Sport Club Corinthians Paulista — dos anos 1940 ao fim da fila nos anos 1970
O Sport Club Corinthians Paulista (SCCP), comumente chamado de Corinthians, é um clube poliesportivo brasileiro da cidade de São Paulo. Foi fundado como uma equipe de futebol em 1º de setembro de 1910, por um grupo de trabalhadores na região da Ponte Grande, no bairro do Bom Retiro. Seu nome foi inspirado no Corinthian Football Club, de Londres, que excursionava pelo Brasil. Atualmente, o clube manda suas partidas na Neo Química Arena. Seus maiores rivais são Palmeiras, com quem disputa o Derby Paulista; Santos, no Clássico Alvinegro; e São Paulo, no Majestoso.
O jejum dos anos 1940
Em 1941, o Corinthians conquistou novamente o Campeonato Paulista. O título não foi invicto porque o time perdeu na última rodada para o Palestra Itália. A comemoração aconteceu no recém-inaugurado Estádio do Pacaembu.
Nos nove anos seguintes, porém, o Corinthians viveu um longo jejum de títulos paulistas. Nesse período, conquistou quatro vezes a Taça Cidade de São Paulo, competição paralela ao Campeonato Paulista que reunia clubes da elite do futebol estadual: 1942, 1943, 1947 e 1948. O torneio era disputado em formato próprio e não equivalia ao Campeonato Paulista.
Sem conquistar o principal campeonato estadual, o Corinthians terminou como vice-campeão paulista cinco vezes entre 1942 e 1950. Enquanto isso, o São Paulo, que começava a se consolidar como uma das grandes forças do futebol paulista, viveu sua primeira grande era de sucesso, especialmente a partir da contratação de Leônidas da Silva, o "Diamante Negro", centroavante de 28 anos quando chegou ao clube em 1942. Leônidas conquistaria cinco Campeonatos Paulistas pelo São Paulo: 1943, 1945, 1946, 1948 e 1949.
Mesmo contratando jogadores de grande reputação, o Corinthians não conseguia recuperar o protagonismo. Em 1944, chegou ao clube o lendário Domingos da Guia, então com 32 anos, um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro. O Corinthians também contou com atacantes como Mário Milani, que atuava no ataque e tinha sido artilheiro do Campeonato Paulista de 1942 e 1943, e Hércules de Miranda, atacante que chegou ao clube em 1942, aos 29 anos, depois de uma brilhante passagem pelo Fluminense.
A situação começou a mudar a partir de 1949, quando uma nova geração formada no próprio Corinthians começou a chegar ao time principal. O grupo era conduzido pelo técnico José Castelli, o Rato, antigo ídolo corintiano como jogador. Rato havia sido um dos grandes meias-atacantes do clube nas décadas de 1920 e 1930 e, em 1949, já tinha 45 anos.
A grande geração dos anos 1950
Jogadores revelados ou formados no Corinthians, como Luizinho, Cabeção, Roberto Belangero e Idário, juntaram-se a nomes experientes como Baltazar, Carbone, Cláudio e Gilmar, formando uma das equipes mais importantes da história do clube.
Era uma equipe que combinava juventude e experiência. No início da década, Luizinho, meia-atacante, tinha cerca de 20 anos; Cabeção, goleiro, também tinha aproximadamente 20 anos; Roberto Belangero, meia e volante, 23 anos; e Idário, lateral-direito, cerca de 24 anos. Entre os mais experientes estavam Baltazar, centroavante, com aproximadamente 25 anos; Cláudio, atacante e um dos maiores artilheiros da história corintiana, com cerca de 29 anos; e Gilmar, goleiro, que tinha 20 anos quando chegou ao clube em 1951.
Essa geração recolocou o Corinthians entre os grandes protagonistas do futebol brasileiro. O clube conquistou o Torneio Rio-São Paulo em 1950, 1952 e 1953, além dos Campeonatos Paulistas de 1951 e 1952.
O Torneio Rio-São Paulo era uma competição interestadual que reunia os principais clubes dos dois maiores centros futebolísticos do país. Como ainda não existia um campeonato brasileiro de clubes, o torneio possuía enorme importância e era considerado, na época, uma das principais competições nacionais.
Em 1951, o Corinthians também realizou sua primeira partida fora do Brasil, no Uruguai, vencendo por 4 a 1 um combinado local. Em 1952, realizou sua primeira grande excursão à Europa, passando por Suécia, Turquia, Dinamarca e Finlândia.
A Copa Rio de 1952 e a Pequena Taça do Mundo de 1953
Em 1952, o Corinthians disputou a Copa Rio Internacional, torneio criado em 1951 que reunia clubes de diferentes países e que contou com equipes consideradas campeãs ou representantes de importantes centros do futebol mundial.
O Corinthians chegou à final contra o Fluminense, mas perdeu a decisão. A final foi disputada em dois jogos no Maracanã: o Fluminense venceu o primeiro por 2 a 0 e empatou o segundo por 2 a 2, ficando com o título. Portanto, o Corinthians foi vice-campeão da Copa Rio de 1952, e não de 1953.
Em 1953, entretanto, veio uma das maiores conquistas internacionais daquela geração: a Pequena Taça do Mundo, disputada na Venezuela.
A competição era um torneio internacional amistoso de clubes que reunia equipes europeias e sul-americanas. Na edição de 1953, participaram Corinthians, Barcelona, Roma e Caracas XI, em um quadrangular disputado em turno e returno. O Corinthians venceu os seis jogos e terminou com 100% de aproveitamento, conquistando o título. Luizinho, o "Pequeno Polegar", foi um dos artilheiros da competição, com cinco gols, ao lado do húngaro László Kubala, do Barcelona.
A conquista teve grande repercussão porque o futebol brasileiro ainda não possuía uma competição mundial oficial de clubes. Por isso, a Pequena Taça do Mundo posteriormente passou a ser lembrada por parte da imprensa e da historiografia corintiana como uma importante conquista internacional, embora não seja reconhecida oficialmente como um Mundial de Clubes pela FIFA.
O título do IV Centenário
Em 1954, o Corinthians viveu um dos anos mais importantes de sua história. O Campeonato Paulista daquele ano ganhou um significado especial porque celebrava o IV Centenário da fundação da cidade de São Paulo.
O Campeonato Paulista era, naquele período, a principal competição estadual e uma das mais importantes do futebol brasileiro. Para os clubes paulistas, conquistar aquele campeonato tinha um significado simbólico ainda maior por estar associado às comemorações dos 400 anos da cidade.
O Corinthians chegou à última rodada precisando de um empate contra o Palmeiras para garantir o título. O resultado terminou em 1 a 1, e o Corinthians tornou-se campeão paulista de 1954, conquistando aquele que ficou conhecido como o Paulista do IV Centenário. A conquista coroou a geração que havia dominado o futebol paulista no início da década.
O time contava com jogadores como Gilmar, goleiro de 23 anos; Idário, lateral-direito de aproximadamente 27 anos; Roberto Belangero, meia/volante de 26 anos; Luizinho, meia-atacante de 24 anos; e Cláudio, atacante de 32 anos.
A década de 1950 também consolidou a presença internacional do Corinthians. Entre 1951 e 1959, o clube disputou dezenas de partidas contra equipes estrangeiras, acumulando um retrospecto amplamente positivo. A geração foi responsável por transformar o Corinthians novamente em uma potência do futebol paulista e em um clube reconhecido internacionalmente.
No final da década de 1950, Vicente Matheus assumiu a presidência do clube por voto direto dos associados. Ele se tornaria uma das figuras mais marcantes da história administrativa do Corinthians, permanecendo ligado à presidência em diferentes períodos e acumulando oito mandatos.
A crise dos anos 1960
A década seguinte começou de maneira dramática. No Campeonato Paulista de 1961, o Corinthians realizou uma campanha tão ruim que passou a ser ironicamente chamado pelos rivais de "Faz-Me-Rir".
A diretoria tentou reagir contratando jogadores de grande fama. Em 1960, chegou ao clube Almir Pernambuquinho, atacante de 22 anos que havia brilhado no Vasco e que foi apresentado como uma espécie de "Pelé branco". A contratação, porém, não produziu os resultados esperados.
Em 1966, outro grande nome desembarcou no Parque São Jorge: Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha. O lendário ponta-direita, campeão mundial pelo Brasil em 1958 e 1962, chegou ao Corinthians aos 32 anos, já distante do auge físico de sua carreira. Problemas nos joelhos e um longo período de pouca atividade limitaram sua passagem pelo clube a apenas 13 partidas, sem gols.
Apesar dos fracassos, a década também marcou o surgimento de Roberto Rivellino, o "Reizinho do Parque". O meia estreou pelo Corinthians em 1964, aos 18 anos, e permaneceu no clube até 1974. Dono de uma potente canhota, grande habilidade e excelente visão de jogo, tornou-se um dos maiores ídolos da história corintiana.
Embora tenha conquistado relativamente poucos títulos pelo Corinthians, Rivellino foi fundamental para manter o clube entre os protagonistas do futebol paulista durante o período de maior jejum. Seu principal título foi o Torneio Rio-São Paulo de 1966, conquistado em uma edição que terminou com Corinthians e Santos dividindo a primeira colocação.
A tentativa de acabar com a fila
Em 1966, numa nova tentativa de acabar com o longo jejum do Campeonato Paulista, o Corinthians contratou o zagueiro Ditão, de 28 anos, e o volante Nair, vindos da Portuguesa de Desportos. A maior contratação, porém, foi Garrincha, que já tinha 32 anos.
Foi justamente naquele período que surgiu o apelido "Timão". Após a estreia de Garrincha pelo Corinthians, em uma vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro no Mineirão, o jornalista Thomaz Mazzoni, da A Gazeta Esportiva, utilizou a expressão "Timão do Corinthians". O apelido acabou sendo incorporado definitivamente à identidade do clube.
No final da década, o Corinthians finalmente conseguiu encerrar um dos tabus mais incômodos de sua história: voltou a vencer o Santos pelo Campeonato Paulista depois de quase 11 anos sem derrotar a equipe de Pelé na competição. Paulo Borges, ponta-direita, e Flávio, centroavante, marcaram os gols da vitória corintiana.
Em 1970, depois de uma negociação complicada com a Portuguesa de Desportos, o Corinthians contratou o lateral-direito Zé Maria, então com 21 anos. O jogador havia acabado de conquistar a Copa do Mundo de 1970 com a Seleção Brasileira, no México, embora fosse reserva de Carlos Alberto Torres, o titular da lateral direita. A conquista mundial fazia de Zé Maria um jogador de enorme prestígio quando chegou ao Parque São Jorge.
Nos anos seguintes, o Corinthians continuou tentando reconstruir uma equipe competitiva. Chegaram jogadores como Vaguinho, atacante, em 1971, e Geraldão, centroavante, além de jovens revelados pelo clube, como Wladimir, lateral-esquerdo de 18 anos quando chegou ao time profissional em 1972. Wladimir posteriormente se tornaria um dos maiores símbolos da história corintiana, acumulando 806 partidas pelo clube.
Apesar dessas tentativas, a chamada "fila" continuava. O Corinthians ficou de 1957 a 1974 sem disputar uma final do Campeonato Paulista.
Em 1974, finalmente surgiu uma grande oportunidade de acabar com o jejum. O Corinthians chegou à decisão do Campeonato Paulista contra o Palmeiras, mas acabou derrotado pelo rival. A derrota teve consequências profundas: Rivellino, então com 28 anos, deixou o Corinthians e foi transferido para o Fluminense.
A saída do "Reizinho do Parque" simbolizou o fim de uma era e, ao mesmo tempo, abriu caminho para uma nova geração que, poucos anos depois, finalmente conseguiria colocar fim à longa espera por um grande título estadual.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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