Revolução Constitucional Persa — Contexto Irã, oficialmente República Islâmica do Irã, anteriormente conhecido como Pérsia, é um país localizado na Ásia Ocidental. Tem fronteiras ao norte com Armênia, Azerbaijão e Turcomenistão, com o Cazaquistão e a Rússia através do Mar Cáspio; a leste com Afeganistão e Paquistão; ao sul com o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã; a oeste com o Iraque; e a noroeste com a Turquia. Composto por uma área de 1 648 195 km², é a segunda maior nação do Oriente Médio e a 18.ª maior do mundo. Com mais de 77 milhões de habitantes, o Irã é o 17.º país mais populoso do mundo. A Revolução Constitucional Persa ocorreu entre 1905 e 1911 durante a era Qajar, que durou de 1789 a 1925. A revolução levou ao estabelecimento de um parlamento no Irã (Pérsia), sendo chamada de "episódio marcante na história moderna da Pérsia". Sendo a primeira do seu gênero no mundo islâmico, abriu caminho para a era moderna no Irã. No final do século XIX, assim como a maior parte do mundo muçulmano, o Irã sofreu com a intrusão e exploração estrangeiras, fraqueza militar, falta de coesão e corrupção. O primeiro confronto militar entre persas e russos ocorreu entre 1651 e 1553. No século XIX, esses conflitos terminaram em novos confrontos que foram decisivos para a definição das fronteiras atuais no Cáucaso: Guerra Russo-Persa de 1804–1813: Iniciada por disputas territoriais, especialmente pelo controle da Geórgia. Terminou com a vitória russa e a assinatura do Tratado de Gulistão, assinado em 12 de outubro de 1813 no vilarejo de Gulistão (atual Azerbaijão). O tratado confirmou a superioridade militar do Império Russo sobre a dinastia Qajar da Pérsia. A Pérsia perdeu vastos territórios no Cáucaso, incluindo o que hoje é o Daguestão, a Geórgia e a maior parte do Azerbaijão (canatos de Baku, Karabakh, Ganja, entre outros). O tratado também garantiu à Rússia o direito exclusivo de manter navios de guerra no Mar Cáspio. A Guerra Russo-Persa de 1826–1828: Após 13 anos de paz, a Pérsia tentou reconquistar os territórios perdidos, mas foi novamente derrotada. Este conflito encerrou-se com o Tratado de Turkmenchay em 21 de fevereiro de 1828, que representou a rendição final da Pérsia (dinastia Qajar) ao Império Russo. Este documento é historicamente significativo por consolidar a perda de influência iraniana no Cáucaso e redesenhar as fronteiras regionais. O governo persa foi obrigado a pagar 20 milhões de rublos de prata como reparação à Rússia. A Rússia obteve o direito exclusivo de manter uma frota militar no Mar Cáspio. Foram concedidos privilégios comerciais e direitos extraterritoriais a cidadãos russos em solo persa, o que enfraqueceu a soberania econômica do país. A Guerra Anglo-Persa ocorreu entre 1 de novembro de 1856 e 4 de abril de 1857, opondo o Império Britânico (incluindo a Companhia das Índias Orientais) e a Pérsia da dinastia Qajar. A guerra teve como objetivo a oposição britânica à tentativa da Pérsia de reivindicar a cidade de Herat (no atual Afeganistão). Embora Herat tivesse sido conquistada pela Pérsia em 1856, a cidade declarou sua independência sob o comando de seu próprio emir rebelde e se colocou sob a proteção britânica na Índia, além de formar uma aliança com o Emirado do Afeganistão. A campanha britânica foi conduzida com sucesso sob a liderança do Major-General Sir James Outram em dois teatros de operações: na costa sul da Pérsia, perto de Bushehr, e no sul da Mesopotâmia. A Guerra Anglo-Persa ocorreu no contexto do Grande Jogo — a disputa anglo-russa por influência na Ásia Central —, os britânicos desejavam que o Afeganistão permanecesse um país independente, mantendo relações amistosas como um estado-tampão contra a expansão russa em direção à Índia. A guerra resultou na retirada dos persas de Herat em 1857 e na assinatura do Tratado de Paris, no qual renunciaram às suas reivindicações sobre a cidade em troca da retirada britânica do sul da Pérsia. Assim como o Tratado de Turkmenchay com a Rússia em 1828 marcou um ponto de virada nas relações entre a Pérsia e a Rússia, o mesmo ocorreu com o Tratado de Paris entre a Pérsia e a Grã-Bretanha. O governo Qajar percebeu as sérias repercussões de confrontar militarmente uma potência colonial europeia após o conflito em Herat. Os persas perceberam que, na era dos impérios, teriam que suportar a perda de territórios em suas periferias para proteger o centro. A perda de Herat, semelhante à perda anterior das províncias caucasianas. Antes da Revolução Constitucionalista, a Pérsia, embora apresentasse núcleos de forças permanentes, era predominantemente irregular e descentralizada. O sistema militar da dinastia Qajar baseava-se em lealdades tribais e milícias provinciais, com poucas instituições de segurança nacional integradas. A falta de um exército permanente era parte do problema, porque as forças mobilizadas para lutar contra os russos (por exemplo) eram contingentes tribais divididos por facções e não possuíam artilharia moderna. Para compensar a falta de uma segurança nacional integrada, o Xá Qajar utilizava "tribos leais", sufocando rebeliões ao declarar uma cidade ou região rebelde como "tesouro aberto" para a tribo, que então estuprava e pilhava — um meio de disciplina muito mais destrutivo do que prender e punir os rebeldes. As principais estradas entre as cidades, que poderiam parecer investimentos na melhoria dos transportes, proporcionavam oportunidades não para maior comércio e prosperidade, mas para que os cobradores de impostos extorquissem as cidades ao longo da estrada, "incentivando assim os camponeses locais a se estabelecerem em regiões mais distantes". Um levantamento para o Ministério das Relações Exteriores britânico relatou: 'Existem grandes extensões de terra fértil que permanecem improdutivas devido à sua proximidade com as estradas principais, pois nenhuma aldeia com cultivadores nesses locais pode prosperar ou desfrutar da mínima imunidade às visitas incômodas de funcionários do governo e aos roubos e furtos cometidos pelas tribos.' Talvez a pior de todas as indignidades que a Pérsia sofreu por causa dos exércitos superiores das potências europeias tenha sido "uma série de capitulações comerciais". Embora as vendas feitas pelo xá de títulos, patentes, privilégios, concessões, monopólios, terras, tenham financiado algumas melhorias, como uma rede telegráfica e, em Teerã, uma força policial regular, um serviço civil municipal, etc., elas também foram gastas no consumo da corte do xá. Sob a dinastia Qajar, os produtos estrangeiros (ocidentais) fabricados em massa, especialmente têxteis, minaram o artesanato tradicional e, consequentemente, representaram para muitos bazares um inimigo comum — o estrangeiro. Os bazares da antiga Pérsia transcendem o conceito de simples centros de comércio. O termo "bazar" tem origem na palavra persa bāzār, que designava o distrito de mercado público. Historicamente, o bazar é o coração econômico, social e político das cidades iranianas. Em Isfahan, pelo menos, 10% das guildas desta cidade eram de tecelões; nem mesmo 1/5 delas sobreviveu à concorrência com os têxteis importados. Viúvas e órfãos foram prejudicados, e os agricultores sofreram: em 1894, o preço que recebiam pela colheita de trigo caiu para 1/6 do que era em 1871; os sistemas de irrigação entraram em ruínas, transformando campos e aldeias em deserto. Em 1872, Naser al-Din Shah negociou uma concessão que concedia a um cidadão britânico o controle sobre estradas, telégrafos, moinhos, fábricas, extração de recursos e outras obras públicas persas em troca de uma quantia fixa e 60% da receita líquida. Essa concessão foi revogada após forte oposição local. Outras concessões aos britânicos incluíram a concessão ao novo Banco Imperial da Pérsia de direitos exclusivos para emitir notas bancárias e a abertura do rio Karun à navegação. Conforme o texto que escrevi sobre o protesto contra o tabaco de fevereiro de 1891 a janeiro de 1892, foi "o primeiro movimento popular de massa em toda a Pérsia, descrito como um ensaio geral para a Revolução Constitucional, formado por uma coalizão anti-imperialista e antimonarquista de "clérigos, interesses mercantis e intelectuais dissidentes. A base política do movimento constitucionalista para controlar o poder do xá era uma aliança entre os ulemás, intelectuais liberais e radicais e o bazar. Mas a aliança baseava-se em inimigos comuns em vez de objetivos comuns. Os ulemás procuravam "estender o seu próprio poder e fazer com que o Islã xiita fosse imposto de forma mais rigorosa"; os liberais e radicais desejavam "maior democracia política e social e desenvolvimento econômico"; e os comerciantes do bazar "restringir o favorecimento econômico estrangeiro". Os intelectuais eram um grupo "pequeno, mas crescente", muitos dos quais tomaram conhecimento dos costumes ocidentais durante viagens ao exterior e "ficaram geralmente impressionados com o desenvolvimento econômico ocidental, a justiça comparativa e a ausência de governo arbitrário". Em seus escritos, esses intelectuais criticaram os "governantes autocráticos, os pequenos funcionários, os clérigos venais e os tribunais arbitrários persas, bem como a baixa posição das mulheres". A "classe mercantil" ou bazar convenceu-se de que "a lei e a ordem, a segurança da propriedade e a imunidade ao poder arbitrário poderiam ser alcançadas importando a democracia parlamentar" da Europa. Os ulemás (isto é, estudiosos islâmicos) tinham menos a ganhar e um incentivo menos direto para apoiar uma constituição, mas estavam convencidos (pelo menos por um tempo) de que sua "hierocracia em relação à monarquia" não seria enfraquecida. A Guerra Russo-Japonesa de 1904–05 e a Revolução Russa de 1905 impulsionaram um movimento de oposição persa que vinha crescendo desde 1901. Após um século de derrotas sucessivas, uma potência asiática derrotou uma potência europeia, um evento que reforçou o orgulho em toda a Ásia. Esse sentimento foi particularmente forte naqueles países, como a Pérsia, que haviam sofrido a penetração e a opressão russas. Muitos consideraram significativo que a única potência asiática com uma constituição tivesse derrotado a única potência ocidental sem uma, e as constituições passaram a ser vistas como o "segredo da força" dos governos ocidentais. Alex

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