Batalha de Tejucupapo (1646)
A Batalha de Tejucupapo ocorreu em 24 de abril de 1646, no distrito homônimo da atual cidade pernambucana de Goiana. Localizada no extremo norte da Região Metropolitana do Recife.
Goiana é um marco histórico situado estrategicamente entre as capitais de Pernambuco e da Paraíba. Reconhecido pelo IPHAN como Patrimônio Histórico Nacional desde 1938, o município preserva até hoje a memória de Tejucupapo como um símbolo de resistência e coragem popular.
O conflito se deu no contexto da Insurreição Pernambucana, quando forças luso-brasileiras lutavam para expulsar os invasores holandeses da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (W.I.C.).
A West-Indische Compagnie (WIC) foi uma empresa de capital aberto com poderes de Estado; podia manter exércitos, declarar guerra e governar territórios; fundada em 1621 para combater a Espanha e Portugal. Foi responsável pela ocupação do Nordeste brasileiro e pela fundação de Nova Amsterdã (atual Nova York).
No Brasil, sua atuação é dividida em dois momentos principais: tentaram tomar a Bahia (1624) sem sucesso, mas conquistaram Pernambuco em 1630, expandindo-se por grande parte do Nordeste.
Era Nassau (1637–1644): Sob o governo de Maurício de Nassau, a colônia viveu um período de modernização urbana (em Recife), tolerância religiosa e avanços científicos.
As invasões holandesas constituíram a primeira crise internacional da história do Brasil. Embora concentradas no atual nordeste, não se resumiram a um episódio regional. A invasão holandesa do Nordeste, na verdade, constituiu parte de um episódio maior da história global e dos Impérios Português e Holandês, a Guerra Luso-Neerlandesa. Ela foi travada na América do Sul, na África e também na Ásia e até mesmo na Europa.
A batalha
O cerco ao Recife (1646–1654), impulsionado pela guerrilha luso-brasileira, mergulhou a capital em uma crise de fome. O almirante Johan Lichtart lançou uma ofensiva desesperada por provisões. Partindo do Recife, ele utilizou Paulista como palco para um falso desembarque, distraindo os defensores durante o dia. À noite, levantou âncoras em segredo rumo a Tejucupapo. O objetivo era capturar a localidade de surpresa e avançar sobre São Lourenço, assegurando as linhas de abastecimento necessárias para a sobrevivência das tropas holandesas. Os luso-brasileiros tinham conhecimento do plano de Lichtart, pois dois homens, que estavam de vigia no porto, o tinham comunicado à população. Sem ter disso ciência, Lichtart desembarcou as suas forças, que marcharam sobre Tejucupapo.
Nesta luta destaca-se o papel das mulheres da povoação para a derrota dos invasores holandeses. Ao se aproximar de Tejucupado, segundo a tradição, uma das mulheres da povoação tomou em mãos uma imagem de Cristo e, exibindo-a, chamou as demais às armas. As mulheres guerreiras de tejucupapo prepararam-se para entrar em combate, utilizando como armas água fervente com pimenta e enxadas, derrotaram cerca de seiscentos soldados, nesta que é considerada a primeira batalha em território brasileiro.
Para o professor da Universidade Federal de Pernambuco, George Cabral, "no sentido bélico, o conflito ali não foi tão relevante num sentido geral da luta contra os holandeses, mas com certeza podemos dizer que abalou a moral das tropas, derrotadas por mulheres, e que tem impacto simbólico até hoje". Após 24 anos de ocupação (1630-1654), os holandeses, enfraquecidos renderam-se em 1654, devolvendo o controle da capitania de Pernambuco aos portugueses.
Impacto cultural
O primeiro registro escrito, e um dos raros existentes, em que foi narrada essa participação feminina nos fatos foi feita pelo religioso luso Manuel Calado, testemunha dos conflitos entre Portugal e Holanda, no livro O Valeroso Lucideno, já em 1648.
A batalha foi retratada em painel da pintora Tereza Costa Rêgo; as moradoras do lugar mantêm viva a memória do fato, através do Grupo Cultural Heroínas de Tejucupapo, realizando anualmente no último domingo de abril encenações baseadas sobretudo no relato oral dos acontecimentos, transmitidos através das gerações por mais de três séculos.
No lugar dos acontecimentos foi erguido, a poucos metros do povoado, um obelisco que traz a seguinte inscrição: "Aqui, em 1646, as mulheres de Tejucupapo conquistaram o tratamento de heroínas por terem, com as armas, ao lado dos maridos, filhos e irmãos, repelido 600 holandeses que recuaram derrotados".
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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