Gato no Antigo Egito
O gato é um pequeno mamífero carnívoro domesticado. É a única espécie domesticada da família Felidae. Estudos arqueológicos e genéticos mostraram que a domesticação do gato ocorreu no Oriente Próximo por volta de 7500 a.C. É comumente mantido como um animal de estimação, mas também vagueia livremente como um animal selvagem, evitando o contato humano. É valorizado pelos humanos por sua companhia e sua capacidade de matar pragas. Ocupando o topo da cadeia alimentar, é predador natural de diversos animais, como roedores, pássaros, lagartixas e alguns insetos.
No antigo Egito, os gatos eram reverenciados. O historiador grego Heródoto* relatou que matar um gato era proibido e, quando um gato doméstico morria, toda a família lamentava e raspava as sobrancelhas. As famílias levavam seus gatos mortos para a cidade sagrada de Bubastis, onde eram embalsamados e enterrados em locais sagrados.
Gatos eram representados em cenas sociais e religiosas que datam de 1980 a.C. Várias divindades do período foram representadas e esculpidas com cabeças felinas, como Mafdet, Bastet e Sekhmet, representando justiça, fertilidade e poder, respectivamente.
Os gatos eram elogiados por matar cobras venenosas, roedores e pássaros que danificavam as plantações, e por proteger o faraó desde pelo menos a Primeira Dinastia do Egito — iniciada por volta de 3100 a.C. com a unificação do Alto e Baixo Egito por Narmer. Marcou o início do Período Dinástico Inicial com sede em Tinis.
Restos esqueléticos de gatos foram encontrados entre bens funerários datados da III Dinastia (c. 2686–2613 a.C.), que inaugura o chamado Antigo Império. O faraó mais famoso deste período foi Djoser.
A função protetora dos gatos é indicada no Livro dos Mortos, onde um gato representa Rá e os benefícios do sol para a vida na Terra. Decorações em forma de gato usadas durante o Novo Reino do Egito indicam que o gato doméstico se tornou mais popular na vida cotidiana. Os gatos eram representados em associação com o nome de Bastet.
Cemitérios de gatos nos sítios arqueológicos de Speos Artemidos, Bubastis e Saqqara foram utilizados durante vários séculos. Tendo em conta o enorme número de múmias de gatos encontradas no Egito, o gato era certamente importante para a economia do país; especula-se que os gatos eram criados para fins de sacrifício e mumificação, exigindo uma rede comercial para o fornecimento de alimentos, óleos e resinas para o seu embalsamento.
Mafdet foi a primeira divindade com cabeça de gato conhecida no antigo Egito. Durante a Primeira Dinastia, ela era considerada protetora dos aposentos do faraó contra cobras, escorpiões e o mal. Ela também era frequentemente representada com cabeça de leopardo ou de guepardo. Ela foi particularmente proeminente durante o reinado de Den.
O faraó Den foi o quinto governante da 1ª Dinastia do Egito Antigo, reinando por aproximadamente 42 anos no século XXIX a.C. Ele é amplamente considerado o soberano mais próspero e inovador desse período inicial.
A deusa Bastet é conhecida pelo menos desde a Segunda Dinastia. Na época, ela era representada com uma cabeça de leão.
Amuletos com cabeças de gato tornaram-se moda no século XXI a.C. durante a XI Dinastia.
A XI Dinastia do Egito Antigo (c. 2160–2130 a.C.) faz parte do Primeiro Período Intermediário, uma era de descentralização e caos político após o colapso do Império Antigo. Diferente das dinastias anteriores, que governavam o Egito unificado, os faraós deste período reinavam de Heracleópolis Magna e controlavam apenas parte do território.
Uma tumba na necrópole de Umm El Qa'ab continha 17 esqueletos de gatos datados do início do século XX a.C. Ao lado dos esqueletos, havia pequenos potes que se acredita terem contido leite para os gatos. Vários murais de tumbas na Necrópole Tebana mostram gatos em cenas domésticas. Essas tumbas pertenciam a nobres e funcionários de alto escalão da 18ª Dinastia e foram construídas nos séculos XV e XIV a.C. Os murais mostram um gato sentado sob uma cadeira durante um banquete, comendo carne ou peixe; alguns o mostram na companhia de um ganso ou um macaco. Um gato em cenas de caça é outro motivo recorrente nos murais das tumbas tebanas.
A primeira indicação conhecida de mumificação de um gato foi encontrada em um sarcófago de calcário elaboradamente esculpido, datado de cerca de 1350 a.C. Presume-se que este gato tenha sido o amado animal de estimação do Príncipe Tutmés.
A partir da 22ª Dinastia, por volta de meados da década de 950 a.C., a deusa Bastet e seu templo na cidade de Bubastis ganharam popularidade. Mais tarde, ela passou a ser representada apenas com uma pequena cabeça de gato. Os gatos domésticos eram cada vez mais venerados e considerados a encarnação viva de Bastet, que protegia a casa contra granívoros (animais que se alimentam predominantemente de grãos e sementes), enquanto a deusa Sekhmet, com cabeça de leão, era venerada como protetora dos faraós. Durante o reinado do faraó Osorkon II, no século IX a.C., o templo de Bastet foi ampliado com a construção de um salão de festas. Estátuas e estatuetas de gatos desse período existem em diversos tamanhos e materiais, incluindo bronze fundido maciço e oco, alabastro e faiança.
A mumificação de animais tornou-se popular durante o Período Tardio do antigo Egito, a partir de 664 a.C. As múmias eram usadas para oferendas votivas à divindade associada, principalmente durante festivais ou por peregrinos. Catacumbas do período do Novo Reino nas necrópoles de Bubastis, Saqqara e Beni Hasan foram reutilizadas como cemitérios para múmias oferecidas a Bastet.
Em meados do século V a.C., Heródoto descreveu o festival anual no templo de Bubastis como o maior do país, frequentado por várias centenas de milhares de peregrinos.
Durante o período helenístico, entre 323 e 30 a.C., a deusa Ísis passou a ser associada a Bastet e aos gatos, como indica uma inscrição no Templo de Edfu: "Ísis é a alma de Bastet."
Nesse período, especula-se que os gatos eram sistematicamente criados para serem mortos e mumificados como sacrifícios aos deuses.
Conforme descrito por Diodoro Sículo*, matar um gato era considerado um crime tão grave que pessoas indignadas lincharam um romano por matar um gato, embora o faraó Ptolomeu XII Auletes tenha tentado intervir.
Gatos e religião começaram a ser dissociados depois que o Egito se tornou uma província romana em 30 a.C. Uma série de decretos e éditos emitidos por imperadores romanos nos séculos IV e V d.C. restringiu gradualmente a prática do paganismo e dos rituais pagãos no Egito. Templos foram confiscados e sacrifícios proibidos por volta de 380 d.C. Três éditos emitidos entre 391 e 392 proibiram rituais pagãos e cerimônias funerárias em todos os locais de culto. A pena de morte para os infratores foi introduzida em 395, e a destruição de templos foi decretada em 399. Em 415, a igreja cristã recebeu todas as propriedades que antes eram dedicadas ao paganismo. Os pagãos foram exilados em 423, e cruzes substituíram os símbolos pagãos após um decreto de 435.
O Egito, desde então, vivenciou um declínio na veneração que antes se tinha pelos gatos. Eles ainda eram respeitados no século XV, quando Arnold von Harff viajou para o Egito e observou guerreiros mamelucos tratando gatos com honra e empatia. O tratamento gentil dos gatos faz parte da tradição islâmica.
Expedições e escavações
Em 1799, membros da Comissão Francesa de Ciências e Artes examinaram pela primeira vez a antiga cidade de Licópolis, perto de Assiute, e encontraram gatos mumificados e restos de outros animais. Eles também encontraram gatos mumificados e esqueletos de gatos na Necrópole Tebana. Na década de 1820, o Museu do Louvre exibiu estátuas de gatos feitas de madeira, bronze e cerâmica esmaltada, originárias principalmente de Bubastis.
Em 1830, Christian Gottfried Ehrenberg relatou ter observado três formas diferentes de gatos pequenos no Egito: o gato da selva, o gato selvagem africano e um gato sagrado que era de tamanho intermediário entre o gato da selva e o gato doméstico. Ele chamou este gato de Felis bubastis.
A Egypt Exploration Society financiou escavações em Bubastis no final da década de 1880. Édouard Naville relatou a existência de inúmeras estátuas de gatos disponíveis nas lojas do Cairo na época. No cemitério de gatos da cidade, ele e seus colegas esvaziaram várias grandes valas, com um volume de até 20 m³, cheias de ossos de gatos e mangustos egípcios. Entre os ossos, também foram encontrados alguns materiais de embalsamento, objetos de porcelana e bronze, alem de ornamentos, e estátuas de Bastet. Em 1889, o cemitério foi considerado esgotado.
Bastet: A mais famosa, associada ao gato doméstico. Representa a fertilidade, o lar e a proteção feminina. Originalmente era uma leoa, mas sua imagem tornou-se mais dócil com o tempo.
* Heródoto de Halicarnasso (c. 484 a.C. — 425 a.C.) foi um historiador e geógrafo grego, amplamente reconhecido como o "Pai da História". Esse título foi cunhado pelo orador romano Cícero, devido ao pioneirismo de Heródoto em transformar o relato do passado em uma investigação sistemática.
*Diodoro Sículo (c. 90 a.C. — 30 a.C.) foi um importante historiador grego conhecido por escrever a monumental Bibliotheca historica, em quarenta livros, quinze dos quais sobreviveram intactos, entre 60 e 30 a.C. A história está organizada em três partes. A primeira abrange a história mítica até a destruição de Troia, organizada geograficamente, descrevendo regiões ao redor do mundo, do Egito, Índia, Arábia à Europa. A segunda abrange o período da Guerra de Troia até a morte de Alexandre, o Grande. A terceira abrange o período até cerca de 60 a.C. Siculo reconhece que ele se baseou no trabalho de muitos outros autores.
Sekhmet: A deusa com cabeça de leoa, símbolo do poder destrutivo do sol, da guerra e da vingança. Era considerada o lado feroz de Bastet.
Mafdet: Muitas vezes representada como um guepardo ou lince, foi a primeira divindade felina do Egito. Era a protetora contra picadas de cobras e escorpiões, simbolizando a justiça rápida.
Christiane F. Vera Christiane Felscherinow, mais conhecida como Christiane F. (Hamburgo, 20 de maio de 1962), é uma escritora e blogueira alemã, que se tornou célebre por contribuir para o livro autobiográfico Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, publicado e editado pela revista alemã Stern em 1978, que descreve sua luta contra o vício durante a adolescência. A Stern (em português: Estrela) é uma revista semanal de tendência liberal de esquerda, fundada em 1 de agosto de 1948, publicada em Hamburgo pela editora Gruner + Jahr, que pertence ao grupo de mídia Bertelsmann. A Stern trata de questões políticas e sociais, fornece jornalismo utilitário e histórias clássicas, galerias de fotos e mostra retratos de celebridades. Tradicionalmente, a revista dá mais ênfase à fotografia do que outras revistas de notícias em geral. Excepcionalmente para uma revista popular na Alemanha Ocidental do pós-guerra, a Stern investigou a origem e a natureza das tragédias precedentes da história alemã. Em 1983...
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