Da Pérsia ao Irã: A Ascensão de Reza Khan
O Estado Imperial da Pérsia, conhecido como Irã Pahlavi, foi o Estado iraniano governado pela dinastia Pahlavi. Até 1935, o país era oficialmente identificado nas relações internacionais como Pérsia. A dinastia Pahlavi foi estabelecida em 1925 e permaneceu no poder 1979.
Em dezembro de 1925, o Majlis da Pérsia depôs a dinastia Qajar e aprovou a ascensão de Reza Khan ao trono como o novo xá do Estado Imperial da Pérsia, sob o nome dinástico Pahlavi.
O Majlis foi o órgão legislativo nacional da Pérsia durante os períodos Qajar e Pahlavi, entre 1906 e 1979. Foi criado pela Constituição Persa de 1906. Embora essa constituição previsse um Parlamento bicameral, o Majlis permaneceu como a única casa legislativa até a Assembleia Constituinte de 1949, quando foi criado o Senado do Irã, tornando o Majlis a câmara baixa.
Em meados da década de 1930, Reza Khan implementou um amplo programa de modernização e secularização do Irã. Um Estado secular é aquele em que o governo e as instituições públicas funcionam de forma independente das autoridades religiosas, limitando a influência da religião nas leis e na administração do país. Embora essas medidas tenham sido bem recebidas por parte das classes média e alta, provocaram forte oposição do clero xiita, formado por aiatolás, mulás e outros líderes religiosos que exerciam grande influência sobre a vida social, educacional e política da população iraniana. As reformas eram vistas por muitos deles como uma ameaça às tradições islâmicas e ao papel histórico da religião na sociedade.
Em 1935, Reza Khan determinou que, nas relações diplomáticas internacionais, o país passasse a ser oficialmente identificado por seu nome nativo, "Irã", em vez de "Pérsia", denominação de origem grega amplamente utilizada no Ocidente.
Reza Khan recebia assistência técnica da Alemanha. Isso criou problemas para o Irã após 1939, quando a Alemanha e o Reino Unido se tornaram inimigos durante a Segunda Guerra Mundial. No início da guerra, Reza Khan proclamou o Irã como um país neutro. Entretanto, a Grã-Bretanha alegava que os engenheiros e técnicos alemães presentes no país atuavam como espiões encarregados de sabotar as instalações petrolíferas britânicas no Khuzistão, província do sudoeste do Irã, na fronteira com o Iraque e banhada pelo Golfo Pérsico. Rica em petróleo e gás natural, a região era estratégica tanto para a economia iraniana quanto para os interesses britânicos. A embaixada britânica exigiu que o Irã expulsasse todos os cidadãos alemães, mas Reza Khan recusou-se a fazê-lo, alegando que isso comprometeria seus projetos de desenvolvimento.
Em abril de 1941, a guerra aproximou-se das fronteiras iranianas quando Rashid Ali al-Gaylani (1892–1965) liderou um golpe de Estado no Iraque. Político iraquiano que ocupou o cargo de primeiro-ministro em três ocasiões (1933, 1940–1941 e 1941), Rashid Ali era um fervoroso nacionalista árabe e buscava reduzir a influência britânica em seu país. Durante a Segunda Guerra Mundial, aproximou-se das potências do Eixo, especialmente da Alemanha, na tentativa de fortalecer a independência iraquiana frente ao Reino Unido. Entre maio e julho de 1941, contudo, as forças britânicas e seus aliados derrotaram o governo pró-Eixo no Iraque e, posteriormente, na Síria e no Líbano.
Em junho de 1941, a Alemanha nazista rompeu o Pacto Molotov–Ribbentrop e invadiu a União Soviética, vizinha ao norte do Irã. Os soviéticos rapidamente se uniram aos Aliados e, durante o verão daquele ano, britânicos e soviéticos voltaram a exigir que o governo iraniano expulsasse todos os cidadãos alemães do país. Reza Khan recusou-se a atender ao ultimato e, em 25 de agosto de 1941, forças britânicas e soviéticas lançaram uma invasão surpresa. O governo iraniano rendeu-se em menos de uma semana de combates.
O objetivo estratégico da invasão era garantir uma rota de abastecimento para a União Soviética — posteriormente conhecida como Corredor Persa —, assegurar os campos petrolíferos e a Refinaria de Abadan, pertencente à Anglo-Iranian Oil Company, de controle britânico, além de limitar a influência alemã no Irã. Como consequência, Reza Khan foi obrigado a abdicar em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, então com 21 anos. O ex-xá foi enviado ao exílio e faleceu em 26 de julho de 1944, na África do Sul, aos 66 anos.
Durante o restante da Segunda Guerra Mundial, o Irã tornou-se uma importante rota de abastecimento para a União Soviética por meio do Corredor Persa, além de servir como refúgio para mais de 120 mil refugiados poloneses e membros das Forças Armadas Polonesas que escapavam do avanço das forças do Eixo.
Na Conferência de Teerã, realizada entre 28 de novembro e 1º de dezembro de 1943, ocorreu a primeira reunião presencial entre os chamados "Três Grandes" Aliados — Joseph Stalin, Franklin D. Roosevelt e Winston Churchill. Durante o encontro, os líderes emitiram a Declaração de Teerã, reafirmando o compromisso de preservar a independência e a integridade territorial do Irã no pós-guerra.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Mohammad Reza Pahlavi consolidou seu poder e aprofundou o processo de modernização do país. Nas décadas seguintes, promoveu reformas econômicas e sociais conhecidas como Revolução Branca, que ampliaram a industrialização, a educação e os direitos das mulheres. Contudo, seu governo tornou-se cada vez mais autoritário, apoiando-se na polícia secreta SAVAK para reprimir opositores. A crescente insatisfação popular, alimentada por desigualdades sociais, repressão política e pela oposição do clero xiita liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, culminou na Revolução Iraniana de 1979. Em janeiro daquele ano, Mohammad Reza Pahlavi deixou o Irã, encerrando o domínio da dinastia Pahlavi. Em abril de 1979, foi proclamada a República Islâmica do Irã, colocando fim à monarquia após cerca de 2.500 anos de existência.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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