A Epopeia do Chá: Da Essência Botânica à Expansão Asiática O chá é uma bebida preparada através da infusão de folhas secas de uma planta chamada Camellia sinensis, geralmente preparada com água quente. O chá é a segunda bebida mais consumida no mundo, ficando atrás apenas da água corrente. Tecnicamente, o verdadeiro chá refere-se exclusivamente à infusão das folhas e brotos da planta Camellia sinensis. Outras preparações populares feitas com ervas como camomila, hortelã ou cidreira são, na verdade, infusões. A cultura do chá chinesa inclui todas as facetas do chá encontradas na cultura chinesa ao longo da história. Fisicamente, consiste no cultivo, preparo, serviço, consumo, artes e aspectos cerimoniais do chá. A cultura do chá é parte integrante da cultura material e espiritual tradicional chinesa. A cultura do chá surgiu na dinastia Tang e floresceu nas eras subsequentes como uma importante prática cultural e como um importante produto de exportação. Durante a dinastia Tang, o chá tornou-se central na vida dos monges budistas. Por seguirem o Vinaya — o código de regras monásticas e preceitos éticos para monges e monjas totalmente ordenados —, eles não podiam consumir álcool ou alimentos sólidos após o meio-dia. Essas diretrizes desenvolveram-se ao longo da vida do Buda para orientar a conduta ética da comunidade (Sangha). Mais do que um conjunto de leis, o termo "Vinaya" refere-se tanto à tradição comportamental budista quanto ao gênero literário que reúne esses preceitos. Esses textos contêm regras práticas, discussões sobre sua aplicação e narrativas históricas que explicam a origem de cada norma. Após a morte do Buda, diferentes listas e conjuntos de preceitos foram codificados e compilados em diversos textos canônicos do Vinaya. O hábito de beber chá foi imitado por outros e se tornou um costume. Muitas lojas de fabricação e venda de chá abriram nos mercados, e as pessoas, religiosas ou leigas, pagavam para bebê-lo. O chá chega em um fluxo constante de barcos e carroças de Jiang e Huai [no sul] e é empilhado nas montanhas, com muitos tipos diferentes. Dessa forma, uma cultura de consumo de chá, que estava principalmente centrada no sul, foi amplamente transmitida para o norte por meio do budismo. O Templo Famen em Xi'an foi um importante mosteiro budista associado à cultura do chá. Xi'an é a capital da província de Xianxim. Situa-se no vale do rio Wei. Xi'an é uma das cidades mais antigas da China. Conhecida como Chang'an durante grande parte de sua história, Xi'an é uma das Quatro Grandes Capitais Antigas da China, tendo ocupado essa posição sob várias das dinastias mais importantes da história chinesa: Qin (255 a 206 a.C.), Han (202 a.C. a 25 d.C.) e Tang (618 a 907). Xi'an é agora o segundo destino turístico mais popular da China. A cidade foi um dos pontos terminais da Rota da Seda durante as eras antiga e medieval, bem como o lar do Exército de Terracota do século III a.C., encomendado pelo Imperador Qin Shi Huang — listado como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Foi também durante a dinastia Tang que monges budistas japoneses visitaram a China e voltaram para casa com chá. As figuras mais famosas que introduziram o chá chinês no Japão foram Saichō (que se hospedou no Templo Fulong, no Monte Tai) e Kūkai (que se hospedou no Templo Ximing, em Xi'an). O primeiro cultivo de chá registrado no Japão foi feito por Saichō, que plantou algumas plantas de chá no Monte Hiei. Da mesma forma, monges budistas também levaram chá para a Coreia durante essa época, e a história do chá coreano está intimamente ligada à história do budismo coreano e seus vínculos com as comunidades budistas chinesas que consumiam chá. Histórias coreanas como Samkuk-yusa e Samkuk-sagi também indicam que a realeza coreana bebia chá no século VII, sendo que a maior parte era proveniente da China. Recepiente para chá em forma de tartaruga da dinastia Tang, proveniente do Templo de Famenn. Alex

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