Dockers Derby
Millwall versus West Ham, também conhecido como “Dockers Derby” (em português: Dérbi dos Estivadores), é um clássico de futebol de Londres que envolve o Millwall Football Club e o West Ham United Football Club. É uma das rivalidades mais tradicionais e intensas do futebol inglês, marcada pela proximidade geográfica entre os clubes, pela história ligada às docas do leste de Londres e por décadas de confrontos e conflitos entre torcedores.
História
A rivalidade entre Millwall e West Ham começou antes mesmo de os dois clubes existirem com seus nomes atuais. Suas origens estão ligadas ao ambiente industrial e portuário do leste de Londres, onde os trabalhadores das docas e das indústrias locais formavam comunidades muito próximas, mas também bastante competitivas.
O Millwall foi fundado em 1885, originalmente como Millwall Rovers, por trabalhadores da fábrica de conservas J. T. Morton, instalada na região das Docklands. Já o West Ham tem suas origens no Thames Ironworks FC, fundado em 1895 como equipe ligada aos trabalhadores dos estaleiros da Thames Ironworks and Shipbuilding Company. Em 1900, o Thames Ironworks foi encerrado e deu origem ao West Ham United.
O primeiro confronto entre os clubes aconteceu em 9 de dezembro de 1899, pela FA Cup, quando o Millwall venceu o Thames Ironworks por 2 a 1. A rivalidade se intensificou nos anos seguintes, com os dois clubes disputando competições regionais e enfrentando-se regularmente.
A disputa ganhou ainda mais força com a mudança dos clubes pela região. O Millwall deixou a Isle of Dogs e, posteriormente, mudou-se para o sul do rio Tâmisa, enquanto o West Ham permaneceu ligado ao East End londrino. Mesmo separados pelo Tâmisa, os clubes continuaram próximos geograficamente e ligados à história operária e portuária de Londres.
O “Dockers Derby” tornou-se especialmente conhecido pelos confrontos entre torcedores. Durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, a violência envolvendo grupos de hooligans dos dois clubes ganhou grande notoriedade no futebol inglês. Os confrontos não se limitavam aos estádios e contribuíram para transformar Millwall x West Ham em uma das rivalidades mais associadas ao hooliganismo no país.
Um dos episódios mais graves ocorreu em 2009, quando o West Ham recebeu o Millwall pela Copa da Liga Inglesa. O jogo foi marcado por invasões do campo, confrontos entre torcedores e distúrbios nas proximidades do estádio.
Além da rivalidade entre os clubes, existe também uma disputa de identidade. O West Ham é tradicionalmente conhecido como “The Hammers”, enquanto o Millwall utiliza “The Lions” como seu principal apelido. Entre os torcedores, os adversários também recebem diversos apelidos e provocações, que fazem parte da cultura da rivalidade.
Na cultura popular
A rivalidade entre Millwall e West Ham também ultrapassou os estádios e chegou ao cinema e à literatura, principalmente através de histórias sobre o hooliganismo inglês.
Um dos filmes mais conhecidos é Green Street, Hooligans( 2005), dirigido por Lexi Alexander e estrelado por Elijah Wood. A história acompanha um estudante estadunidense que se envolve com a torcida do West Ham e passa a fazer parte do universo dos hooligans. O filme apresenta a rivalidade entre torcedores do West Ham e do Millwall e ajudou a levar esse universo para um público internacional.
Outro filme importante é The Firm (1989), dirigido por Alan Clarke e estrelado por Gary Oldman. Ambientado no universo dos hooligans londrinos, o filme apresenta um grupo fictício inspirado na Inter City Firm, torcida associada ao West Ham. A produção retrata o ambiente de violência entre grupos rivais do futebol inglês.
O tema também aparece em Rise of the Footsoldier (2007), que acompanha a trajetória de Carlton Leach e sua ligação com o universo das torcidas violentas e posteriormente com o crime organizado.
Na literatura, Congratulations, You Have Just Met the ICF, de Cass Pennant, apresenta a história da Inter City Firm a partir da perspectiva de um de seus integrantes. Já No One Likes Us, We Don't Care: True Stories from Millwall, Britain's Most Notorious Football Hooligans, de Andrew Woods, aborda o universo dos torcedores do Millwall e dos Bushwackers.
Outro livro relacionado ao confronto é Family: Life, Death and Football, de Michael Calvin, que acompanha uma temporada do Millwall e aborda a cultura do clube e a rivalidade com o West Ham.
Alex
Cinema e literatura ajudaram a transformar Millwall x West Ham em um dos exemplos mais conhecidos da cultura de rivalidade e hooliganismo do futebol inglês. Essas representações, porém, concentram-se principalmente na violência das torcidas e não abrangem toda a história esportiva e social dos dois clubes.
O retorno do Dockers Derby
Depois de 14 anos sem um confronto oficial, Millwall e West Ham voltarão a se enfrentar em 19 de setembro de 2026, pelo Championship, a segunda divisão do futebol inglês. A partida será disputada no The Den, estádio do Millwall, e marcará o 100º encontro competitivo entre os dois clubes. O último confronto havia acontecido em fevereiro de 2012, quando o West Ham venceu por 2 a 1 em Upton Park.
O longo intervalo ocorreu porque os clubes seguiram caminhos diferentes nas divisões do futebol inglês. O West Ham permaneceu por muitos anos na Premier League, enquanto o Millwall passou a maior parte desse período nas divisões inferiores. Com o retorno do West Ham ao Championship na temporada 2026–27, o antigo clássico das docas finalmente será renovado.
O reencontro no The Den terá, portanto, um significado especial para uma nova geração de torcedores que nunca havia visto um Millwall x West Ham em uma partida oficial. Mais de um século depois do primeiro encontro, o Dockers Derby volta a fazer parte do calendário do futebol inglês.
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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