Entre a Paixão e a Luxúria: Um Estudo sob a Ótica do Tomismo Luxúria é um desejo intenso por algo. Ela pode assumir qualquer forma, como a busca por sexo, dinheiro ou poder, mas também pode se manifestar em aspectos mundanos como a gula — que difere da real necessidade de comida. Embora semelhante à paixão, a luxúria dela se distingue: a paixão, quando bem direcionada, impulsiona o indivíduo a alcançar objetivos benevolentes, enquanto a luxúria busca apenas a satisfação egoísta. As religiões tendem a fazer uma distinção entre paixão e luxúria. A luxúria é categorizada como um desejo imoral, enquanto a paixão é moralmente aceita. A luxúria é definida como imoral porque seu objeto ou ação de afeição está ordenado de forma inadequada segundo a lei natural. Nela, o apetite por um objeto específico (como o desejo sexual) governa a vontade e o intelecto da pessoa, em vez de a vontade e o intelecto governarem esse apetite. Por outro lado, a paixão — independentemente de sua intensidade — é considerada algo divino e moral. Isso ocorre porque o propósito, as ações e as intenções que a motivam são benevolentes e direcionados à criação, além de serem governados pelo intelecto e pela vontade humana. Uma das principais correntes de pensamento sobre esse tema é o tomismo. O tomismo é a escola filosófica e teológica que surgiu como legado da obra e do pensamento de Tomás de Aquino (1225-1274), filósofo dominicano, teólogo e Doutor da Igreja. Contudo, as definições exatas do que é moral e direcionado à criação variam de acordo com a religião. Religiões baseadas no panteísmo e no teísmo, por exemplo, divergem quanto ao que é moral segundo a natureza do "Deus" reconhecido ou adorado. Em suma, a fronteira que separa a luxúria da paixão não reside na intensidade do sentimento, mas sim na sua orientação e governança. Enquanto a luxúria escraviza a razão e busca a autossatisfação imediata e egoísta, a paixão atua como uma força motriz virtuosa, submetida ao intelecto e voltada para a construção e a benevolência. Embora os diferentes sistemas religiosos e filosóficos divirjam sobre as normas morais específicas que regem esses apetites, a tradição tomista exemplifica de forma clara como a ordem natural humana depende do equilíbrio estrutural onde a vontade e a razão devem sempre orientar os desejos, e nunca o oposto. Alex

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