O Pai do Anarquismo - Pierre-Joseph Proudhon antes do anarquismo Considerado por Bakunin “o mestre de todos os anarquistas”, Pierre-Joseph Proudhon (Besançon, 15 de janeiro de 1809 — Passy, Paris, 19 de janeiro de 1865) foi um filósofo político e econômico francês, foi membro do Parlamento Francês e primeiro grande ideólogo anarquista da história para o anarquismo do Século XIX. É considerado um dos mais influentes teóricos e escritores do anarquismo, sendo também o primeiro a se autoproclamar anarquista, até então um termo considerado pejorativo entre os revolucionários e foi o líder intelectual dos anarquistas norte-americanos, que entre outros feitos, foram responsáveis pelo Dia do Trabalho. Início da vida e educação Proudhon nasceu em Besançon, França, em 15 de janeiro de 1809, na Rue du Petit Battant, 23, no subúrbio de Battant. Seu pai, Claude-François Proudhon, que trabalhava como cervejeiro e tanoeiro, era originalmente da vila de Chasnans, perto da fronteira com a Suíça. Sua mãe Catherine Simonin (1774-1847) era cozinheira e nas palavras de Proudhon, “uma mulher de coração, cabeça e juízo” que o marcou pela dedicação e gosto pelo trabalho Claude-François e Catherine tiveram cinco filhos, dois dos quais morreram muito jovens. Os irmãos de Proudhon, Jean-Etienne e Claude, nasceram em 1811 e 1816, respectivamente, e ambos mantiveram uma relação muito próxima com Proudhon. Quando menino, ele trabalhava principalmente na taberna da família e passava o tempo brincando ao ar livre no campo. Proudhon não recebeu educação formal quando criança, mas foi ensinado a ler por sua mãe, que o fazia soletrar palavras aos três anos, recebendo também uma sólida educação religiosa. Em 1820, a mãe de Proudhon começou a tentar fazer com que ele fosse admitido no colégio municipal de Besançon. A família era muito pobre para pagar as mensalidades, mas com a ajuda de um dos ex-empregadores de Claude-François, ela conseguiu uma bolsa que deduzia 120 francos por ano do custo. Proudhon não tinha condições de comprar coisas básicas como livros ou sapatos para frequentar a escola, o que lhe causava grandes dificuldades e muitas vezes o tornava objeto de desprezo por seus colegas mais ricos. Apesar disso, Proudhon demonstrava muita vontade de aprender e passava muito tempo na biblioteca da escola com uma pilha de livros, explorando diversos assuntos em seu tempo livre fora da sala de aula. Em 1826, após a falência dos negócios de seu pai, foi forçado a abandonar os estudos, portanto antes de passar no bacharelado. Em 1828, Proudhon começa a trabalhar numa gráfica em Besançon pertencente à família de um de seus colegas de escola, Antoine Gauthier, onde se tornou tipógrafo, depois revisor. Besançon era um importante centro de pensamento religioso na época e a maioria das obras publicadas na Gauthier eram obras eclesiásticas, o que lhe permitiu aprender hebraico, aperfeiçoar-se em grego e latim e adquirir bons conhecimentos de teologia. Durante o curso de seu trabalho, Proudhon passou horas todos os dias lendo esta literatura cristã e começou a questionar muitas de suas crenças religiosas de longa data que eventualmente o levaram a rejeitar o cristianismo por completo. Em 1829, ele começou a se interessar mais por questões sociais do que por teoria religiosa. De particular importância durante este período foi seu encontro com Charles Fourier - François Marie Charles Fourier (Besançon, 7 de Abril de 1772 – Paris, 10 de Outubro de 1837) foi um socialista francês da primeira parte do século XIX, um dos pais do cooperativismo - que em 1829 veio a Gauthier como um cliente procurando publicar sua obra Le Nouveau Monde Industriel et Sociétaire. Proudhon supervisionou a impressão do livro, o que lhe deu ampla oportunidade de conversar com Fourier sobre uma variedade de questões sociais e filosóficas. Essas discussões deixaram uma forte impressão em Proudhon e o influenciaram ao longo de sua vida. Foi também nessa época que Proudhon formou uma de suas amizades mais próximas com Gustave Fallot, um estudioso de Montebéliard que veio de uma família de ricos industriais franceses. Impressionado com as correções de Proudhon em um de seus manuscritos latinos, Fallot procurou sua amizade e os dois logo passaram regularmente as noites juntos discutindo literatura francesa de Michel de Montaigne, François Rabelais, Jean-Jacques Rousseau, Voltaire, Denis Diderot e muitos outros autores a quem Proudhon não havia sido exposto durante seus anos de leituras teológicas. Decisão de seguir a filosofia e a escrita A crise econômica de 1830 o forçou a deixar Besançon. O período seguinte foi marcado por desemprego e pobreza, com Proudhon viajando pela França (também brevemente para Neuchâtel, Suíça), onde procurou, sem sucesso, um emprego estável na impressão e como professor. Durante este período, Fallot ofereceu assistência financeira a Proudhon se ele viesse a Paris para estudar filosofia. Proudhon aceitou sua oferta, apesar das preocupações sobre como isso poderia atrapalhar sua carreira no ramo de impressão. Ele caminhou de Besançon a Paris, chegando em março à Rue Mazarin, no Quartier Latin, onde Fallot morava na época. Proudhon começou a se misturar com o círculo de estudiosos metropolitanos em torno de Fallot, mas se sentia deslocado e desconfortável em meio a pessoas que eram mais ricas e mais acostumadas ao debate acadêmico. No final das contas, Proudhon descobriu que preferia passar a maior parte do tempo estudando sozinho e não gostava da vida urbana, desejando voltar para casa em Besançon. Proudhon não gostar da vida urbana pode ser por influencia de Fourier, um grande crítico da urbarnização, enfim o surto de cólera em Paris concedeu-lhe seu desejo quando Fallot foi atingido pela doença, tornando-o incapaz de sustentar financeiramente Proudhon por mais tempo. Depois que Proudhon partiu, ele nunca mais viu Fallot (que morreu em 1836). No entanto, essa amizade foi um dos eventos mais importantes da vida de Proudhon, pois foi o que o motivou a deixar o comércio de impressão e prosseguir seus estudos de filosofia. De volta a Besançon, Proudhon e dois associados fundaram uma pequena gráfica. Mas ele não conseguiu equilibrar as contas e a empresa fechou rapidamente. Depois desse empreendimento malsucedido, Proudhon decidiu se dedicar totalmente às atividades acadêmica. Em 1838, a Académie des sciences, belles-lettres et arts de Besançon realizou o concurso uma bolsa de estudos conhecido como Amélie Suard (em memória de seu marido, o acadêmico Jean Baptiste Antoine Suard), uma bolsa de 1.500 francos por ano durante três anos, para o benefício de jovens para que eles continuem seus estudos. Proudhon, que não tinha o bacharelado, foi aprovado aos 29 anos, entre vários candidatos principalmente pelo fato de sua renda ser muito inferior à dos demais e os jurados ficarem extremamente impressionados com sua escrita e com o nível de educação que se deu enquanto trabalhava como artesão. O concurso de redação sobre o tema da utilidade da celebração do domingo no que diz respeito à higiene, à moral e às relações da família e da cidade. A redação de Proudhon, intitulada De la Célébration du dimanche, usou essencialmente o tema do ensaio como pretexto para discutir uma variedade de ideias políticas e filosóficas e nela podem-se encontrar as sementes de suas ideias revolucionárias posteriores. Muitas de suas ideias sobre autoridade, moralidade e propriedade perturbaram os juízes de redação da Academia e Proudhon recebeu apenas a medalha de bronze (algo de que Proudhon se orgulhava porque achava que isso era um indicador de que sua escrita incomodava os acadêmicos de elite). Proudhon chegou a Paris no final do outono de 1838. Ele levou uma vida pobre, ascética e estudiosa. Ele prometeu formalmente à Academia apenas uma coisa, que é trabalhar para o aperfeiçoamento material e moral daqueles que ele chama de seus irmãos, os trabalhadores. Foi para a economia política que se voltou: procurou nas bibliotecas e nos tribunais públicos todos os fragmentos que conseguiu reunir desta ciência do futuro. Fez cursos de economia na faculdade de direito e no Conservatoire des arts et métiers, onde Adolphe Blanqui, irmão mais velho do revolucionário Auguste Blanqui lecionava. Mas preferia frequentar as bibliotecas, em particular as do Instituto. Alex

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