Entre o Pragmatismo e a Mudança: O Labirinto Político da Hungria
A política internacional é um eterno jogo de sombras onde, frequentemente, a saída de um vilão pintado pela mídia tradicional não significa a entrada de um herói perfeito.
A recente e histórica derrota de Viktor Orbán na Hungria, superado por Péter Magyar, traz consigo o alívio imediato para quem via no antigo primeiro-ministro o principal bastião de uma direita agressiva na Europa — e o maior aliado no continente de figuras como Donald Trump e Jair Bolsonaro. Contudo, passados os primeiros momentos de celebração, impõe-se uma análise mais fria e realista. Se o critério for a mudança radical de rumos ideológicos, o novo líder húngaro pode acabar se revelando apenas um opositor de Vladimir Putin. Afinal, a máxima geopolítica de que "nem sempre o amigo do meu inimigo é meu inimigo" cabe perfeitamente neste cenário. As relações de poder raramente são construídas sobre afeições ou preceitos puramente morais; elas são moldadas por interesses nacionais e sobrevivência política.
Ao olharmos para a questão da imigração, por exemplo, percebe-se que as coisas pouco mudarão. A rejeição às cotas de imigrantes da União Europeia não era apenas um capricho de Orbán, mas um reflexo de um forte consenso cultural na sociedade húngara. Magyar sabe disso. Ele assumiu o poder ciente de que manter uma linha dura nas fronteiras e restringir programas de trabalhadores estrangeiros não é apenas uma escolha ideológica. Onde a curva realmente se acentua é na postura em relação à Rússia. Orbán atuava há anos como uma espécie de "cavalo de Troia" de Putin dentro do bloco europeu e da OTAN, travando sanções e pacotes de ajuda à Ucrânia. Com Magyar, essa dinâmica de subserviência a Moscou quebra-se. Ele assume prometendo combater a histórica dependência energética russa. Ainda assim, o pragmatismo geográfico grita mais alto: a Hungria está onde está no mapa, e uma ruptura econômica total e imediata com os russos seria um tiro no próprio pé.A verdadeira vitória de Péter Magyar, portanto, não reside em uma guinada à esquerda — algo que ele nunca prometeu —, mas sim em uma tentativa de assepsia institucional. O grande feito desse momento não foi a troca de uma ideologia conservadora por uma progressista, mas a promessa de desmontar o ecossistema de corrupção, devolver a independência à mídia e ao judiciário e restabelecer uma alternância de poder saudável.No fim das contas, a queda de Orbán mexe profundamente nas estruturas de apoio da direita radical global e isola ainda mais o Kremlin na Europa. Mas Magyar não será o espelho perfeito do que as capitais do Ocidente gostariam. Ele governará para a Hungria e para os húngaros, provando que, no xadrez da diplomacia real, as peças mudam, mas as regras de sobrevivência e os interesses nacionais continuam exatamente os mesmos.
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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