A Criação do Pernalonga: A Verdadeira História do Personagem
Pernalonga foi criado no final da década de 1930 pela Leon Schlesinger Productions, estúdio responsável pelos desenhos da Warner Bros. Sua voz clássica foi criada por Mel Blanc (1908–1989), dublador, ator e radialista estadunidense conhecido como “O Homem das Mil Vozes”. Ao longo de mais de sessenta anos de carreira, Blanc deu voz a personagens como Pernalonga, Patolino, Frajola e Piu-Piu, sendo considerado um dos maiores dubladores da história da animação.
De acordo com Chase Craig (1910–2001), cartunista e roteirista que escreveu e desenhou algumas das primeiras histórias em quadrinhos do Pernalonga, “Pernalonga não foi criação de um único homem; no entanto, ele representava o talento criativo de talvez cinco ou seis diretores e muitos roteiristas de desenhos animados, incluindo Charlie Thorson”. Craig destacava que as histórias eram frequentemente desenvolvidas coletivamente, em reuniões de roteiro nas quais piadas e ideias eram discutidas e refinadas em grupo.
Um protótipo do Pernalonga, já contendo parte de sua personalidade, embora com aparência muito diferente, surgiu no curta Porky’s Hare Hunt, lançado em 30 de abril de 1938. O filme foi codirigido por Ben “Bugs” Hardaway (1895–1957), animador, diretor e roteirista cujo apelido “Bugs” acabaria inspirando o nome do personagem, e por Cal Dalton (1908–1964), animador e diretor da Warner Bros. responsável por parte do design inicial do coelho.
O enredo de Porky’s Hare Hunt era muito semelhante ao de Porky’s Duck Hunt (1937), dirigido por Tex Avery (1908–1980), um dos mais influentes diretores de animação da era de ouro de Hollywood, conhecido por seu humor rápido e irreverente. Nessa nova versão, o pequeno pato preto foi substituído por um coelho branco que enlouquecia o caçador Porky Pig em vez de simplesmente fugir dele.
O primeiro Pernalonga possuía cabeça oval, corpo desajeitado e comportamento de “bobo da corte”. Mel Blanc lhe deu uma voz e uma risada semelhantes às que usaria mais tarde no Pica-Pau. O personagem era barulhento, excêntrico e dono de uma gargalhada gutural que chamou a atenção do público, levando a equipe do estúdio Termite Terrace a reutilizá-lo em produções posteriores.
O Pernalonga reapareceu em Prest-O Change-O (1939), dirigido por Chuck Jones (1912–2002), diretor e roteirista que mais tarde se tornaria um dos principais responsáveis pela personalidade inteligente e sarcástica do Pernalonga. Nessa versão, o personagem já se mostrava mais frio, gracioso e controlado, embora mantivesse a famosa risada gutural.
A terceira aparição ocorreu em Hare-um Scare-um (1939), novamente dirigido por Dalton e Hardaway. Foi o primeiro desenho em que o personagem apareceu como um coelho cinza e também a primeira vez em que cantou em cena. O animador canadense Charles Thorson (1890–1966), especializado em desenho de lebres e outros animais, produziu uma folha de modelo para o personagem e escreveu nela “Bugs’s Bunny”, expressão que acabaria se transformando no nome definitivo “Bugs Bunny”.
Em sua autobiografia, Blanc afirmou que outro nome cogitado para o personagem era “Happy Rabbit”. Nos desenhos e materiais promocionais da época, entretanto, o termo “Happy” aparecia apenas em referências a Bugs Hardaway.
Pouco depois, Tedd Pierce (1906–1972), roteirista e produtor da Warner Bros. que chefiava o departamento de roteiro, pediu a Thorson um visual mais atraente para o coelho. O novo modelo apresentava corpo em forma de pera, pescoço alongado, olhos expressivos e um sorriso malicioso. O design refletia a influência dos estúdios de Walt Disney (1901–1966), pioneiro da animação estadunidense, cuja estética de animais estilizados e carismáticos dominava o cinema de animação da década de 1930.
Essa influência era perceptível especialmente na comparação com personagens da Disney, como Max Hare, de A Lebre e a Tartaruga (1935), e os coelhos de Little Hiawatha (1937), curta inspirado no poema The Song of Hiawatha, escrito pelo poeta Henry Wadsworth Longfellow (1807–1882).
Em Elmer’s Candid Camera (1940), também dirigido por Chuck Jones, o Pernalonga encontrou Elmer Fudd (Hortelino) pela primeira vez. O coelho já se aproximava visualmente do personagem moderno, embora ainda conservasse uma voz mais primitiva.
Estreia oficial
Embora Porky’s Hare Hunt tenha sido o primeiro curta da Warner Bros. a apresentar o personagem que evoluiria para o Pernalonga, A Wild Hare, dirigido por Tex Avery e lançado em 27 de julho de 1940, é considerado a estreia oficial do personagem. O filme foi um enorme sucesso e recebeu indicação ao Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animação.
Para esse curta, Avery pediu ao desenhista Bob Givens (1918–2017), animador responsável por redefinir o visual do personagem, que remodelasse o coelho. O resultado foi o Pernalonga alto, esguio e elegante que se tornaria o padrão definitivo do personagem.
Logo depois, Patient Porky (1940), dirigido por Bob Clampett (1913–1984), outro importante diretor da Warner Bros. conhecido por seu estilo exagerado e experimental, trouxe uma participação especial do personagem anunciando o nascimento de 750 coelhos.
Em Elmer’s Pet Rabbit (1941), de Chuck Jones, o nome “Bugs Bunny” apareceu pela primeira vez na tela. Apesar de pequenas diferenças de voz e personalidade, os curtas seguintes retornaram ao modelo estabelecido por A Wild Hare.
Outro marco foi Hiawatha’s Rabbit Hunt (1941), dirigido por Friz Freleng (1906–1995), diretor, animador e produtor responsável por numerosos clássicos dos Looney Tunes. O curta recebeu indicação ao Oscar e consolidou ainda mais a popularidade do Pernalonga.
A derrota do desenho na premiação foi satirizada em What’s Cookin’, Doc? (1944), no qual Pernalonga exige uma recontagem dos votos e reclama ter perdido o Oscar para James Cagney (1899–1986), famoso ator estadunidense conhecido por seus papéis em filmes policiais e musicais de Hollywood.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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