Malcolm X — Infância e carreira criminosa
Malcolm X (nascido Malcolm Little, posteriormente el-Hajj Malik el-Shabazz; 19 de maio de 1925 – 21 de fevereiro de 1965) foi um revolucionário afro-americano e líder nacionalista negro que ascendeu de uma origem humilde, marcada pela pobreza, desestruturação familiar e envolvimento com atividades criminosas, tornou-se uma figura proeminente no movimento pelos direitos civis, até seu assassinato em 1965. Ele descobriu a organização religiosa Nação do Islã enquanto estava na prisão e atuou como seu porta-voz de 1952 a 1964.
Malcolm Little nasceu em 19 de maio de 1925, em Omaha, Nebraska. Ele era o quarto de sete filhos de Earl Little — um eloquente orador leigo batista, natural da Geórgia, e Louise Little (nascida Langdon). Sua mãe era natural de Granada, um país insular no Caribe conhecido como a "Ilha das Especiarias" por ser um dos maiores produtores mundiais de noz-moscada.
Seus pais eram admiradores do ativista Marcus Mosiah Garvey Jr. (17 de agosto de 1887 – 10 de junho de 1940) foi um ativista político jamaicano. Ele foi o fundador e primeiro Presidente-Geral da Associação Universal para o Progresso Negro (UNIA), onde Earl era um líder local e Louise atuava como secretária e "repórter da filial", enviando notícias das atividades locais da UNIA para o Negro World; eles incutiram autossuficiência e orgulho negro em seus filhos.
Devido às ameaças da Ku Klux Klan, a família mudou-se em 1926 para Milwaukee e, pouco depois, para Lansing, Michigan. Lá, a família foi frequentemente assediada pela Legião Negra, um grupo racista branco que Earl acusou de incendiar a casa da família em 1929.
A Legião Negra foi uma organização terrorista supremacista branca que surgiu no Centro-Oeste dos Estados Unidos em 1925, sendo extinta em 1937.
Quando Malcolm tinha seis anos, seu pai faleceu no que foi oficialmente considerado um acidente de bonde, embora sua mãe, Louise, acreditasse que Earl havia sido assassinado pela Legião Negra. Rumores de que racistas brancos eram responsáveis pela morte de seu pai circularam amplamente e perturbaram muito Malcolm X quando criança.
Louise se batizou na Igreja Adventista do Sétimo Dia. Malcolm disse que os adventistas eram "as pessoas brancas mais amigáveis que eu já tinha visto".
Em sua autobiografia, Malcolm recorda que os adventistas não demonstravam a hostilidade racial comum a outras denominações da época. O estilo de vida deles, focado em saúde e abstinência também ressoava com a disciplina que Louise buscava manter. Porém, Malcolm notou que, embora fossem gentis, a abordagem deles era passiva diante das injustiças sociais que sua família sofria.
As restrições alimentares aprendidas com os adventistas que não consomem "carnes imundas" facilitaram, anos depois, sua transição para as práticas da Nação do Islã, que também proíbe o consumo de carne de porco.
Seguindo o Levítico 11, os adventistas proíbem estritamente o consumo de carne de porco, coelho e frutos do mar sem escamas ou barbatanas (como camarão e lagosta).
Em 1937, um homem com quem Louise estava namorando — o casamento parecia uma possibilidade — desapareceu de sua vida quando ela engravidou dele. O abandono sofrido por Louise em 1937 foi o estopim para a tragédia final da estrutura familiar dos Little. Grávida e viúva, ela enfrentava o auge da Grande Depressão e o assédio constante das autoridades do bem-estar social, que já questionavam sua capacidade de criar os filhos sem uma figura masculina. Isso tudo contribuiu para que Louise Little sofresse um colapso nervoso.
O diagnóstico de "colapso nervoso" na época era frequentemente usado para internar mulheres negras que demonstravam resistência ou instabilidade emocional sob pressão extrema. Louise foi enviada ao Hospital Estadual de Kalamazoo. Malcolm e seus irmãos conseguiram sua libertação 24 anos depois, em 1963.
Os irmãos foram separados pelo sistema estadual. Esse período de separação é o que Malcolm X chamava de "a morte da nossa família", sendo um motor direto de sua revolta contra as instituições estatais estadunidenses.
Malcolm foi enviado para a casa da família Swerlin, em Lansing. Embora fosse bem tratado fisicamente, ele sentia que era visto como um "mascote" ou um "objeto estranho".
Malcolm frequentou a West Junior High School em Lansing e depois a Mason High School em Mason, Michigan, mas abandonou o ensino médio em 1941, antes de se formar. Ele se destacou no ensino fundamental, mas abandonou o ensino médio após um professor branco lhe dizer que exercer a advocacia, sua aspiração na época, "não era um objetivo realista para um negro". Mais tarde, Malcolm X lembrou-se de sentir que o mundo branco não oferecia lugar para um homem negro orientado para a carreira, independentemente do talento.
Carreira criminosa
Dos 14 aos 21 anos, Malcolm teve vários empregos enquanto morava com sua meia-irmã Ella Little-Collins (4 de dezembro de 1912 - 3 de agosto de 1996) em Roxbury, um bairro predominantemente afro-americano de Boston. Ella viajou de Boston a Michigan para obter a guarda legal de Malcolm, levando-o para viver em sua casa no bairro de Roxbury.
Essa mudança o tirou de Michigan, onde era o "bom aluno negro" que vivia sob a tutela de brancos e ouvia de professores que não poderia ser advogado. Em Roxbury, ele descobriu um novo mundo. Ella morava na parte alta de Roxbury, onde residia a burguesia negra. Malcolm viu, pela primeira vez, negros que eram donos de negócios, advogados e médicos, o que desafiou a ideia de inferioridade incutida nele.
Paradoxalmente, embora Ella tentasse introduzi-lo à elite, Malcolm sentiu-se mais atraído pela classe trabalhadora e pelos "malandros" da cidade baixa. Ele preferia a autenticidade das ruas ao que considerava a "pretensão" da classe média negra que imitava os brancos.
Durante esse período (1941–1946), Malcolm viveu uma fase de profunda transformação, mergulhando no que ele chamava de "vida mundana". Ele deixou de ser o jovem promissor de Michigan para se tornar "Detroit Red", uma figura conhecida no submundo urbano. O apelido derivava da tonalidade avermelhada natural de seu cabelo, (embora fosse de Lansing, "Lansing Red" não soava tão bem para as ruas). Nesta fase, Malcolm adotou a cultura da época: ele usava o icônico Zoot Suit (ternos largos e extravagantes) e fazia o "conk" (alisamento químico do cabelo). Mais tarde em seus discursos ele citaria o conk como um exemplo de "auto-ódio" e submissão aos padrões de beleza brancos.
Ele se mudou para o bairro do Harlem, na cidade de Nova York, em 1943, onde se envolveu com tráfico de drogas, jogos de azar, extorsão, roubo e cafetinagem. De acordo com o biógrafo Bruce Perry, Malcolm também ocasionalmente fazia sexo com outros homens, geralmente por dinheiro, embora essa conjectura tenha sido contestada por aqueles que o conheciam.
No final de 1945, Malcolm retornou a Boston, onde ele e quatro cúmplices cometeram uma série de roubos visando famílias brancas ricas. Em 1946, ele foi preso enquanto buscava um relógio roubado que havia deixado em uma loja para conserto, e em fevereiro começou a cumprir uma pena de 8 a 10 anos na Prisão Estadual de Charlestown por furto e arrombamento. Em 1947, ele foi transferido para o Reformatório de Concord, onde cumpriu 15 meses antes de ser transferido novamente para a Colônia Penal de Norfolk.
Dessa sentença, ele cumpriu aproximadamente 6 anos e meio, sendo libertado em liberdade condicional em 7 de agosto de 1952. Vale notar que a severidade da pena para um réu primário na época foi frequentemente atribuída ao fato de ele estar envolvido com mulheres brancas durante os crimes, o que agravou a percepção social e judicial sobre seu caso.
Uma foto policial de Malcolm tirada pela polícia de Boston em 1944, após uma prisão por furto.
Christiane F. Vera Christiane Felscherinow, mais conhecida como Christiane F. (Hamburgo, 20 de maio de 1962), é uma escritora e blogueira alemã, que se tornou célebre por contribuir para o livro autobiográfico Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, publicado e editado pela revista alemã Stern em 1978, que descreve sua luta contra o vício durante a adolescência. A Stern (em português: Estrela) é uma revista semanal de tendência liberal de esquerda, fundada em 1 de agosto de 1948, publicada em Hamburgo pela editora Gruner + Jahr, que pertence ao grupo de mídia Bertelsmann. A Stern trata de questões políticas e sociais, fornece jornalismo utilitário e histórias clássicas, galerias de fotos e mostra retratos de celebridades. Tradicionalmente, a revista dá mais ênfase à fotografia do que outras revistas de notícias em geral. Excepcionalmente para uma revista popular na Alemanha Ocidental do pós-guerra, a Stern investigou a origem e a natureza das tragédias precedentes da história alemã. Em 1983...
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