Do Folclore à Controvérsia dos Vampiros Vampiro é um ser mitológico ou folclórico que sobrevive alimentando-se da essência vital de criaturas vivas, geralmente sangue. Contos de mortos-vivos consumindo sangue ou carne de seres vivos foram encontrados em quase todas as culturas ao redor do mundo há muitos séculos. Os historiadores e cronistas ingleses do século XII, Walter Map e William de Newburgh, registraram os primeiros relatos de revenants — termo derivado do francês antigo que se refere àquele que retorna dos mortos ou regressa após uma longa ausência. Embora os registros de seres vampíricos tenham se tornado escassos nas lendas inglesas após esse período, esses contos medievais guardam forte semelhança com o folclore que se espalhou pelo sudeste da Europa e pela Transilvânia no século XVIII. Foi justamente essa tradição do Leste Europeu que serviu de base para o mito moderno do vampiro, que mais tarde migrou para a Alemanha e a Inglaterra, onde as histórias foram enriquecidas e popularizadas pela literatura. Durante esse período no século XVIII, houve um frenesi de avistamentos de vampiros no sudeste da Europa e na Transilvânia, com frequentes escavações de sepulturas ocorrendo para identificar e matar os potenciais mortos-vivos; até mesmo funcionários do governo foram compelidos a caçar e empalar vampiros. Essas criaturas podem ser fisicamente feridas semelhantemente aos humanos, mas também podem atravessar paredes e realizar outros feitos sobrenaturais. Por isso, as pessoas acreditavam que incapacitar o cadáver podia acabar com essas atividades, razão pela qual mutilavam os corpos enterrados. Apesar de ser chamada de Era do Iluminismo (1687–1789), durante a qual a maioria das lendas folclóricas foi suprimida, a crença em vampiros aumentou drasticamente, resultando no que só pode ser chamado de histeria coletiva em grande parte da Europa. O pânico começou com um surto de supostos ataques de vampiros na Prússia Oriental em 1721 e na monarquia dos Habsburgos de 1725 a 1734, que se espalhou para outras localidades. Dois casos famosos de vampiros, os primeiros a serem oficialmente registrados, envolveram os cadáveres de Petar Blagojevich e Arnold Paole, da Sérvia. Blagojevich teria falecido aos 62 anos, mas supostamente retornou após a morte pedindo comida ao filho. Quando o filho se recusou, foi encontrado morto no dia seguinte. Blagojevich teria retornado logo em seguida e atacado alguns vizinhos, que faleceram de hemorragia. No segundo caso, Arnold Paole, um ex-soldado que se tornou agricultor e que supostamente foi atacado por um vampiro anos antes, faleceu enquanto colhia feno. Após sua morte, pessoas começaram a morrer na região e acreditava-se que Paole havia retornado para atacar os vizinhos. Os dois incidentes foram bem documentados: funcionários do governo examinaram os corpos, escreveram relatórios dos casos e livros foram publicados por toda a Europa. A histeria, comumente referida como a "Controvérsia dos Vampiros do Século XVIII", durou uma geração. O problema foi exacerbado por epidemias rurais de supostos ataques de vampiros, sem dúvida causadas pela maior superstição presente nas comunidades rurais, com moradores desenterrando corpos e, em alguns casos, empalando-os. Embora muitos estudiosos tenham relatado durante esse período que os vampiros não existiam e atribuído os relatos a enterros prematuros ou raiva, a crença supersticiosa continuou a aumentar. O abade beneditino francês, Dom Augustine Calmet (1672–1757), um respeitado teólogo e estudioso, compilou um tratado abrangente em 1746, que era ambíguo quanto à existência de vampiros. Calmet reuniu relatos de incidentes com vampiros; numerosos leitores, incluindo o crítico Voltaire e demonologistas favoráveis, interpretaram o tratado como uma afirmação de que os vampiros existiam. Em seu Dicionário Filosófico, Voltaire escreveu: "Esses vampiros eram cadáveres que saíam de seus túmulos à noite para sugar o sangue dos vivos, seja pela garganta ou pelo estômago, após o que retornavam aos seus cemitérios. As pessoas assim sugadas definhavam, empalideciam e contraíam tuberculose; enquanto os cadáveres sugadores engordavam, ficavam rosados e desfrutavam de um excelente apetite. Foi na Polônia, Hungria, Silésia, Morávia, Áustria e Lorena que os mortos se divertiam com essa prática." No entanto, o objetivo de Voltaire ao descrever os monstros com tanto detalhe não era validar a existência deles, mas sim utilizar o sarcasmo e a ironia para fazer uma crítica social e religiosa. Logo após o trecho citado, Voltaire faz uma reviravolta satírica no texto para revelar quem são, na visão dele, os sugadores de sangue do mundo real:"Os verdadeiros vampiros são os monges, que comem às custas dos reis e dos povos." Voltaire ficou profundamente indignado ao ver que, em pleno século XVIII — a chamada Era das Luzes e da razão —, a prestigiada Universidade de Sorbonne e Augustin Calmet haviam publicado tratados sérios debatendo a existência real de vampiros. Para Voltaire, era um absurdo gastar tempo com superstições medievais. A controvérsia só cessou quando a Imperatriz Maria Teresa da Áustria enviou seu médico pessoal, Gerhard van Swieten, para investigar as alegações de entidades vampíricas. Ele concluiu que os vampiros não existiam e a Imperatriz promulgou leis proibindo a abertura de túmulos e a profanação de corpos, pondo fim às epidemias de vampiros. Apesar disso, o vampiro continuou vivo em obras artísticas e na superstição local. Alex

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