioso de interação com fãs foi quando uma professora chamada Harriet Glickman, escreveu para sugerir que ele incluísse uma criança negra na turma. Schulz, após alguma hesitação sobre como fazê-lo sem parecer paternalista, criou o Franklin em 1968. A hesitação de Schulz não era por falta de vontade, mas porque ele tinha medo de que, como autor branco, não soubesse representar um personagem negro de forma autêntica e sem cair em estereótipos da época. Alex

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