William Godwin
William Godwin (3 de março de 1756 – 7 de abril de 1836) foi um jornalista, filósofo político e romancista inglês. É considerado um dos primeiros grandes formuladores do pensamento anarquista moderno e um importante precursor do utilitarismo. Suas ideias exerceram influência sobre diferentes correntes do pensamento radical dos séculos XVIII e XIX. O teórico anarquista russo Piotr Kropotkin (1842–1921), geógrafo, historiador e um dos principais formuladores do comunismo anarquista, considerava Godwin um importante precursor dessa corrente anarquista.
Casamento com Mary Wollstonecraft
Godwin conheceu Mary Wollstonecraft (1759–1797), escritora e filósofa inglesa mais conhecida por sua defesa dos direitos das mulheres, na casa do editor de ambos, Joseph Johnson (1738–1809), um dos mais importantes livreiros e editores britânicos do século XVIII.
Johnson havia oferecido um jantar para um de seus autores, Thomas Paine (1737–1809), escritor, filósofo político e um dos principais defensores da independência das Treze Colônias britânicas na América do Norte. Paine escreveu Senso Comum (1776) e A Crise Americana (1776–1783), obras fundamentais para a causa revolucionária americana.
Godwin comentou anos depois que, naquela noite, ouviu muito pouco de Paine e muito de Wollstonecraft. Ele não a veria novamente por alguns anos. Nesse intervalo, Wollstonecraft foi para a França para acompanhar de perto a Revolução Francesa. Lá, teve uma filha, Fanny Imlay (1794–1816), com o comerciante estadunidense Gilbert Imlay.
Godwin e Wollstonecraft reencontraram-se em 1796. O respeito mútuo logo se transformou em amizade, atração e amor. Quando Wollstonecraft engravidou, os dois decidiram se casar, em parte para evitar o estigma social que ainda recaía sobre filhos nascidos fora do casamento.
O casamento, realizado em 29 de março de 1797, na igreja de St. Pancras, em Londres, provocou críticas de alguns amigos, especialmente porque Godwin havia defendido anteriormente a abolição do casamento em sua obra An Enquiry Concerning Political Justice.
Após o casamento, Godwin e Wollstonecraft viveram em casas contíguas em Somers Town, mantendo grande parte de sua independência. Os dois frequentemente se comunicavam por meio de bilhetes entregues por criados.
Em 30 de agosto de 1797, nasceu Mary Wollstonecraft Godwin, filha única do casal, que mais tarde ficaria conhecida como Mary Shelley, autora de Frankenstein.
Apenas onze dias depois, em 10 de setembro de 1797, Mary Wollstonecraft morreu de complicações decorrentes do parto. Godwin ficou profundamente abalado com sua morte e passou a ser responsável pela recém-nascida Mary e por Fanny Imlay.
Casamento com Mary Jane Clairmont
Em 1801, Godwin casou-se novamente, desta vez com sua vizinha Mary Jane Clairmont. O casamento uniu duas famílias: Clairmont tinha dois filhos, Charles e Claire, enquanto Godwin já era pai de Mary e responsável por Fanny.
A relação entre Mary Godwin e sua madrasta foi difícil. Mary Jane Clairmont exerceu forte influência sobre a educação das crianças e, posteriormente, Mary Shelley recordaria sua relação com a madrasta de maneira bastante negativa.
Os filhos e enteados
Godwin teve dois filhos biológicos: Mary Godwin (1797–1851), posteriormente conhecida como Mary Shelley, e William Godwin Jr. (1803–1832), nascido de seu segundo casamento.
Mary Shelley tornou-se uma das principais escritoras do romantismo inglês e entrou para a história da literatura como autora de Frankenstein; ou, O Moderno Prometeu (1818).
William Godwin Jr. foi jornalista e escritor. Desde jovem, recebeu uma educação cuidadosamente planejada pelo pai. Aos oito anos, foi enviado como aluno externo para a Charterhouse School. Posteriormente, estudou em diferentes instituições, incluindo a escola do Dr. Burney, em Greenwich, e uma escola de matemática dirigida pelo arquiteto e matemático escocês Peter Nicholson (1765–1844).
Em 1823, William surpreendeu o pai ao produzir ensaios literários publicados no Weekly Examiner. No mesmo ano, tornou-se repórter do Morning Chronicle, função que exerceu até sua morte.
William Godwin Jr. morreu de cólera em 8 de setembro de 1832, aos 29 anos. Deixou viúva, mas não teve filhos. Seu romance Transfusion, influenciado em parte por Caleb Williams, de seu pai, foi publicado postumamente em três volumes, em 1835, acompanhado de uma biografia escrita por Godwin.
A mais velha das filhas de Wollstonecraft, Fanny Imlay, em 1816, aos 22 anos, cometeu suicídio.
Godwin também foi padrasto de Charles Gaulis Clairmont e Claire Clairmont, filhos de Mary Jane Clairmont. Charles posteriormente tornou-se professor de literatura inglesa na Universidade de Viena.
William Godwin e Mary Shelley
Godwin tinha grandes expectativas em relação a Mary, proporcionando-lhe uma educação intelectual mais rigorosa do que a maioria das mulheres de sua época. Ele a considerava extremamente inteligente e desejava prepará-la para uma vida intelectual e literária.
Entretanto, sua relação com a filha mudou quando Mary iniciou seu relacionamento com o poeta Percy Bysshe Shelley. Godwin desaprovou o relacionamento e, inicialmente, rompeu com Mary.
A influência de Godwin sobre a obra de Mary Shelley tornou-se posteriormente objeto de diversos estudos literários. Seus primeiros romances, Frankenstein e Mathilda, podem ser interpretados como obras que exploram temas relacionados à paternidade, à educação, à autoridade e à formação da identidade.
Em romances posteriores, como Lodore e Falkner, Shelley voltou a abordar relações entre pais e filhas, explorando conflitos entre autoridade paterna, independência feminina e expectativas familiares.
Assim, a relação entre William Godwin e Mary Shelley não foi apenas uma relação entre pai e filha, mas também um encontro entre duas gerações de escritores profundamente envolvidos com as questões políticas, filosóficas e sociais de seu tempo.
Alex
Febrônio Índio do Brasil Febrônio Índio do Brasil (Jequitinhonha, 14 de janeiro de 1895 — Rio de Janeiro, 27 de agosto de 1984) foi um assassino em série brasileiro, sendo o primeiro criminoso a ser julgado como louco no país. Nascido na cidade de São Miguel de Jequitinhonha, atual Jequitinhonha, estado de Minas Gerais. Era o segundo de catorze filhos do casal Theodoro Simões de Oliveira e Reginalda Ferreira de Mattos. Seu provável nome verdadeiro era Febrônio Ferreira de Mattos, mas ganhou fama como Febrônio Índio do Brasil, o Filho da Luz, pois assim se apresentava aos policiais, jornalistas, autoridades judiciárias e psiquiatras forenses. Seu pai, Thedorão, como era mais conhecido, trabalhava como lavrador, mas exercera durante algum tempo o ofício de açougueiro. Era alcoólatra e, com muita frequência, agredia violentamente sua esposa. Várias vezes, Febrônio presenciou os espancamentos de sua mãe. Thedorão era também violento com os filhos. Em 1907, aos 12 anos, Febrônio fugiu d...
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