Um Satanás para chamar de seu
Primeiramente, abandone a visão clássica sobre o Diabo: cor vermelha, com feições humanas, mas com chifres, rabo pontiagudo e um tridente na mão. ou cascos.
A imagem mais familiar para nós surgiu pelas mãos de gerações de artistas e escritores que pegaram o pouco que é dito pela Bíblia sobre Satanás e o reinventaram ao longo do tempo.
A imagem de um ser que governa o inferno e inflige torturas e castigos aos pecadores também não encontra correspondência no texto sagrado, portanto outra representação artística.
Nos primeiros séculos do Cristianismo, não havia muita necessidade de representar o mal na arte religiosa.
Os cristãos acreditavam que os deuses pagãos rivais, como o egípcio Bes e o grego Pan, eram demônios responsáveis por guerras, doenças e desastres naturais.
Cem anos depois, quando o diabo apareceu na arte ocidental, algumas representações incorporaram os atributos físicos destes deuses, como o pelo facial de Bes e as patas de cabra de Pan.
O diabo medieval
Na idade média, surgiu o retrato de Satanás mais reconhecível. Foi uma época de muito sofrimento, que ficou ainda pior com o surto de peste negra, a epidemia mais devastadora da história humana, com milhões de mortos na Europa.
Como a Igreja não podia proteger os fiéis da doença, as representações de Satanás centraram-se nos horrores do inferno, refletindo o ânimo do momento e lembrando por que não se devia pecar.
Quando ela se dividiu durante a Reforma, católicos e protestantes se acusaram mutuamente de estarem sob a influência do diabo com propagandas jocosas e grotescas sobre esta corrupção.
Diabo corruptor de mulheres
No início do período moderno (1500-1600), pessoas eram acusadas de fazer pactos com o diabo e praticar bruxaria. Satanás era frequentemente representado como um sedutor e se achava que as mulheres eram especialmente vulneráveis a seus encantos.
Imagens mostravam mulheres em atos sexuais com o diabo, por elas serem consideradas o sexo frágil e mais propensas a caírem em pecado por serem incapazes de dominar seus desejos carnais.
Se Satanás conseguia corromper o corpo feminino, era uma ameaça à segurança familiar, à santidade e até mesmo à fertilidade da comunidade.
Iluminismo
O Diabo iluminista é o meu preferido, os escritores e pensadores iluministas reinterpretaram a história do diabo para que se ajustasse às preocupações políticas da época.
John Milton descreveu um Satanás psicologicamente complexo no poema Paraíso Perdido, que conta a queda em desgraça de Satanás.
Enquanto os textos religiosos anteriores haviam examinado a motivação de Satanás para condená-lo, o Satanás de Milton é um personagem atraente e solidário que encarna os sentimentos de rebeldia do republicanismo do século 17.
Para alguns artistas românticos e iluministas, Satanás era um nobre rebelde que travava uma batalha contra a autoridade tirânica de Deus, para mim Satanás é o primeiro anarquista da história.
Atualmente
A ciência conseguiu explicar a morte, as doenças e os desastres naturais, a figura do diabo ficou ameaçada.
Havia lugar no mundo laico para Satanás?
Foi quando um diabo urbano e sofisticado entrou em cena.
Seguindo uma tradição de identificá-lo com inimigos políticos e religiosos, o diabo foi usado para ilustrar a oposição política por meio de caricaturas e sátiras.
Além disso, Satanás encontrou seu lugar no mundo comercial, tornando-se sinônimo de excessos pecaminosos, aparecendo em propagandas para vender desde chocolate e champagne até carros de luxo.
Como vimos todas as épocas tiveram um "Satanás pra chamar de seu", seja o grotesco, o sedutor ou politizado o Diabo vai ser sempre estar presente nas fantasias humanas.
Alex Ver menos
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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