Marshmallow: Da Planta Medicinal ao Doce Industrial
Marshmallow é um doce feito principalmente de açúcar, água e gelatina, batidos até formar uma espuma estável, de consistência macia e elástica. Pode ser moldado em diferentes formatos e geralmente recebe uma cobertura de amido de milho e açúcar para evitar que os pedaços grudem. Apesar de atualmente não conter a planta que lhe deu o nome, o marshmallow tem origem relacionada à Althaea officinalis, conhecida em português como alteia ou malvaísco, uma planta utilizada tradicionalmente para fins medicinais.
A Althaea officinalis é uma espécie de planta com flores da família Malvaceae, nativa de regiões da Europa, do norte da África e de partes da Ásia temperada. É uma planta perene que cresce principalmente em ambientes úmidos. A família Malvaceae é muito ampla e inclui gêneros importantes como Theobroma (cacau), Gossypium (algodão), Abelmoschus (quiabo), Hibiscus (hibisco) e Durio (durian). A família compreende cerca de 250 gêneros atualmente aceitos, enquanto estimativas mais amplas chegam a aproximadamente 4.225 espécies.
A palavra inglesa marshmallow deriva do nome da planta: marsh significa “pântano” ou “brejo”, enquanto mallow se refere às plantas do grupo das malvas. A Althaea officinalis possui caule e folhas de textura relativamente carnosa e flores geralmente brancas ou rosadas, com cinco pétalas.
A planta é utilizada medicinalmente desde a Antiguidade, especialmente por causa do mucilagem presente em sua raiz, uma substância capaz de formar uma preparação viscosa quando entra em contato com a água. Preparações à base da raiz eram tradicionalmente utilizadas para aliviar irritações da garganta e tosse. No entanto, a conhecida história de que os antigos egípcios já produziam o marshmallow moderno por volta de 2000 a.C. deve ser tratada com cautela, pois não existem evidências históricas suficientes para estabelecer essa origem de maneira definitiva.
-Durante muitos séculos, a alteia esteve associada principalmente à medicina. Na França, porém, preparações à base de sua raiz deram origem à pâte de guimauve, antecessora direta do marshmallow moderno. Há registros documentais dessa preparação medicinal pelo menos desde o século XVIII; um ato real francês de 1746, por exemplo, descreve uma preparação chamada pâte de guimauve et réglisse.
No início do século XIX, confeiteiros franceses passaram a transformar a preparação em uma sobremesa mais leve e aerada. A receita utilizava o mucilagem da raiz da alteia, açúcar e claras de ovo batidas, produzindo uma massa macia e esponjosa conhecida como pâte de guimauve. O produto era comercializado em barras ou pequenas pastilhas e ainda conservava parte de sua associação tradicional com o tratamento da tosse e de irritações da garganta.
A fabricação, entretanto, era trabalhosa. A preparação da raiz podia levar bastante tempo, e o processo de bater e moldar a massa era realizado manualmente. No final do século XIX, os fabricantes começaram a adotar técnicas que facilitavam a produção em maior escala, entre elas o chamado starch mogul system, ou sistema de moldagem em amido. Nesse método, moldes eram pressionados sobre bandejas de amido de milho, criando cavidades nas quais a massa era depositada para adquirir sua forma.
Nesse mesmo período, a raiz da alteia foi gradualmente substituída por gelatina, que proporcionava maior estabilidade à espuma e facilitava a fabricação industrial. A mudança foi fundamental para transformar a antiga pâte de guimauve no marshmallow que conhecemos atualmente.
No início do século XX, o marshmallow já podia ser produzido em grande escala e tornou-se popular nos Estados Unidos. A confecção industrial permitiu que o doce deixasse de ser um produto artesanal e passasse a ser comercializado amplamente. O marshmallow também começou a aparecer em diversas receitas e preparações culinárias.
Entre elas estava o banana fluff, uma sobremesa aerada que combina banana com ingredientes cremosos, como pudim ou creme batido, e pode incluir mini marshmallows. Outras sobremesas também passaram a incorporar o doce, consolidando sua presença na culinária popular.
Um dos principais avanços tecnológicos ocorreu com Alex Doumak, fabricante estadunidense de doces que desenvolveu um processo de extrusão contínua para a produção de marshmallows. O processo, patenteado no final da década de 1940, permitia extrudar a massa em um cilindro contínuo e posteriormente cortá-la em pedaços uniformes. A inovação contribuiu decisivamente para a produção industrial do marshmallow em sua conhecida forma cilíndrica.
A partir daí, a fabricação do marshmallow tornou-se cada vez mais automatizada. Atualmente, equipamentos industriais misturam, aeram, extrudam, cortam, revestem e embalam grandes quantidades do produto. A antiga planta medicinal que deu origem ao nome desapareceu completamente da receita convencional, mas seu legado permanece na própria palavra marshmallow.
Assim, o marshmallow moderno é resultado de uma longa transformação: de uma planta medicinal utilizada tradicionalmente por suas propriedades mucilaginosas, passou a uma preparação farmacêutica, depois a uma confeitaria artesanal francesa e, finalmente, a um produto industrial consumido em todo o mundo.
Uma planta malva (Althaea officinalis).
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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