A "Lou Reed Feminina": Lydia Tomkiw
Lydia Tomkiw (6 de agosto de 1959 – 4 de setembro de 2007) foi uma influente poetisa e compositora, figura central da cena underground de Chicago. Ela é mais lembrada pelo duo Algebra Suicide, formado com seu então marido, o guitarrista Don Hedeker. Juntos, eles fundiram a poesia falada de Lydia a sintetizadores, tornando-se referência para o minimal wave, uma vertente da música eletrônica que surgiu entre o final dos anos 1970 e meados dos anos 1980. O estilo é definido pelo uso de sintetizadores analógicos e baterias eletrônicas rudimentares da era pré-MIDI, resultando em uma sonoridade crua, minimalista e propositalmente "lo-fi". Suas composições costumam transitar entre o experimentalismo e uma melancolia urbana quase hipnótica.
Vida pregressa
Tomkiw nasceu no bairro de Humboldt Park, em Chicago, em 1959, filha dos imigrantes ucranianos Zenovia e Teodor Tomkiw. Seu pai trabalhava na siderúrgica US Steel e sua mãe em diversos empregos no comércio varejista. Em 1975, a violência de gangues e a criminalidade em Humboldt Park tornaram-se insustentáveis e a família mudou-se para um apartamento em Ukrainian Village, um vibrante centro da comunidade ucraniana. A criatividade e a aptidão de Tomkiw garantiram-lhe uma vaga para estudar arte na seletiva Lane Technical High School.
Durante esses anos, Tomkiw escreveu constantemente — em diários: contos e poemas. Ela desenvolveu uma afeição pelo poeta vitoriano Gerard Manley Hopkins.
Hopkins inicialmente pretendia ser pintor, depois se voltou para a poesia, caracterizada por imagens marcantes, linguagem coloquial e ludicidade formal; sua irmã, Grace, musicou muitos de seus poemas. Hopkins era conhecido por seu "sprung rhythm" (ritmo saltado) e inovações linguísticas, ecoando diretamente na forma como Tomkiw, décadas depois, estruturaria a métrica de sua poesia falada no Algebra Suicide.
Em 1977, Tomkiw matriculou-se no curso de artes plásticas da Universidade de Illinois em Chicago Circle, que ostentava um programa de arte rigoroso e extremamente competitivo. Uma vez lá, porém, ela quase imediatamente se viu superada por outros alunos. Sua imaginação frequentemente superava suas habilidades, que teimosamente permaneciam decentes, mas nada excepcionais. Frustrada, Tomkiw começou a reavaliar sua capacidade criativa.
Paralelamente às aulas de arte, Tomkiw frequentava aulas de poesia ministradas por Maxine Chernoff (nascida em 1952). Com seu marido, Paul Hoover, ela edita a consagrada revista literária New American Writing. Na aula de Chernoff, Tomkiw passou por uma espécie de conversão, abraçando a poesia como seu principal veículo de expressão criativa. Ela ficou particularmente entusiasmada com a possibilidade performática da poesia — escrevia para ser lida e falava para ser ouvida. Inspirada e guiada por Chernoff, ela rapidamente se destacou como uma poetisa precoce e promissora. No início de 1978, ainda caloura, Tomkiw reuniu um conjunto inicial de poemas e os autopublicou em um livreto intitulado Ballpoint Erection.
Um ano depois, Tomkiw reuniu outros dezenove poemas e autopublicou seu segundo livreto, Obsessions.
Ao final do primeiro ano de Tomkiw na UIC, Chernoff sugeriu que ela se transferisse para o Columbia College Chicago, uma pequena faculdade de artes liberais com uma longa tradição em arte. Em particular, Chernoff acreditava que Tomkiw se destacaria sob a tutela de seu marido, Paul Hoover, que atuava como professor residente e ministrava uma oficina de poesia muito respeitada para alunos de graduação.
Tomkiw chegou à Columbia College em 1978 e se juntou a um grupo emergente de poetas, predominantemente mulheres, que se reuniam em torno das oficinas de Hoover.
Poesia e música
Naquela época, a jovem e promissora cena poética estava social e criativamente conectada à cena punk rock de Chicago, selvagemente individualista. Um forte senso prático típico do meio-oeste americano fortalecia o espírito "faça você mesmo" predominante: a arte não era alimentada e moldada nem por questões de moda e estilo nem pelos imperativos da técnica e da expressão.
O punk e a poesia também compartilhavam muitos dos mesmos locais, bares e clubes. Bares como O'Banion's, Tut's e Lucky Number promoviam leituras entre shows punks de artistas locais como DA, Tutu and the Pirates e Naked Raygun, e de bandas em turnê como Dead Kennedys, TSOL e Hüsker Dü.
Em um ano, Tomkiw já estava firmemente estabelecida tanto na cena punk quanto na poética. E a experiência de encontrar criadores com ideias semelhantes e, talvez ainda mais importante, um público em potencial, foi eletrizante. Tomkiw se adaptou ao circuito boho-punk clássico, morando com os pais, estudando e trabalhando em uma série de empregos pouco estimulantes e mal remunerados. Ela vivia para a vida noturna, escrevia como uma louca, frequentava livrarias e lojas de discos e gastava seus parcos ganhos com poesia e punk rock.
O estilo boho-punk une a suavidade de tecidos boêmios (como rendas e malhas) à dureza industrial do punk (metais, couro e tachas). No caso de Tomkiw, isso se traduzia em uma presença de palco descrita como "sedutora e inventiva", misturando a sofisticação da new wave com a crueza da cena underground. Sua abordagem artística — declamar poesia sobre batidas eletrônicas minimalistas — era a personificação dessa mistura. Ela trazia a intelectualidade da poesia clássica (como a influência vitoriana de Gerard Manley Hopkins) para o ambiente ruidoso e elétrico das bandas de post-punk como o Algebra Suicide. Esse equilíbrio entre o "espírito livre" artístico e a "decadência" urbana é o que tornou Tomkiw uma figura cultuada tanto por poetas quanto por fãs de música eletrônica experimental.
Em abril de 1980, Tomkiw e Sharon Mesmer, já melhores amigas e parceiras poéticas, fizeram sua primeira leitura na Galeria Paul Waggoner, em Chicago. Mais tarde, naquele verão, Tomkiw foi assistir a um show da banda Trouble Boys no Jamie's Elsewhere Lounge. Após o show, ela puxou conversa com o guitarrista, Don Hedeker. Eles se deram bem e ela o convidou para uma leitura que faria algumas semanas depois. Logo, Hedeker se apaixonou, o romance floresceu e eles foram morar juntos ainda naquele verão. No Halloween de 1981, eles se casaram, com Mesmer como madrinha de casamento de Tomkiw.
Enquanto ainda publicava de forma independente, Tomkiw também submetia seus trabalhos a editoras. Seus poemas começaram a ser publicados regularmente por pequenas editoras regionais, como Another Chicago Magazine, Thunder Egg, Hair Trigger, Wormwood Review e Permafrost. No final do ano, ela reuniu seu mais recente conjunto de poemas em sua primeira coletânea encadernada, intitulada Popgun Sonatas.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
Comentários
Postar um comentário