Temporada Junina: O Prato que Une Culturas e Nações
Canjica é uma iguaria doce feita de grãos de milho-branco inteiros, cozidos em um caldo contendo leite de coco ou de vaca, açúcar, canela em pó ou casca e cravo-da-índia.
O milho-branco utilizado na canjica pertence à mesma espécie do milho comum (Zea mays), diferenciando-se pela coloração dos grãos e por características culinárias que favorecem o cozimento prolongado e a textura macia. Em algumas épocas e regiões do Brasil, a cotação da saca de milho-branco pode ser até 50% superior à do milho tradicional. O auge da demanda ocorre no período de Festa Junina.
A canjica faz parte da culinária brasileira, e é apreciada durante todo o ano, diferentemente de outras iguarias de milho, que são geralmente feitas no período junino.
O prato é comum em várias partes do país, tendo denominações e preparos diferentes. Há inclusive duas versões salgadas: uma com milho e outra com milho e feijão encontradas no sul do Ceará e oeste dos estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, o qual leva ingredientes semelhantes aos da feijoada. Assemelha-se ao prato tradicional cabo-verdiano Cachupa.
Canjica e mungunzá: diferenças regionais e origem do nome
A denominação desse prato varia de acordo com a região do Brasil, refletindo a diversidade cultural e linguística do país. Nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e no Distrito Federal, o doce preparado com grãos de milho branco cozidos em leite, açúcar e especiarias é conhecido como canjica. A origem do termo é africana, derivada do quimbundo kandjika ou, segundo o estudioso Nei Lopes, de kanzika, palavra do quicongo (idioma falado em regiões do Congo e de Angola), que significa "papa grossa de milho cozido".
Entretanto, no Nordeste brasileiro, a nomenclatura é diferente. Nessa região, o mesmo prato é chamado de mungunzá, palavra originada do quimbundo mu'kunza, que significa "milho cozido". Já o termo canjica, em diversos estados nordestinos, refere-se a outro preparo culinário feito com milho verde ralado, leite e açúcar, conhecido em outras regiões do país como curau ou mingau de milho.
Nos estados do Maranhão e do Piauí, pertencentes à sub-região do Meio-Norte, o prato é frequentemente denominado mingau de milho, enquanto, no Pará, é conhecido como mingau de milho branco.
Além de sua importância na culinária popular, a canjica ou mungunzá também possui significado religioso. Nas religiões afro-brasileiras, uma versão semelhante desse prato preparada é denominada mukunza ou ebô, sendo uma comida ritualística central na cultura Jeje-Nagô. Essa expressão refere-se à fusão histórica no Brasil de duas grandes heranças da África Ocidental: os Jeje (povos de língua Ewe-Fon, vindos do Benim e Togo) e os Nagô (de cultura Yorubá, vindos da Nigéria).
Embora fossem povos vizinhos e muitas vezes rivais em solo africano, eles uniram suas tradições nos terreiros de Candomblé brasileiros para preservar suas memórias e divindades (os Voduns e os Orixás). Dentro dessa liturgia, a comida desempenha um papel sagrado de conexão com os ancestrais. O ebô (ou mukunza), feito com o milho branco cozido e sem tempero, é uma das principais comidas rituais oferecidas para trazer purificação, paz e equilíbrio espiritual, simbolizando a própria busca pela harmonia nas comunidades de terreiro.
Alex
Christiane F. Vera Christiane Felscherinow, mais conhecida como Christiane F. (Hamburgo, 20 de maio de 1962), é uma escritora e blogueira alemã, que se tornou célebre por contribuir para o livro autobiográfico Wir Kinder vom Bahnhof Zoo, publicado e editado pela revista alemã Stern em 1978, que descreve sua luta contra o vício durante a adolescência. A Stern (em português: Estrela) é uma revista semanal de tendência liberal de esquerda, fundada em 1 de agosto de 1948, publicada em Hamburgo pela editora Gruner + Jahr, que pertence ao grupo de mídia Bertelsmann. A Stern trata de questões políticas e sociais, fornece jornalismo utilitário e histórias clássicas, galerias de fotos e mostra retratos de celebridades. Tradicionalmente, a revista dá mais ênfase à fotografia do que outras revistas de notícias em geral. Excepcionalmente para uma revista popular na Alemanha Ocidental do pós-guerra, a Stern investigou a origem e a natureza das tragédias precedentes da história alemã. Em 1983...
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