Líbano — História do Antigo Líbano A história do antigo Líbano corresponde à trajetória da região do Mediterrâneo Oriental que atualmente integra o território libanês, desde os primeiros assentamentos humanos até o início do domínio árabe. Ao longo da Antiguidade, a região foi ocupada e influenciada por diferentes povos e impérios, entre eles cananeus, egípcios, assírios, babilônios, persas, macedônios, selêucidas e romanos. Tempos pré-históricos Os primeiros assentamentos conhecidos no território do atual Líbano remontam a períodos anteriores a 5000 a.C. Em Biblos, uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo, foram encontrados vestígios de comunidades neolíticas, incluindo cabanas, ferramentas, armas primitivas e recipientes funerários. Esses achados demonstram a existência de comunidades agrícolas, pesqueiras e artesanais na costa do Mediterrâneo há milhares de anos. Idade do Bronze A Idade do Bronze foi um período da Antiguidade caracterizado pelo amplo desenvolvimento da metalurgia do bronze, uma liga formada principalmente por cobre e estanho. No Levante, esse período se estendeu aproximadamente do final do IV milênio ao início do I milênio a.C. A região correspondente ao atual Líbano era formada por cidades costeiras e áreas montanhosas densamente arborizadas. Seus habitantes faziam parte do mundo cultural cananeu, enquanto o termo “fenícios” foi utilizado posteriormente pelos gregos para designar principalmente as populações das cidades costeiras do norte do Levante. Os cananeus viviam sobretudo em cidades-Estado independentes. Ao longo do primeiro milênio a.C., algumas dessas cidades desenvolveram extensas redes comerciais e marítimas e estabeleceram entrepostos e colônias em diferentes partes do Mediterrâneo. “Semítico” não designava uma única raça ou nacionalidade. O termo é empregado principalmente em estudos linguísticos para agrupar línguas relacionadas, como o fenício, o hebraico, o aramaico e o árabe. Os antigos fenícios falavam uma língua semítica e compartilhavam elementos culturais com outros povos do antigo Levante. As cidades costeiras funcionavam como centros políticos independentes. Tiro e Sidon destacaram-se como importantes centros marítimos e comerciais, enquanto Biblos manteve relações particularmente estreitas com o Egito. A cidade exportava madeira de cedro e outros produtos do Levante e importava mercadorias provenientes do vale do Nilo. A região manteve relações com o Egito durante grande parte da Idade do Bronze. Durante o período de expansão egípcia no Levante, várias cidades cananeias ficaram submetidas à influência ou ao controle egípcio. No século XVI a.C., os hicsos foram expulsos do Egito pelo faraó Amósis I, fundador da XVIII Dinastia. Posteriormente, faraós como Tutmés III ampliaram o domínio egípcio sobre Canaã e outras áreas do Levante. Com o enfraquecimento do poder egípcio no final da Idade do Bronze, as cidades costeiras recuperaram maior autonomia. A partir do início do primeiro milênio a.C., cidades como Tiro, Sidon e Biblos tornaram-se importantes centros do comércio mediterrânico. Os fenícios destacaram-se na navegação, no comércio, na produção de tecidos tingidos de púrpura, no trabalho com metais, marfim e vidro e na exploração da madeira dos cedros do Líbano. Sua expansão marítima levou à criação de colônias e entrepostos em diversas regiões do Mediterrâneo, incluindo Chipre, Sicília, Sardenha, Península Ibérica e Norte da África. Cartago, fundada por colonos de Tiro, tornou-se posteriormente uma das maiores potências do Mediterrâneo Ocidental. O alfabeto fenício, desenvolvido a partir de tradições anteriores de escrita no Levante, também exerceu enorme influência sobre o alfabeto grego e, posteriormente, sobre o latino. Período Assírio A expansão do Império Assírio transformou as cidades fenícias em tributárias de uma grande potência imperial. A partir do século IX a.C., os assírios passaram a exercer crescente controle sobre o litoral do Levante. As cidades que se rebelavam eram submetidas a campanhas militares e à cobrança de pesados tributos. Tiro, Sidon, Biblos e outras cidades procuraram preservar sua autonomia por meio de alianças, tributos e, em alguns momentos, revoltas. No final do século VIII a.C., Tiro resistiu às campanhas assírias e conseguiu preservar sua posição estratégica como potência marítima. Durante o século VII a.C., Sidon também se rebelou contra os assírios. A cidade foi destruída em 677 a.C. por Esar-Hadom, que posteriormente a reconstruiu. O domínio assírio enfraqueceu no final do século VII a.C., quando o império entrou em colapso diante das ofensivas dos medos e dos babilônios. Período Babilônico Após a queda do Império Neoassírio, a Fenícia passou para a esfera de influência do Império Neobabilônico. Nabucodonosor II, rei da Babilônia, consolidou seu domínio sobre grande parte do Levante depois da vitória sobre os egípcios e seus aliados em Carquemis, em 605 a.C. A conquista babilônica colocou as cidades fenícias sob forte pressão. Os governantes locais tiveram de pagar tributos e fornecer recursos ao império. Tiro, protegida por sua posição insular, continuou sendo um dos principais focos de resistência. O Levante era uma região estratégica porque ligava o Egito à Mesopotâmia e controlava importantes rotas comerciais e militares. Levante é um termo geográfico utilizado para designar, de maneira geral, a região do Mediterrâneo Oriental. Dependendo do período e da definição utilizada, pode abranger territórios correspondentes atualmente ao Líbano, Síria, Israel, Palestina, Jordânia e partes da Turquia e de outros países vizinhos. Nabucodonosor II governou o Império Babilônico de aproximadamente 605 a 562 a.C. Durante seu reinado, a Babilônia alcançou grande poder e realizou extensas obras de construção. A madeira dos cedros e outros recursos do Levante eram valiosos para os projetos imperiais. Em 586 a.C., Nabucodonosor iniciou o longo cerco de Tiro. Segundo fontes antigas, o cerco durou aproximadamente 13 anos, até cerca de 573 a.C. O resultado exato é discutido pelos historiadores: Tiro não foi simplesmente destruída como outras cidades conquistadas. O conflito terminou com um acordo que submeteu a cidade à autoridade babilônica. Colapso da Babilônia Os sucessores de Nabucodonosor II não conseguiram manter por muito tempo a força do Império Babilônico. Enquanto isso, os persas aquemênidas, liderados por Ciro II, o Grande, expandiam-se rapidamente pelo Oriente Médio. Em 539 a.C., Ciro conquistou a Babilônia. Com a queda do império, a Fenícia passou para o domínio persa. As cidades fenícias conservaram parte de suas estruturas locais e de sua importância comercial, mas passaram a integrar o sistema imperial aquemênida. Período Persa — Império Aquemênida A conquista da Babilônia por Ciro, o Grande, em 539 a.C., colocou a Fenícia sob o domínio do Império Aquemênida. As cidades costeiras permaneceram ligadas ao império persa durante aproximadamente dois séculos. Os fenícios desempenharam um papel importante na marinha persa durante as Guerras Greco-Persas, fornecendo navios e marinheiros. Sua posição estratégica e sua tradição marítima tornavam as cidades da costa do Levante valiosas para o Império Aquemênida. Durante o domínio persa, as cidades fenícias mantiveram significativa autonomia local, mas continuaram sujeitas a tributos e às exigências do poder imperial. Revoltas ocorreram especialmente quando a tributação e o controle persa se tornaram mais pesados. Período Helenístico O Império Persa acabou sendo derrotado por Alexandre, o Grande, rei da Macedônia. Depois de derrotar os persas em 333 a.C., Alexandre avançou pelo Levante e assumiu o controle de grande parte da costa fenícia. A maioria das cidades fenícias aceitou sua autoridade. Tiro, porém, recusou-se a permitir que Alexandre entrasse na cidade para realizar um sacrifício no templo de Melqart, uma das principais divindades de Tiro. Alexandre iniciou então o famoso cerco de Tiro em 332 a.C. A cidade, situada em uma ilha próxima à costa, era extremamente difícil de conquistar por um exército terrestre. Para alcançá-la, os macedônios construíram um enorme molhe que avançava do continente em direção à ilha. Com o apoio de navios fenícios que haviam se aliado a Alexandre, o exército conseguiu finalmente romper as defesas da cidade após cerca de sete meses de cerco. Tiro foi conquistada e sofreu uma severa punição. Muitos de seus habitantes foram mortos ou vendidos como escravos. A conquista marcou uma importante transformação no equilíbrio político do Mediterrâneo Oriental. Apesar da morte de Alexandre em 323 a.C., a conquista macedônica deixou uma profunda influência cultural na região. A língua e a cultura gregas passaram a exercer grande influência sobre as cidades fenícias, processo que ficou conhecido como helenização. Dinastia Selêucida Após a morte de Alexandre, seu vasto império foi dividido entre seus generais. A Fenícia acabou incorporada ao território controlado pelos selêucidas, dinastia fundada por Seleuco I Nicátor. Os territórios do sul do Levante e o Egito permaneceram durante longos períodos sob o domínio dos Ptolomeus, estabelecendo uma disputa constante com os selêucidas pelo controle da região. As guerras entre as duas dinastias contribuíram para décadas de instabilidade política. A vitória dos selêucidas sobre os rivais ptolomaicos consolidou seu domínio sobre a Fenícia. Durante o período helenístico, as cidades da região mantiveram suas atividades comerciais e marítimas, ao mesmo tempo que incorporavam elementos da cultura grega. Domínio romano O último século do domínio selêucida foi marcado por conflitos internos, disputas dinásticas e pelo enfraquecimento da autoridade central. Em 64 a.C., o general romano Pompeu reorganizou a região e incorporou a Síria ao domínio romano, encerrando o poder selêucida no Levante. A região viveu períodos de grande prosperidade durante o domínio romano. A chamada Pax Romana foi um longo período de relativa estabilidade interna dentro do Império Romano, especialmente entre os séculos I e II d.C., que favoreceu o comércio, a urbanização e a circulação de pessoas e ideias. Biblos, Sidon, Tiro e Berytus — o nome latino de Beirute — permaneceram importantes centros urbanos e comerciais. A produção de vidro, cerâmica, tecidos e tinturas continuou relevante, enquanto os portos recebiam mercadorias provenientes de diferentes regiões do Mediterrâneo e do Oriente. Berytus tornou-se especialmente importante sob o domínio romano. A cidade recebeu uma colônia de veteranos e desenvolveu uma importante tradição jurídica. Sua famosa escola de direito tornou-se um dos principais centros de estudos jurídicos do mundo romano. A cidade também foi favorecida por membros da dinastia herodiana. Em 14 a.C., durante o reinado de Augusto, Herodes, o Grande, financiou obras públicas em Berytus. Posteriormente, a cidade consolidou sua posição como importante centro romano no Mediterrâneo Oriental. Em 193 d.C., durante o reinado do imperador Septímio Severo, a cidade de Heliópolis, atual Baalbek, recebeu o status de colônia romana. A região tornou-se conhecida por seus grandiosos templos e monumentos, alguns dos quais estão entre os maiores exemplos da arquitetura romana no Oriente. Lúcio Septímio Severo (11 de abril de 145 ou 146 – 4 de fevereiro de 211) foi imperador romano de 193 a 211. Nascido em Leptis Magna, na África romana, chegou ao poder durante a guerra civil conhecida como Ano dos Cinco Imperadores. Seu governo fortaleceu a presença romana nas províncias e promoveu importantes reformas administrativas e militares. Severo reorganizou as províncias romanas da região. A antiga província da Síria foi dividida, e a Síria Fenícia foi criada como uma nova unidade administrativa, abrangendo parte do território correspondente ao atual Líbano e regiões vizinhas. Após a morte de Teodósio I, em 395 d.C., o Império Romano passou a ser definitivamente dividido entre o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente, também conhecido posteriormente como Império Bizantino. As cidades de Berytus, Tiro e Sidon continuaram importantes centros comerciais e intelectuais durante os primeiros séculos do domínio romano oriental. No século VI, porém, uma série de terremotos atingiu a região. O terremoto de 551 causou enormes danos em cidades costeiras, incluindo Beirute, e provocou um forte declínio de sua importância como centro jurídico e comercial. A famosa escola de direito de Berytus acabou sendo transferida para outra região após a destruição da cidade. A esses desastres naturais somaram-se problemas políticos, econômicos e religiosos que afetaram o Império Romano do Oriente. Disputas religiosas, dificuldades administrativas e conflitos externos enfraqueceram a região. No século VII, o Império Bizantino enfrentou a expansão dos exércitos árabes muçulmanos. Após as grandes conquistas árabes na Síria e na Palestina, as forças bizantinas perderam progressivamente o controle do Levante. Por volta de 642 d.C., a região que corresponde ao atual Líbano já havia passado para o domínio do recém-formado califado árabe, encerrando o longo período de domínio romano e bizantino. Ruínas de Biblos cidade moderna se desenvolveu ao redor e parcialmente sobre a antiga cidade fenícia. Alex

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