O cenário era o deserto do Arizona. O Pernalonga estava calmamente mastigando uma cenoura, encostado em uma placa que dizia: "Cuidado: Curva perigosa para Albuquerque".
De repente, um som ensurdecedor de metralhadora biológica ecoou. TOC-TOC-TOC-TOC!
O topo da placa virou serragem em segundos. O coelho nem se mexeu, apenas levantou uma sobrancelha. No topo do que restou do poste, pousou um pássaro de topete vermelho, com um olhar levemente maníaco e um bico que parecia vibrar.
— He-he-he-HE-HE! — gargalhou o Pica-Pau. — Desculpe, amigão, achei que esse poste era de carvalho. Mas serve para afiar o bico!
Pernalonga engoliu o pedaço de cenoura com um "gulp" sonoro.
— Eh... o que é que há, velhinho? Você parece estar com um pouco de pressa. Não te ensinaram que a pressa é a inimiga da perfeição... e dos dentes?
O Pica-Pau deu uma pirueta no ar e parou nariz com nariz com o coelho.
— Perfeição? Eu sou um artista do caos, orelhudo! E você, quem é? Algum tipo de pantufa gigante fugida de casa?
Pernalonga sorriu, aquele sorriso de quem já tinha um plano em mente.
— Apenas um viajante que errou o caminho. Mas, já que você é um "artista", que tal um desafio? Ali adiante tem uma árvore de aço... digo, uma árvore de ferro... uma árvore muito resistente. Se você conseguir furar ela, eu te dou este estoque de cenouras orgânicas.
— Feito! — gritou o Pica-Pau, já se transformando em um borrão colorido.
O que o Pica-Pau não viu foi que a "árvore" era, na verdade, um poste de alta tensão pintado de marrom. O pássaro se lançou como uma flecha. CLANG! O som de metal batendo em metal reverberou por todo o cânion. O Pica-Pau voltou girando como um peão, com o bico dobrado em formato de saca-rolhas.
Pernalonga se aproximou calmamente, lixando as unhas.
— Sabe, eu ouvi dizer que em Albuquerque os postes são mais macios.
O Pica-Pau sacudiu a cabeça, desentortou o bico com um estalo e olhou para o coelho com um brilho de admiração e deboche.
— Nada mal, coelho. Nada mal. Mas na próxima, eu trago a dinamite! He-he-he-HE-HE!
E, com uma última risada frenética, o Pica-Pau sumiu no horizonte, deixando apenas uma nuvem de poeira. Pernalonga deu mais uma mordida na cenoura.
— É... um sujeito legal. Meio barulhento, mas legal.
confronto
O cenário mudou para um deserto repleto de caixas de madeira com o selo ACME. O Pica-Pau, agora com um capacete de mineiro e um olhar de puro caos, pairava sobre uma pilha de dinamites.
— He-he-he-HE-HE! — ele riu, acendendo um pavio com uma faísca do próprio bico. — Vamos ver quem é o "coelho da páscoa" agora!
Ele mergulhou em direção à toca do Pernalonga, soltando bananas de dinamite como se fossem sementes. O chão explodiu em nuvens de poeira preta. Quando a fumaça baixou, não havia sinal de pelo de coelho. No lugar da toca, havia um balcão de informações de madeira, com o Pernalonga vestido de smoking e cartola.
— Perdão, senhor Pássaro — disse Pernalonga com um sotaque britânico impecável. — O senhor tem licença para demolição em área de preservação de cenouras?
O Pica-Pau parou no ar, confuso. — Licença? Eu sou o Pica-Pau! Eu não preciso de licença, eu preciso de barulho!
— Ah, compreendo. Mas as novas normas da ACME exigem o uso do Silenciador Atômico Mod. 5. — Pernalonga puxou um cano enorme e brilhante debaixo do balcão. — Experimente colocar seu bico aqui dentro. Ele transforma explosões em música clássica.
O Pica-Pau, movido pela curiosidade maníaca, enfiou o bico no cano. Pernalonga deu um passo para trás e puxou uma corda. De dentro do cano, não saiu música, mas uma mola gigante com uma luva de boxe na ponta.
POW!
O pássaro foi arremessado para trás, atravessando três cactos e uma rocha em formato de bigorna. Ele voltou furioso, carregando um Ímã Gigante ACME.
— Agora você vem por bem ou por atração fatal, orelhudo!
O ímã começou a puxar tudo o que era de metal. Pernalonga, calmamente, tirou do bolso uma pequena moeda de um centavo e a jogou atrás do Pica-Pau. O ímã, com uma força impossível, deu uma guinada de 180 graus, arrastando o pássaro junto. No caminho, o ímã "pescou" um caminhão de bigornas que passava por ali.
CRASH! BUM! TCHIBUM!
O Pica-Pau emergiu debaixo de uma pilha de ferro, com o corpo achatado como uma panqueca, flutuando de volta à forma normal enquanto soprava o próprio polegar. Ele olhou para o Pernalonga, que agora estava sentado em uma cadeira de praia, tomando um suco.
— Sabe de uma coisa, coelho? — o Pica-Pau ofegou, limpando a fuligem. — Você é bom. Mas eu sou persistente!
Pernalonga fechou os olhos, relaxado. — É o que dizem, velhinho. Uns têm o bico, outros têm o plano. Mas admita... foi divertido, não foi?
O Pica-Pau soltou sua risada clássica, mas desta vez em um tom mais baixo, quase amigável. — He-he-he-he-he... Até a próxima, orelhudo!
E, num vulto, ele picotou a cadeira de praia do Pernalonga em mil pedaços antes de sumir no céu, deixando o coelho sentado no chão, ainda segurando o suco.
Pernalonga olhou para a câmera, deu de ombros e comentou:
— É... ele definitivamente não bate bem da bola.
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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